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Gastos com educação pressionam prévia da inflação em fevereiro

IPCA-15 avançou 0,76%, acima das expectativas dos economistas, diante dos elevados reajustes educacionais típicos do início de ano letivo

Cálculadora com cédulas de Real e moeda de 1 real ao fundo apoiados sobre uma mesa
IPCA-15 é considerado uma prévia da inflação. Foto: Marcello Casal/ Agência Brasil

Por Redação B3 Bora Investir

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) – considerado a prévia da inflação – subiu 0,76% em fevereiro, acima dos 0,55% registrados em janeiro. É o maior valor desde abril do ano passado, como mostram os dados publicados nesta sexta-feira, 24/02, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou um pouco acima da previsão dos economistas de alta de 0,72%.

Gráfico inflação
PRÉVIA DA INFLAÇÃO – IPCA-15
Fonte: IBGE

Em 12 meses, o IPCA-15 caiu de 5,87% para 5,63%. Apesar da desaceleração, o resultado segue bem acima da meta (3,25%) e do teto da meta (4,75%) definidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

A economista para Brasil do Paribas, Laíz Carvalho, afirma que mesmo com o resultado pior que o esperado para fevereiro, está mantida a projeção de inflação na casa dos 6,5% em 2023.

“A gente já está com esse viés mais pessimista de que, principalmente a inflação de serviços, vai demorar um pouco mais para convergir que o esperado anteriormente. Isso reforça a nossa projeção de que o Banco Central vai ter que ficar parado [os juros] em 13,75% ao longo de todo o ano de 2023”.

Segundo o IBGE, oito dos nove grupos de produtos e serviços pesquisado avançaram em fevereiro na comparação com o mês anterior. Com exceção de Vestuário, cujos preços recuaram 0,05% depois da alta de 0,42% em janeiro.

Reajuste das mensalidades

O maior impacto na prévia da inflação partiu dos gastos com educação – que responderam por quase metade do índice – com avanço de 6,41%.

Os preços do segundo mês do ano são sempre pressionados por esses gastos diante dos reajustes típicos das mensalidades de cursos regulares – que avançaram 7,64%. No entanto, o aumento escalou ao maior patamar desde o início da série histórica há três anos.

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As maiores contribuições para a alta em fevereiro vieram do ensino médio (10,29%), fundamental (10,04%), pré-escola (9,58%) e da creche (7,28%). Ensino superior (5,33%), curso técnico (4,50%) e pós-graduação (3,47%) também registraram altas.

“Embora a magnitude desse indicador inflacionário seja bastante elevada e assuste no primeiro momento, precisamos lembrar que boa parte dessa inflação acontece apenas uma vez. Os 0,37 pontos percentuais de toda essa inflação, é exclusivamente creditado a esse grupo de educação. Se nós excluíssemos da conta, teríamos uma inflação de 0,39%”, explica a economista-chefe da CM Capital, Carla Argenta.

Reajuste nos aluguéis

O segundo maior impacto no IPCA-15 de fevereiro veio do grupo habitação – que avançou 0,63% – puxado pelo reajuste de 0,89% no aluguel residencial e 0,62% nos condomínios.            

A taxa de água e esgoto subiu 1,32% diante dos reajustes aplicados em Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza e Salvador. Também houve altas regionais no gás encanado (1,50%) e nas tarifas de energia elétrica (0,35%).

Inflação dos alimentos desacelera

O preço dos alimentos avançou 0,39%, mas perdeu ritmo na comparação com a alta de 0,55% em janeiro. A melhora se deu com a queda nos preços da cebola (-19,11%), do tomate (-4,56%), do frango em pedaços (-1,98%) e das carnes (-0,87%).

Pelo lado das altas, destaque para a cenoura (24,25%), hortaliças e verduras (8,71%), leite longa vida (3,63%), arroz (2,75%) e frutas (2,33%). O consumo em casa ficou 0,38% mais caro, os lanches subiram 0,78% e a refeição leve alta de 0,16%.

Preço dos combustíveis caem

Todos os combustíveis tiveram queda de preços em fevereiro, segundo a prévia da inflação do IBGE, com recuo médio de 0,28%. O etanol caiu 1,65% e foi seguido pelo gás veicular (-1,59%), óleo diesel (-0,59%) e gasolina (-0,04%).

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O movimento contribuiu para a desaceleração do grupo transportes de 0,17% em janeiro para 0,08% em fevereiro. Pesou também a queda forte de 9,45% nos preços das passagens aéreas.            

Pelo lado das altas, avanço nos preços de emplacamento e licença (1,62%) – que incorporou a fração mensal referente ao IPVA de 2023.

Veja a variação de fevereiro de todos os grupos pesquisados pelo IPCA-15:

  • Educação: 6,41%
  • Comunicação: 0,78%
  • Artigos de residência: 0,71%
  • Despesas pessoais: 0,63%
  • Habitação: 0,63%
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,55%
  • Alimentação e bebidas: 0,39%
  • Transportes: 0,08%
  • Vestuário: -0,05%

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