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Dados econômicos dos EUA surpreendem e indicam maior pressão inflacionária

Dados da economia dos EUA podem fazer o Banco Central do país voltar a elevar a taxa básica de juros

Dólar. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
O dólar, a moeda dos EUA, é a mais valiosa do mundo. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

A bateria de dados econômicos dos Estados Unidos mostrou que a economia do país está mais resiliente do que os especialistas previam. Os números de novos pedidos de seguro desemprego, índice de produção ao produtor (PPI, na sigla em inglês) e vendas no varejo divulgados nesta quinta-feira reforçaram a ideia de a inflação americana ainda não estar completamente sob controle.

Os novos pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos avançaram 3 mil na semana encerrada em 9 de setembro, a 220 mil no total de pedidos. O resultado ficou aquém das expectativas de analistas consultados pela FactSet, que previam alta a 226 mil.

As solicitações de auxílio continuado subiram 4 mil, a 1,688 milhão até o dia 2 de setembro. A previsão, neste caso, era de 1,703 milhão. O número da semana anterior foi revisado de 1,679 milhão para 1,684 milhão.

Isso quer dizer que há menos pessoas desempregadas nos EUA do que o esperado, o que deve fomentar a inflação. Pode parecer ruim, mas há uma lógica econômica por trás.

Se há muito emprego, há mais consumo. Se as pessoas consomem mais, o mercado eleva seus preços para atender a demanda cada vez maior. E, se a capacidade produtiva das empresas não acompanhar o apetite do consumidor, todos os preços da economia subirão – o que caracteriza inflação.

Índice de preços ao produtor

O PPI subiu 0,7% entre agosto e julho, segundo o Departamento do Trabalho do país. O resultado também ficou acima da expectativa, que previa avanço de 0,4% do PPI no mês passado.

O núcleo do PPI, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, aumentou 0,3% na comparação mensal de agosto, igualmente acima do consenso da FactSet, de 0,2%.

Inflação, deflação e desinflação: entenda as diferenças

No acumulado de 12 meses, o PPI dos EUA teve alta de 1,6% em agosto, alta em relação ao acréscimo de 0,8% observado em julho. Já o núcleo do PPI registrou avanço anual de 3% em agosto, depois de aumentar 2,9% no mês anterior, conforme dados revisados. Neste caso, as projeções da FactSet eram de incrementos anuais de 1,2% do PPI cheio e de 2,6% do núcleo, que exclui itens voláteis como alimentos e energia.

A nota informou ainda que o avanço de 0,3% na variação mensal de julho ante junho foi revisado para alta de 0,4%. Novamente, a inflação volta a assombrar. Isso porque, se os insumos para produzir estão mais caros, os produtos finais também estarão. Afinal, todo produtor e comerciante precisa repassar seus custos de produção. É o que se chama de inflação em cadeia.

Vendas no varejo nos EUA

Já as vendas no varejo subiram 0,6% no mês passado a US$ 697,6 bilhões, segundo o Departamento do Comércio do país. A variação ficou bem acima da expectativa de analistas, que previam alta de 0,1% no período.

“Varejo muito forte vai reacender os temores de inflação, já que o petróleo também está na sua máxima do ano”, afirma Paulo Gala, economista-chefe da Ativa Investimentos.

Excluindo-se automóveis, as vendas no setor varejista americano também mostraram aumento de 0,6% no confronto mensal de agosto.  “Esse incremento deve colocar mais pressão na decisão de novembro do Banco Central Americano”, explicou.

*com informações da Agência Estado

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