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Uso de IA e risco climático entram na mira de presidentes do Bradesco, Itaú, Caixa e Santander

Debate ocorreu durante a abertura da 34ª edição da Febraban Tech 2024, com o tema central "A jornada responsável na nova economia da Inteligência Artificial (IA)"

Presidentes de bancos discutem sobre sustentabilidade e IA na economia. Foto: Divulgação
Presidentes de bancos discutem sobre sustentabilidade e IA na economia. Foto: Divulgação

O uso da Inteligência Artifical (IA) dentro das instituições financeiras e o risco climático aos clientes no Rio Grande do Sul estão entre as preocupações dos CEOs dos principais bancos do País, como Bradesco, Itaú, Santander e Caixa Econômica.

A catástrofe climática no Rio Grande do Sul, que deixou mais de dois milhões de gaúchos atingidos desde maio, chama atenção. O presidente da Caixa, Carlos Vieira, ressalta que o banco tem usado IA para fazer o reconhecimento facial dos gaúchos que perderam seus documentos pessoais.

“Nos últimos 30 dias, fizemos mais de três milhões de atendimentos no RS. Não tivemos nenhum impacto nas filas, porque trouxemos a IA no processo de atendimento. Usamos IA para reconhecer as famílias, que perderam os documentos e biometria”, afirma.

O debate ocorreu durante a abertura da 34ª edição da Febraban Tech 2024, com o tema central “A jornada responsável na nova economia da Inteligência Artificial (IA)”. Esse é o maior evento de tecnologia e inovação do setor financeiro.

Risco climático

Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco, afirma que a instituição tem apoiado os gaúchos através da liberação de crédito.

“Assim como fizemos na pandemia, agora estamos nos mobilizando para apoiar o RS, seja doações ou frete para levar alimentos e medicamentos. Apoiamos com crédito, com prazo e isenção de tarifas para que a população saia com dignidade. Agora, isso é um sinal super delicado do clima. Não somos competidores, temos que ser cooperativos. Isso é uma agenda de todos nós. Acho que o Brasil está em um momento e em uma posição única na agenda ambiental. O ambiental no ESG é muito importante.”

O risco climático desperta atenção entre os presidentes das instituições. Para Mario Leão, CEO do Santander, esse assunto já estava na mira há algum tempo, mas ganhou ainda mais visibilidade após as enchentes no RS.

“O risco climático sempre fez parte do crédito, para entender os balanços e atender os clientes. Mas isso tem que subir de nível com o que aconteceu no RS. É um chamamento para a gente atuar de forma mais ativa. Olhamos há muito tempo para o risco socioambiental aos nossos clientes, que faz parte da nota de crédito. Agora, temos que dar uma volta e apoiar nossos clientes ainda mais”, afirma.

Em relação aos bancos públicos, como a Caixa, a sustentabilidade tem sido uma prioridade. “A sustentabilidade passa a ser um tema prioritário na Caixa. Estamos criando uma fundação, aprovamos na última reunião, com aspecto de gerar celeridade na interlocução com a sociedade”, destaca Vieira.

IA nos bancos

Para acelerar alguns processos dentro da organização, Vieira ressalta que o uso de Inteligência Artificial tem sido eficaz e afirma que os bancos estão inseridos nessa transição da economia com a tecnologia. Ele traz exemplos. “O crédito imobiliário, por exemplo, demorava. Com IA, esse processo saiu de três dias para três horas. Tivemos uma economia de um milhão de reais. Além de todos esses aspectos, existe uma percepção de redução de custos quando se usa IA nas organizações.”

Marcelo Noronha, CEO do Bradesco, destaca que a IA precisa de uma regulamentação favorável para o uso ético da ferramenta, uma vez que os bancos trabalham com cenários de riscos. “Temos que brigar um pouco para ter uma regulamentação mais favorável. Do ponto de vista da tecnologia, é um tema sensível.”

Segundo Noronha, o Bradesco investe em IA há bastante tempo através da criação da Bia Cliente, um chatbot que já conta com dois bilhões de interações.

Já o CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, afirma que a IA precisa ser vista como um meio, não um fim em si.

“Em relação à IA, eu vejo como uma nova revolução tecnológica. Ninguém imaginava que ela chegaria e evoluiria nessa velocidade. Ela é um meio, não um fim. Não é quem faz mais IA. É como criar valor e simplificar os processos em benefício dos clientes para ser mais competitivo e ter mais preço. Estamos diante de uma IA em áudio, vídeo e voz, com aplicações infinitas. Os modelos evoluem de forma incrível. Nós procuramos fazer 250 projetos de IA dentro do banco, liderados pelos negócios de forma integrada. Temos 17 mil pessoas em área de tecnologia, para se ter uma ideia. Acho que a IA vem para coroar esse processo de inovação.”

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