Imposto de renda

IR: é melhor entregar a declaração no começo ou no fim do prazo?

Quem entrega a declaração mais cedo também recebe a restituição mais cedo

Leão, figura representativa do Imposto de Renda
A restituição do Imposto de Renda é a devolução de uma parcela do imposto pago a mais pelo contribuinte durante o ano

Começou a temporada de envio da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física 2024 e contribuintes de todo o País correm para reunir seus informes de rendimentos e recibos médicos e de gastos com educação na tentativa de aumentar a restituição a receber neste ano. Mas quem deixa para entregar a declaração no fim do prazo pode ter uma vantagem: o valor da restituição é corrigido pela Selic. Ou seja, quanto mais tempo demora para a restituição ser paga, mais rende o dinheiro. O Bora Investir conversou com especialistas para entender se vale a pena a espera.

Prioridades no recebimento da restituição

Na regra geral, quem entrega a declaração de imposto de renda antes recebe a restituição antes. Mas há algumas prioridades no recebimento. Para 2024, a fila das prioridades segue a seguinte sequência:

– Contribuintes com idade igual ou superior a 80 anos;

– Contribuintes com idade igual ou superior a 60 anos, deficientes e portadores de moléstia grave;

– Contribuinte cuja maior fonte de renda seja o magistério;

– Contribuintes que utilizaram a pré-preenchida e/ou optaram por receber a restituição por Pix.

Como é corrigido o valor?

“A Receita Federal tem datas predefinidas para fazer a restituição, e conforme vão passando os meses, os valores vão sendo atualizados pela Selic”, explica Gabriela Torezzi, diretora executiva de Ribeirão Preto da NTW Contabilidade.

Valdir Amorim, coordenador técnico jurídico e tributário da IOB, lembra, no entanto, que a Selic está em 11,25% ao ano, mas a perspectiva é de que a taxa seja reduzida ao longo do ano. De acordo com o mais recente Boletim Focus, a estimativa do mercado é de que a taxa seja de 9,00% ao final deste ano.

“Outro detalhe é em relação ao fisco. Uma vez o lote encaminhado ao banco, o valor da restituição não sofrerá atualizações, independentemente da data em que a restituição for recebida”, lembra Amorim.

Quando vale a pena correr para entregar a declaração?

“Isso pode ou não fazer sentido. Especialmente se a pessoa tem o perfil de gastar se está com dinheiro na mão, pode fazer sentido ter essa ‘poupança forçada’”, explica Alex Nery, professor da FIA Business School. “Fora dessa realidade, acho que faz pouco sentido”, diz.

Isso porque, segundo o professor, não é incomum encontrar títulos como CDBs de bancos médios que ofereçam rentabilidade acima de 100% do CDI. “Como o CDI tem uma correlação muito próxima com a Selic, uma taxa como 110% do CDI vai render mais do que 100% da Selic”, diz o professor.

Além disso, quem receber a restituição antes tem como vantagem ter liquidez.

Compensa investir mesmo com a tributação sobre o rendimento?

Os rendimentos de títulos de renda fixa como os CDBs são tributados pela tabela regressiva do IR, o que significa que a rentabilidade líquida é menor do que a anunciada nas plataformas de investimento. Mesmo assim, Alex Nery diz que em geral, o investimento compensa. “Além disso, mesmo que a rentabilidade empate, a vantagem é que você tem liquidez, tem dinheiro na mão para gastar em alguma oportunidade”, diz.

E para pagar as dívidas?

Acelerar a entrega da declaração com o objetivo de receber mais cedo e usar o dinheiro para pagar as dívidas também é uma boa ideia. “As dívidas, em geral, são mais caras do que a Selic”, diz Nery.

Como saber o quanto vou receber de restituição?

Enquanto o contribuinte preenche a declaração de imposto de renda, o próprio programa da Receita Federal informa, no canto inferior esquerdo da tela, o valor a restituir ou o imposto a pagar. Vale dizer que essa é apenas uma simulação, e o fisco ainda pode contestar parte das informações declaradas.

Há também uma calculadora que permite fazer uma simulação antes mesmo de baixar o programa.

Qual o calendário da restituição do IR?

De acordo com a Receita Federal, o pagamento das restituições vai acontecer em cinco lotes:

– Primeiro lote: em 31 de maio;

– Segundo lote: 28 de junho;

– Terceiro lote: 31 de julho;

– Quarto lote: 30 de agosto; e

– Quinto e último lote: 30 de setembro.

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