Crescimento do crédito ajuda a explicar alta do endividamento das famílias, diz Galípolo
Em evento da Febraban Tech, presidente do Banco Central citou também a confiança dos brasileiros no PIX
“Não dá para ficar contente com a notícia de que o crédito cresceu, e depois reclamar que o endividamento aumentou”. Esta ideia foi defendida por Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, durante palestra na Febraban Tech 2026. Segundo ele, é normal que o endividamento aumente quando há alguma forma de incentivo ao aumento do crédito.
Para Galípolo, o problema surge principalmente quando o crédito é concedido para consumo – ou seja, quando a pessoa contrai uma dívida, sem adquirir um ativo sólido. É o contrário, por exemplo, do financiamento imobiliário, que cresceu bastante mas não constituiu um problema. Já em relação a outros tipos de endividamento, a preocupação do Banco Central é maior.
Segundo o presidente da autarquia, mesmo com queda de desemprego e elevação da renda da população, o endividamento não foi revertido. A inadimplência das famílias continua elevada, pressionada principalmente por cartão de crédito e empréstimos sem garantia.
Galípolo citou também o impacto do crédito consignado privado no endividamento das famílias. Desde março de 2025, data de lançamento desta modalidade, houve um salto de R$ 41 bilhões para R$ 102 bilhões, alta de 145%. A inadimplência saltou de 5% para 6,7% no mesmo período. Já a taxa de juros do consignado privado saiu de 40,9% para 57%.
Outro fator abordado pelo presidente do Banco Central foi o cartão de crédito, que ganhou mais 37 milhões de usuários no Brasil. A inadimplência do rotativo saiu de 55% para 64,5%, com uma taxa de juros de 15,3% ao mês.
Já em relação ao crédito não consignado sem garantia houve um salto de R$ 275 bilhões para R$ 400 bilhões até maio deste ano. A taxa de juros anual chegou a 149,5%.
Confiança no PIX supera Igreja Católica e até o cônjuge
Galípolo também fez menção ao PIX. Segundo pesquisa, o meio de pagamento possui 100% da confiança dos brasileiros, superando a Igreja Católica, a Polícia Militar, as forças armadas e até o cônjuge, revela pesquisa.
Ele apontou que em 2025 foram 80 bilhões de transações realizadas pelo PIX, sendo R$ 35 trilhões movimentados pela plataforma ao longo do ano. Atualmente há 920 milhões de chaves PIX cadastradas e 148 milhões de pessoas físicas que utilizam este formato.
“O PIX foi responsável por um processo de inclusão bancária muito forte, e proporcionou acesso a serviços financeiros”, afirmou Galípolo.
Na visão do presidente do Banco Central, o PIX também promoveu a inclusão financeira da população de baixa renda. Segundo ele, 74% dos adultos inscritos no CadÚnico já registraram ao menos uma chave pix e 72% fez pelo menos um pagamento nesta modalidade.
A aposta do BC em segurança
Galípolo também destacou o grande desafio que o Banco Central possui para promover a segurança diante destas inovações, que também foram acompanhadas pelo crescimento de crimes financeiros.
Para ele existe uma falsa dicotomia sobre segurança, estabilidade e competição, que muitas vezes não existe na prática, de acordo com Galípolo.
Diante disso, ele apresentou algumas medidas que fazem parte da agenda do Banco Central nos próximos meses, principalmente no desenvolvimento de alertas para movimentações atípicas.
Galípolo reforçou ainda o compromisso da autarquia em diminuir o recorde de endividamento, mesmo em um ambiente de renda alta, desemprego em baixa e juros restritivos.