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O que é o Federal Reserve (Fed) e por que a decisão de juros dos EUA é importante

Conhecido como Fed, o Banco Central dos Estados Unidos determina a política monetária da maior economia do mundo

Brasão do Sistema de Reserva Federal dos EUA
Símbolo do Federal Reserve System na Sala de Imprensa do FED, nos EUA. Fonte: Adobe Stock.

Por João Paulo dos Santos

O chamado Federal Reserve, também conhecido apenas como ‘Fed’, é o Banco Central dos Estados Unidos. Como outros bancos centrais no mundo, ele tem como função conduzir a política monetária do seu país e promover estabilidade e segurança para o sistema financeiro.

Criado em 1913, o Fed foi uma resposta a uma série de crises financeiras, e sua função foi ampliada e aprimorada desde então. A ideia era que o banco central funcionasse como um ‘banco dos bancos’ e ajudasse a controlar o impacto das turbulências econômicas sobre a economia.

Assim como os outros BCs pelo mundo, o principal objetivo do Federal Reserve é o controle da inflação. Porém, a ele ainda é atribuída uma outra meta, que é a de promover também o pleno emprego, ou seja, o controle do desemprego. Assim, é falado que o Fed tem um “mandato dual” – dois objetivos.

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O que é política monetária?

Política monetária se refere à gestão da quantidade de moeda – entende-se aqui todo o tipo de dinheiro em circulação – em determinada economia, e assim, da variação dos preços, a inflação.

“Em outras palavras, política monetária é o nome dado para a gestão conduzida por bancos centrais para promover a estabilidade financeira e o controle da inflação”, afirma Rachel de Sá, chefe de economia da Rico.

Essa gestão é feita por meio de um conjunto de medidas, sendo a principal delas o controle da taxa básica de juros. No Brasil, essa é a taxa Selic. Já nos Estados Unidos são os ‘Federal Funds’ (conhecidos também como Fed Funds).

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Como é determinada a taxa de juros pelo Fed?

Como citado, os bancos centrais utilizam a taxa básica de juros como principal ferramenta para o controle de moeda em circulação na economia. Ou seja, para o controle da inflação.

“De maneira simplificada, quando a inflação está abaixo do desejado – considerando a meta de inflação – o banco central tende a reduzir os juros. Juros baixos barateiam o crédito, incentivam o consumo e aquecem a economia, elevando a pressão sobre os preços de bens e serviços na economia. Por outro lado, quando a inflação está acima do desejado, o banco central tende a elevar os juros – seguindo no efeito oposto e reduzindo a pressão sobre os preços”, explica Sá.

Nesse contexto, para tomar a decisão de elevar ou cortar os juros, os banqueiros centrais acompanham de perto dados de inflação, atividade, emprego e suas várias métricas para compreender o estado da economia. 

Alguns exemplos de dados monitorados pelo Fed (que você pode já ter ouvido falar) são:

  • CPI: inflação ao consumidor;
  • PPI: inflação ao produtor;
  • Deflator PCE: deflator da série de gastos de consumo pessoal; o seu indicador “núcleo” (que exclui itens voláteis como alimentos e combustíveis) é conhecido como o indicador de inflação preferido pelo Fed;
  • Non-farm Payroll: quantidade de postos de trabalho urbanos criados a cada mês, divulgada junto com a taxa de desemprego e dados de salários;
  • Weekly Jobless Claims: pedidos semanais de seguro-desemprego.

A partir desses dados, o FOMC (comitê de política monetária do banco central dos Estados Unidos) se reúne e toma a decisão. Este por sua vez é composto pelos bancos centrais regionais dos EUA.

Como os juros determinado pelo Fed impactam a economia mundial?

Os juros dos EUA impactam a economia americana da mesma maneira que os juros impactam aqui no Brasil ou em qualquer outro país. Eles têm principalmente a função de controlar a inflação ao desestimular a economia e o consumo. 

Segundo Leonardo Santana, analista da Top Gain, o Fed desacelera a economia fazendo com que o dinheiro fique mais caro quando a inflação está alta. “As empresas produzem menos, geram menos empregos, criam menos, então é um impacto muito grande na economia e infelizmente é o sabor amargo do remédio. É uma necessidade que tem que ser tomada”.

No entanto, esse impacto não acontece apenas nos EUA. “Pela economia norte-americana ser a maior do mundo, tudo o que acontece nela respinga no resto do mundo de alguma maneira”, diz Rachel de Sá.

Qual o impacto para o cidadão e investidor brasileiro?

Por esse fator de cadeia produzido pelas decisões do Fed na economia mundial, o cidadão e o investidor brasileiro também sentem os impactos.  

“Se a economia americana cresce menos, entra numa crise, ou até numa recessão, isso obviamente vai pesar contra o crescimento da economia global e consequentemente batendo o crescimento do Brasil. Gera aversão ao risco em termos de investimentos e até de consumo de investimento privado”, ressalta Sá.

Os juros são um fator central para qualquer economia. Então, falando da taxa de juros nos Estados Unidos, o patamar da taxa de juros americana vai importar muito para o resto do mundo.

“Por exemplo, se a decisão do Fed é pelo aumento dos juros nos EUA para o cidadão brasileiro é ruim, porque uma vez que a maior potência mundial não está crescendo, consequentemente sobra para todo mundo, principalmente para nós de países emergentes”, destaca Santana.

Já para o investidor, nesse caso, o analista afirma que quanto mais alta é a taxa de juros, a renda fixa norte-americana, considerada o investimento mais seguro do mundo, cresce em rentabilidade. O que acaba tirando investidores das bolsas de valores. 

“A gente viu a nossa bolsa sair, por exemplo, praticamente dos 130.000 e começou a cair quando o Fed começou a dar previsibilidade nos seus aumentos de taxa de juros. A premissa serve também para o movimento inverso. Quando os juros caem, aquece a economia e isso gera os efeitos em cadeia”.

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