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Em carta anual, Warren Buffett destaca confiança no futuro da economia dos EUA

No documento, ele aponta para o passado para justificar o longo prazo promissor vislumbrado por ele à maior das economias

Notas de dólares sobrepostas. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Nos EUA, a inflação e a taxa básica de juros preocupam tanto quanto no Brasil. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Warren Buffett, o mais bem-sucedido dos investidores, publicou no sábado (25) a aguardada carta anual aos acionistas  da Berkshire Hathaway , gestora controlada por ele e Charlie Munger.

O quinto homem mais rico do planeta, dono de uma montanha de US$ 106 bilhões, não divide das mesmas aflições da média do mercado sobre o futuro dos Estados Unidos. No documento, ele aponta para o passado para justificar o longo prazo promissor vislumbrado por ele à maior das economias.

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“O dinamismo dos Estados Unidos deu uma enorme contribuição para qualquer sucesso que a Berkshire tenha alcançado”, escreve Buffett, da altura de seus 92 anos. “Eu tenho investido por 80 anos, que é mais de um terço da vida do nosso país. Apesar da propensão – quase entusiasmo – de nossos cidadãos à autocrítica e à dúvida, ainda não vi um momento em que fizesse sentido fazer uma aposta de longo prazo contra os Estados Unidos.”

Atenção ao termo ‘longo prazo’

Em outros trechos da carta, Buffett alerta para uma regrinha básica sugerida por qualquer educador financeiro responsável. Ou seja, evitar a ansiedade e mirar o longo prazo na hora de investir, sem se ater tanto às instabilidades pelo meio do caminho – caso da luta americana contra a inflação, que será mero obstáculo superado pelas empresas mais sólidas.

Nesse aspecto, o megainvestidor relembra investimentos feitos na Coca-Cola e na American Express, duas das principais líderes de mercado dos Estados Unidos, há mais de três décadas.

“Em agosto de 1994 – sim, 1994 – a Berkshire completou sua compra feita ao longo de sete anos dos 400 milhões de ações da Coca-Cola que, agora, possuímos. O custo total foi de US$ 1,3 bilhão. O dividendo que recebemos da Coca-Cola em 1994 foi de US$ 75 milhões. Em 2022, aumentou para US$ 704 milhões. O crescimento ocorria todos os anos, tão certo quanto os aniversários. Tudo o que Charlie [Mungere] e eu precisávamos fazer era descontar os cheques.

American Express (Amex) é a mesma história. As compras da Amex pela Berkshire foram essencialmente concluídas em 1995 e, coincidentemente, também custaram US$ 1,3 bilhão. Os dividendos anuais recebidos desse investimento cresceram de US$ 41 milhões para US$ 302 milhões. Essas verificações também parecem altamente propensas a aumentar.

Esses ganhos com dividendos, embora agradáveis, estão longe de ser espetaculares. Mas trazem consigo ganhos importantes nos preços das ações. No final do ano, nosso investimento na Coca-Cola foi avaliado em US$ 25 bilhões, enquanto a Amex foi registrada em US$ 22 bilhões. Cada participação, agora, representa cerca de 5% do patrimônio líquido da Berkshire, semelhante à sua ponderação há muito tempo.”

Nesse trecho da carta, Buffett vai de encontro a outro aspecto essencial no beabá dos educadores financeiros: o da diversificação.

O caminho à frente

De novo, ao projetar o caminho a ser trilhado pela Berkshire Hathaway de 2023 em diante, Buffett destaca sua crença na resiliência da economia americana. Escreve que a “estrada acidentada” à frente será enfrentada com prudência, retendo lucros de proprietários, prevenindo erros e “o mais importante de tudo”, graças ao “vento americano”. O megainvestidor segue o texto dizendo que “os Estados Unidos estariam bem sem a Berkshire”, mas que “o contrário não é verdade”. Daí, então, a aposta primordial em negócios “enormes e diversificados” listados na bolsa de Nova York.

“Os membros do índice S&P 500 são a elite de grandes e conhecidas empresas americanas. No total, essas 500 empresas faturaram US$ 1,8 trilhão em 2021. Ainda não tenho os resultados finais de 2022. Usando, portanto, os números de 2021, apenas 128 dos 500 (incluindo a própria Berkshire) faturaram US$ 3 bilhões ou mais. De fato, só 23 perderam dinheiro. No final de 2022, a Berkshire era a maior proprietária de oito dessas gigantes: Amex, Bank of America, Chevron, Coca-Cola, HP Inc., Moody’s, Occidental Petroleum e Paramount Global.”

Dentro da diversificação pregada pela Berkshire, há espaço para a renda fixa. Mais especificamente, e de novo refletindo a aposta feita nos Estados Unidos, títulos públicos.

Buffett, por um lado, destaca o tamanho do déficit público americano, obtido pela diferença negativa entre a arrecadação de US$ 32 trilhões em impostos e gastos da ordem de US$ 44 trilhões. Por outro lado, dá de ombros para temores correntes sobre a sustentabilidade desse rombo, que poderiam colocar em xeque a propalada segurança oferecida pelos papéis do governo americano.

“Embora economistas, políticos e muitos do público tenham opiniões sobre as consequências desse enorme desequilíbrio, Charlie e eu alegamos ignorância e acreditamos firmemente que as previsões econômicas e de mercado de curto prazo são mais do que inúteis. Nosso trabalho é administrar as operações e finanças da Berkshire de uma maneira que alcance um resultado aceitável ao longo do tempo e que preserve o poder de permanência inigualável da empresa quando ocorrerem pânicos financeiros ou graves recessões mundiais.”

Enfim, enquanto os cães ladram, a caravana bilionária de Buffett passa. E com a bandeira americana empunhada.

Ele convida o leitor a pensar, em paralelo aos ganhos com Coca-Cola e Amex, numa hipotética decisão equivocada de investimento da ordem de US$ 1,3 bilhão ao longo de 30 anos. De acordo com ele, representaria apenas 0,3% do patrimônio líquido da Berkshire, dados os outros acertos pelo caminho.

“A lição para os investidores: as ervas daninhas perdem importância à medida que as flores desabrocham. Com o tempo, são necessários apenas alguns vencedores para fazer maravilhas. E, sim, ajuda começar cedo e viver até os 90 anos também”, conclui.

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