Deixou o Imposto de Renda para a última hora? Veja o que não esquecer de declarar para evitar multa e malha fina
Contribuintes podem enviar uma declaração incompleta e retificar depois, além de acelerar o processo com a pré-preenchida ou importando dados do ano anterior; veja dicas
Por Katherine Rivas, especial para o Bora Investir
O temido prazo final para declarar o Imposto de Renda 2026 chegou. Os contribuintes terão até as 23h59 desta sexta-feira (29) para acertar as contas com a Receita Federal. O Fisco espera receber 44 milhões de declarações, mas até às 09h12, dados do órgão mostram que somente 40.274.217 prestaram contas ao Leão.
Deste total de envios, 59,7% utilizaram a declaração pré-preenchida. A Receita aponta que 57,9% dos contribuintes terão imposto a restituir e 22,7% deverão pagar tributos.
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Nesta reta final, especialistas alertam que o foco deve estar menos nos detalhes e mais nas informações consideradas essenciais para evitar multa, inconsistências e até a malha fina.
Para João Batista dos Santos, sócio da JS Contábil, o foco do contribuinte deve estar em reunir os informes de rendimentos e preencher corretamente as fichas que mais impactam no cruzamento de dados da Receita Federal. Estas incluem, informes bancários e de investimentos, rendimentos tributáveis, bens e direitos, despesas dedutíveis, dívidas e dependentes.
“Na correria, o maior risco é deixar de informar rendimentos que a Receita já conhece via DIRF, e-Financeira, DMED e DIMOB”, afirma Santos.
Vanderlei Goulart, CEO da Meta Contabilidade, destaca que os rendimentos tributáveis e as deduções, como gastos médicos e educação, devem ser tratados como prioridade máxima, já que impactam diretamente no valor do imposto a pagar ou da restituição.
“Nos últimos dias, não se deve atentar para detalhes e sim nos grandes valores, como rendimentos, despesas e saldos do patrimônio”, aconselha Goulart.
Se você está correndo contra o relógio, o Bora Investir traz dicas para conseguir enviar a sua declaração e não cometer erros que te levem para a malha fina.
Multa para quem perdeu o prazo de declarar
Os especialistas consultados pelo Bora Investir alertam que mesmo contribuintes que não têm imposto a pagar podem ser penalizados apenas pelo envio da declaração em atraso. O contribuinte que não conseguir entregar a declaração até 23h59 desta sexta-feira (29) estará sujeito a uma multa mínima de R$ 165,74, mesmo que não tenha imposto a pagar.
A multa por atraso estipulada pela Receita é de 1% ao mês-calendário sobre o valor do tributo, limitada a 20% sobre o imposto devido. Além disso, quem tem imposto a pagar sofre incidência de juros pela taxa Selic.
Entregar a declaração incompleta seria uma saída?
Uma famosa gambiarra utilizada por alguns contribuintes é enviar a declaração incompleta dentro do prazo, ou seja faltando informações secundárias, e depois fazer a retificação. Isso facilita para não ter que arcar com a multa por atraso.
“Mesmo que não tenha todas as informações, é mais conveniente até para escapar da multa mínima”, diz Goulart.
Santos ressalta, porém, que a retificação pode atrasar a restituição. “Toda vez que a declaração é retificada, ela volta para o fim da fila da restituição”, diz.
Contudo, os especialistas concordam que na reta final o mais importante é garantir o envio de uma versão minimamente consistente da declaração, sem omitir rendimentos ou patrimônio. Deixando assim eventuais ajustes para serem feitos pela declaração retificadora.
O CEO da Meta Contabilidade aconselha que a correção de declaração seja feita o mais rápido possível após o envio inicial. Segundo ele, o ideal é não demorar mais do que 15 dias para retificar e atualizar as informações incorretas ou incompletas, reduzindo o risco de cair na malha fina.
Não deixe de declarar estes itens
Há algumas informações que não podem ser omitidas mesmo na reta final, porque já são informadas à Receita por terceiros, elevando o risco de malha fina. Os especialistas destacam: informes bancários e investimentos, rendimentos de trabalho, aposentadoria e aluguel, compra e venda de imóveis, dependentes e rendimentos dos dependentes, saldos de contas e aplicações financeiras.
Para Goulart, os rendimentos são informações muito relevantes e necessárias. Santos cita que despesas dedutíveis podem até ser informadas posteriormente, mas o contribuinte nunca pode esquecer de declarar receitas ou patrimônio.
Se o contribuinte não informar estes dados, o cruzamento com as informações enviadas por bancos, empresas, corretoras, imobiliárias e hospitais pode gerar divergência, aumentando o risco de malha fina.
Os especialistas consultados pelo Bora Investir também aconselham ter um olhar atento para revisar os dados antes de enviar, principalmente porque com o prazo apertado a chance de erro pode ser maior.
Santos elenca que dados bancários para restituição, CPF de dependentes, despesas médicas, operações em bolsa e criptoativos são alguns itens que precisam de uma dupla checagem, além de imóveis financiados e ganho de capital.
“Despesas médicas merecem atenção especial porque estão entre os principais motivos de malha fina no Brasil”, diz.
Outro ponto importante, segundo os especialistas, é verificar se a evolução patrimonial faz sentido com a renda declarada, já que inconsistências podem chamar a atenção da Receita. “Os rendimentos recebidos pelo contribuinte devem suportar esta evolução”, destaca Goulart.
