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CEOs de grandes bancos cobram agenda fiscal dos candidatos e revelam como a IA transformou o setor financeiro

Na Febraban Tech 2026, eles destacam que o novo normal do mundo será um ambiente de guerras e incertezas geopolíticas

A inteligência artificial está ganhando espaço em todos os setores relevantes da economia brasileira e as instituições financeiras não são exceção. Durante a Febraban Tech 2026, os CEOs do Itaú, Santander, Bradesco, BTG, Nubank e Caixa Econômica se reuniram para debater como lidam com a inteligência artificial e inovação. A CEO do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, que também estava confirmada no evento, não participou do painel.

Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú, destacou que a inteligência artificial contribuiu para ter uma visão holística do cliente e criar relacionamento. O banco passou a entender mais as necessidades do seu público no dia a dia. Ele destacou o papel da IA do Itaú, a ia.i que auxilia em todos os canais, desde o PIX, Whatsapp, gestão conversacional do cliente. “Eram 300 mil cientes atendidos por alguma solução de IA e passaram para 3 milhões”, comentou.

Já na Caixa Econômica Federal, o CEO Carlos Vieira destacou que a inteligência artificial permitiu que o banco estatal deixe de ser “apenas convidado” no clube dos grandes bancos, para entrar de fato nesse universo.

“A Caixa há três anos era uma selva analógica. Construímos uma jornada olhando outros bancos, imitando as boas práticas. Hoje estamos em outro patamar de interação digital”, afirmou Vieira.

Além do uso de IA na jornada com cliente e nos financiamentos, o CEO da Caixa destacou um fator cultural da empresa, em que todos os funcionários precisam engajar neste processo de transformação.

No Santander, o CEO Gilson Finkelsztain destacou que ao se falar de IA é importante enxergar não apenas a foto dos dados e sim o filme, com a capacidade de analisar estas informações, combinando tecnologia com novos produtos que gerem valor aos clientes.  

O BTG Pactual também possui uma visão semelhante. De acordo com Roberto Sallouti, CEO do banco de investimentos, a IA ajuda a ter eficiência na produtividade, para melhorar a experiência dos clientes. “A pergunta não é se estamos usando IA e sim em qual área ainda não estamos utilizando”, apontou.

No Bradesco, o CEO Marcelo Noronha, relatou que a implementação de IA na instituição também acompanhou o processo de reestruturação do banco, iniciado em 2024. Por meio da sua plataforma de inteligência artificial BIA foram realizadas 74 milhões de transações. “A BIA contribui com o objetivo do Bradesco de ter um banco para cada cliente, fortalecendo a relação com pessoa física e jurídica”, destacou.

Já Livia Chanes, CEO do Nubank, contou que no banco digital a IA generativa vem sendo usada de forma preditiva, até mesmo no segmento de crédito. “Estamos aplicando não apenas para experiência do cliente, como em tarefas do dia a dia e até em marketing para auxiliar na produção de campanhas”, comentou.

Durante o painel, os CEOs dos grandes bancos também debateram a importância de usar IA e inovações tecnológicas de forma responsável e inteligente, com o fim de se prevenir de fraudes e instituições mal intencionadas.

Tudo depende da agenda fiscal

Os executivos também debateram a importância de uma agenda fiscal e econômica clara por parte dos candidatos a presidência. Eles defenderam que um cenário de incertezas geopolíticas deve ser o novo normal da economia global nos próximos anos.

Para Maluhy, do Itaú, o Brasil precisa se preparar para competir globalmente, porque não controla o cenário externo. Ele reforçou que agenda social e fiscal andam de mãos dadas, com emprego e inflação controlada. “A renda do brasileiro é consumida pela inflação, vivemos em um momento de juros restritivos”, apontou e destacou que a agenda do Banco Central para o próximo ciclo deveria focar em juros baixos, crescimento do crédito, produtividade e menos polarização.

Já Noronha, do Bradesco, defendeu que os brasileiros precisam ouvir os candidatos sobre política fiscal e não seus assessores. “Precisa existir vontade política para isso, da sociedade e os candidatos revelarem o que pretendem fazer entre 2027 e 2030”, ponderou. Ele também falou da importância de reequilibrar a dívida pública do Brasil, que está em quase 82% do PIB (Produto Interno Bruto).

Para os CEOs do BTG e do Nubank, a incerteza geopolítica e volatilidade já faz parte de um novo normal para os bancos. Chanes cita a importância de criar modelos mais resilientes para este novo cenário. “Viver altos e baixos sempre foi a realidade do Brasil, uma história muito volátil do ponto de vista da atividade econômica”, diz.

Enquanto no Santander, Finkelsztain apontou que será necessário conviver com um mundo mais tenso, de conflitos, guerras e tarifas pelos próximos anos. Para ele, a agenda macroeconômica do Brasil precisa ser ajustada rapidamente, dado que o cenário global será difícil.

O CEO do BTG destacou também o papel da inteligência artificial na inflação, pressionada pelos fortes investimentos que no futuro devem se traduzir por alta produtividade na economia. O executivo questionou ainda a falta de previsibilidade com impostos no Brasil.

Vieira, da Caixa Econômica, citou ainda o papel do setor de construção civil no aquecimento da economia brasileira, com 799 mil imóveis da União ainda estocados. Segundo ele, a Caixa criou um fundo para monetização de R$ 2 trilhões, que vai contribuir com melhorias para a sociedade brasileira.

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