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Fitch corta nota de crédito da Americanas ao menor patamar da escala

Deterioração da liquidez e dívida de R$ 43 bilhões levaram a mudança na classificação de risco. CVM vai investigar a conduta dos principais acionistas da companhia

Lojas Americanas. Foto: Adobe Stock
Crise contábil fizeram as ações caírem mais de 80% desde a revelação das inconsistências. Foto: Adobe Stock

Por Redação B3 Bora Investir

A agência de classificação de risco, Fitch Ratings, cortou a nota de crédito da Americanas de ‘C’ para ‘D’. O rebaixamento segue o pedido de recuperação judicial, após a empresa declarar uma dívida de R$ 43 bilhões. A queda da nota leva a companhia ao menor patamar da escala.

A classificação de risco, feita por empresas como a Fitch, categorizam as companhias ao redor do mundo das que possuem grau especulativo e aquelas com grau de investimento. Dentro de cada um desses dois grupos, são atribuídas notas quanto ao risco de crédito, que também são conhecidas como ratings.

A nova nota da Americanas indica que a empresa começou o seu processo de recuperação judicial, intervenção administrativa, liquidação ou similar, o que torna a companhia inadimplente em suas obrigações financeiras.

Ainda, de acordo com a Fitch, além da dívida de R$ 43 bilhões, a deterioração de sua liquidez, de R$ 8,8 bilhões em setembro para R$ 800 milhões atuais, justifica o rebaixamento.

Nesta sexta-feira, 20/01, é o último dia em que as ações da Americanas (AMER3) serão negociadas normalmente na Bolsa do Brasil (B3). A partir de então, os papéis passam a ser listados sob o título de “Recuperação Judicial” e após o encerramento do pregão, a ação será retirada da carteira de 14 índices.

Investigações da CVM

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já tem sete procedimentos abertos para analisar o caso da Americanas. Nesta semana, inclusive, uma força-tarefa de áreas técnicas também foi montada para acompanhar os desdobramentos da recuperação judicial. Em um dos processos da CVM, está o que apura a conduta dos acionistas de referência formado por Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles.

No comunicado divulgado na quinta-feira, 19/01, a CVM disse que vai analisar as informações do pedido de tutela cautelar antecedente e as informações divulgadas, até então, a respeito das inconsistências contábeis. Dentro também desse processo, está o que avalia a conduta dos acionistas de referência.

Americanas e os lojistas

A Americanas informou nesta sexta-feira, 20/01, em comunicado enviado aos lojistas que usam a plataforma da empresa como ‘market place’, que eles vão receber os repasses dos negócios feitos nos sites e aplicativos da rede.

A declaração, publicada nas redes sociais, veio após os vendedores aumentarem os seus preços nas plataformas na tentativa de impedir uma venda maior, além de evitar que os valores pagos ficassem retidos no processo de recuperação judicial.

A caso Americanas tem interferido na perspectiva do setor varejista neste ano. De acordo com analistas ouvidos pelo B3 Bora Investir, a crise pode gerar desconfiança.

+ Acompanhe também a linha do tempo com a crise que levou a Americanas à recuperação judicial em apenas 8 dias.

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