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Entenda o ano conturbado de Elon Musk à frente do Twitter

O 2022 turbulento de Elon Musk começou com o vai e vem na compra do Twitter, passou pelas demissões em massa e terminou com a suspensão da conta de jornalistas

O excêntrico bilionário Elon Musk se envolveu no ano de 2022 em diversas polêmicas desde que decidiu comprar o Twitter. Teve o enterro da rede social, chegada à sede da empresa com uma pia de banheiro nas mãos, demissão de 50% do quadro de funcionários e agora a nova polêmica envolvendo os jornalistas que acompanham o dia a dia do dono da plataforma.

Em meio a tantos conflitos, Elon Musk perdeu o posto de homem mais rico do mundo para Bernard Arnault, presidente da gigante francesa de artigos de luxo LVMH que tem uma fortuna estimada em US$ 165 bilhões (R$ 869 bilhões). Musk ficou em segundo lugar com patrimônio de US$ 161 bilhões (R$ 848 bilhões). De janeiro até esta sexta-feira, 16/12, o dono do Twitter já perdeu US$ 110 bilhões (R$ 579 bilhões). Os dados são da Bloomberg Billionaires Index – ranking diário das pessoas mais ricas do mundo.

A última polêmica envolvendo o dono do Twitter foi a suspensão de contas na rede social de vários jornalistas que acompanham a rotina do bilionário. Musk alegou que eles estavam colocando sua família em perigo ao compartilhar sua localização em tempo real, descrevendo as informações como “basicamente coordenadas de assassinato”. Segundo Musk, o período de proibição padrão para a divulgação de informações de localização pessoal – também conhecido como ‘Doxxing’ – é de sete dias.

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A medida havia sido anunciada na quarta-feira, 14/12, pela chefe de confiança e segurança do Twitter, Ella Irwin. “Sem comentar sobre nenhuma conta específica, posso confirmar que vamos suspender todas as contas que violarem nossas políticas de privacidade e colocarem outros usuários em risco”, afirmou Irwin.

Diversas entidades criticaram a suspensão de jornalistas pelo Twitter. A Anistia Internacional afirmou que a gestão de Elon Musk da plataforma é “tóxica”. Disse ainda que “expurgar as contas de jornalistas críticos representa uma ameaça à liberdade de imprensa e reflete direção profundamente preocupante que o Twitter está tomando”.

O B3 Bora Investir fez uma linha do tempo com as polêmicas envolvendo o bilionário à frente do Twitter.

13/04 – Musk faz a oferta pelo Twitter

O bilionário ofereceu o valor de US$ 44 bilhões (R$ 231 bilhões) para comprar a rede social.

25/04 – Proposta é aceita

Os acionistas aprovaram a venda do Twitter para Elon Musk.

08/07 – Bilionário desiste da compra

O empresário desiste de adquirir a rede social e justificou dizendo que a empresa de tecnologia “violou várias disposições do contrato” e se recusou a dar detalhes sobre contas falsas e spam.

12/07 – O caso foi parar na Justiça

O Twitter entrou com ação no Tribunal de Chancelaria de Delaware, nos Estados Unidos contra Musk. A empresa pedia que a compra fosse concluída pelo valor acordado.

03/10 – Financiamento

Elon Musk pediu mais tempo aos acionistas do Twitter para conseguir o financiamento e fecha a aquisição. Para concluir a compra, no entanto, solicitou que a rede social fornecesse informações sobre seu método de amostragem de contas e de diferenciação entre perfis verdadeiros e robôs.

Com a demora, a justiça americana determinou que Musk tinha até 28 de outubro para concluir a compra ou o processo movido pelo Twitter iria a julgamento.

26/10 – Musk compra o Twitter e leva pia de banheiro

Elon Musk pagou US$ 44 bilhões (R$ 231 bilhões) pela rede social, sendo que US$ 27 bilhões (R$ 142 bilhões) veio do seu próprio bolso. Com a aquisição, as negociações de ações da companhia nas bolsas de Nova York foram suspensas.

No mesmo dia, o bilionário entrou na sede do Twitter em São Francisco, nos Estados Unidos, segurando uma pia. Em um tuíte ele usou a expressão “let that sink in” – “sink” significa pia em inglês.

Sem tradução direta para o português, a fala pode ser interpretada como “deixar a ficha cair”. O empresário não chegou a explicar por que entrou com o objeto na sede da empresa. Em resposta a seu vídeo, só disse que estava “conhecendo muita gente legal no Twitter hoje”.

27/10 – Começam as demissões

Um dia após adquirir a rede social, Musk demitiu o presidente-executivo, Parag Agrawal, o diretor financeiro, Ned Segal, e a chefe de assuntos jurídicos e de políticas, Vijaya Gadde.

04/11 – Demissões por e-mail

Trabalhadores do Twitter no mundo receberam e-mails com comunicados para informar a demissão. O chefe de segurança e integridade da rede social, Yoel Roth, confirmou o desligamento de 50% dos funcionários e disse “infelizmente não há escolha quando a empresa está perdendo mais de US$ 4 milhões por dia”.

05/11 – Pagamento pela verificação

A rede social começou a testar uma nova versão chamada de Twitter Blue. Nela, a versão paga da plataforma promete verificar com um selo azul todos os usuários que aderirem ao plano de US$ 8 por mês.

10/11 – Fim do home office

Funcionários receberam e-mails sobre o fim do home office e com declarações de Elon Musk de que todos devem se preparar para “tempos difíceis à frente”. No mesmo dia o bilionário disse que uma “falência” não está fora de questão.

11/11 – Cai o pagamento da verificação

A quantidade assustadora de perfis fakes de artistas e empresas verificados levou a rede social a pausar as novas assinaturas do Twitter Blue.

18/11 – O enterro do Twitter

Em meio à crise que levou a saída de centenas de profissionais do Twitter, Elon Musk, publicou no seu perfil uma imagem que remete ao enterro da rede social.

12/12 – A volta do selo de verificação

O Twitter relançou o seu programa de assinaturas, o Twitter Blue ao custo mensal de US$ 8, mas usuários com equipamentos operados pelo sistema iOS, terão de desembolsar uma quantia maior caso queiram se tornar assinantes: US$ 11 por mês.

15/12 – Suspensão de contas

Twitter suspende a conta pessoal de Jack Sweeney, de 19 anos, que era o responsável pelo monitoramento e compartilhamento das rotas áreas do bilionário.

À noite, o Musk tirou o Twitter Spaces do ar após ter sido questionado ao vivo sobre a suspensão de contas de jornalistas que escrevem sobre ele. A ferramenta, que permite a criação de salas de bate-papo por áudio, foi usada por alguns profissionais da imprensa para discutir a suspensão de repórteres da plataforma.

O bilionário alega que eles estariam compartilhando os seus dados de localização em tempo real. Musk entrou nessa live e, logo depois, tirou o Twitter Spaces do ar.