Declaração pré-preenchida ou importar a do ano anterior?
Para quem está contra o relógio, os especialistas aconselham usar a declaração pré-preenchida para ganhar tempo, porque reduz erros de digitação e já importa as informações enviadas por fontes pagadoras. Mas vale lembrar que a conferência dos dados é necessária e responsabilidade do contribuinte.
Goulart acredita que a pré-preenchida pode acelerar o processo de declaração, mas considera que investidores que precisam informar dados mais complexos, por exemplo possuem ações ou várias contas bancárias, podem acabar tendo um tempo maior para conferir os dados, porque muitos deles não aparecem automaticamente.
Outra alternativa é importar a declaração do ano anterior, que auxilia bastante para patrimônio e dados cadastrais. Segundo Santos, o contribuinte evita retrabalho ao declarar bens e direitos, dívidas, dependentes, endereços e contas bancárias.
“Mas o contribuinte precisa atualizar os saldos e incluir movimentações ocorridas em 2025”, aponta. Isso porque muita gente esquece de ajustar a evolução patrimonial, financiamentos quitados, venda de bens ou novos investimentos.
Goulart discorda da visão de Santos e acredita que importar a declaração do ano anterior torna o processo mais lento, porque o contribuinte precisará atualizar informações bancárias, fontes pagadoras e despesas.
Santos também alerta que importar a declaração do ano anterior pode gerar erros comuns entre contribuintes. Muitos deles esquecem de atualizar saldos bancários, aplicações financeiras, compra e venda de bens, financiamentos, operações em bolsa ou criptoativos e até mesmo contas no exterior.
Vínculo e idade dos dependentes também costumam gerar conflitos. Os especialistas citam ainda as despesas médicas e com educação, que muitas vezes não são atualizadas para os valores efetivamente pagos pelo contribuinte.
Tenha em mãos estes documentos
Para quem está no zero, os especialistas recomendam reunir alguns documentos para acelerar o preenchimento de última hora, como CPF, conta do Gov.br, informes de rendimentos, informes bancários, documentos enviados por corretoras, recibos médicos, comprovantes de educação, dados de bens e imóveis, contratos de financiamento e dados bancários para receber a restituição.
Investidores de bolsa ou criptomoedas também devem reunir as notas de corretagem, informes e relatórios auxiliares.
Fique de olho nestas fichas
Santos, da JS Contábil, aconselha seguir uma ordem específica de preenchimento, para reduzir o risco de esquecer informações essenciais. Veja abaixo
- Identificação do contribuinte;
- Dependentes;
- Rendimentos tributáveis;
- Rendimentos isentos;
- Bens e direitos;
- Dívidas e ônus;
- Pagamentos efetuados;
- Renda variável;
- Revisão das pendências;
- Escolha entre desconto simplificado ou deduções legais.
Vale lembrar que caso tenha imposto a pagar, o contribuinte pode optar no final pelo parcelamento em até oito parcelas.
Site, aplicativo ou Programa Gerador da Declaração?
Outra dúvida comum é qual é a melhor alternativa para fazer a declaração na reta final. Santos afirma que o site ou aplicativo Meu Imposto de Renda tende a ser mais rápido e intuitivo, especialmente com o uso da pré-preenchida.
Já o Programa Gerador da Declaração (PGD), segundo ele, continua mais indicado para casos complexos, como investimentos, operações em bolsa, criptoativos, atividade rural e múltiplas fontes de renda, além do envio de declarações retificadoras detalhadas.
Os especialistas reforçam que, mesmo após o envio, os documentos que comprovam as informações declaradas devem ser guardados por pelo menos cinco anos, prazo e que a Receita pode solicitar esclarecimentos.
Não enviou a declaração ainda? Veja 5 perguntas e respostas sobre o que fazer
1. O que deve ser prioridade para quem deixou o IR para a última hora?
Especialistas recomendam focar nos rendimentos tributáveis, informes bancários, investimentos, bens e despesas dedutíveis, como gastos médicos e educação. O principal é evitar omitir informações que a Receita já recebe de terceiros.
2. Quem perder o prazo da declaração paga multa?
Sim. O contribuinte que entregar após as 23h59 desta sexta-feira (29) está sujeito à multa mínima de R$ 165,74, mesmo sem imposto a pagar. A penalidade é de 1% ao mês-calendário sobre o valor do imposto devido, limitada a 20%. Além disso, o valor do imposto será atualizado pelos juros da taxa Selic.
3. Vale a pena enviar a declaração incompleta e corrigir depois?
Segundo especialistas, pode ser uma alternativa para evitar multa por atraso. A recomendação é enviar uma versão minimamente consistente e depois fazer uma declaração retificadora para ajustar informações faltantes.
4. Quais informações nunca devem ser omitidas?
Rendimentos de trabalho, aposentadoria, aluguel, investimentos, imóveis, contas bancárias, dependentes e aplicações financeiras estão entre os principais dados que precisam ser declarados para evitar malha fina.
5. O que é melhor na reta final: pré-preenchida ou importar a declaração antiga?
A pré-preenchida costuma acelerar o processo porque já traz informações enviadas por empresas e bancos. Já importar a declaração do ano anterior ajuda principalmente em bens, direitos e dados cadastrais, mas exige atualização das informações.