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Inflação desacelera nos EUA, mas tendência ainda é de alta nos preços

Avanço dos preços ao consumidor perde ritmo em fevereiro, mas núcleo da inflação sobe ao maior patamar em cinco meses - o que pressiona política monetária de Fed

Dólar. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
A inflação tem se mostrado resistente ante a alta das taxas de juros promovidas pelo Fed. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Por Redação B3 Bora Investir

Os preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos tiveram uma leve desaceleração em fevereiro na comparação com o mês anterior, segundo divulgou nesta terça-feira, 14/03, o Departamento do Trabalho do país.

A inflação avançou 0,4% – valor um pouco menor que em janeiro (0,5%) – e veio em linha com a previsão dos analistas. Em 12 meses, o CPI americano subiu 6%, uma perda de ritmo ante os 6,4% de aumento no mês anterior.

O núcleo do indicador – que exclui preços de itens mais voláteis como energia e alimentos – aumentou 0,5% em fevereiro e 5,5% em relação ao ano anterior. Essa resultado representa o maior valor em cinco meses e indica uma tendência de alta para a inflação nos próximos meses.

O estrategista da RB Investimentos, Gustavo Cruz, afirma que o avanço dos custos com moradia (0,8%) explica a pressão da inflação no mês passado. No entanto, ele acredita que o item deve perder ritmo nos próximos meses. “O que chama atenção ainda é moradia, que representa cerca de 30% do índice. Se a gente cruzar com os dados de atividade, os próximos meses devem ser desse item desaquecendo”.

Apesar dos resultados apresentarem uma desaceleração em todas as comparações, os números ainda reafirmam que a inflação tem se mostrado resistente a alta das taxas de juros promovidas pelo Federal Reserve (Fed).

“Ainda temos uma inflação, que se tira preços mais voláteis fica bem distante da meta de 2% – o que deixa um caminho ainda bem complicado para a convergência da meta”, explica o economista.             Para Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, o desafio agora para o banco central americano é como domar a inflação diante dos riscos de instabilidade financeira com a quebra dos bancos Silicon Valley Bank e Signature Bank.

“A situação para o Fed é complicada, mas ainda é cedo para compreender a real dimensão dos problemas envolvendo o SVB sobre o sistema financeiro norte-americano. Ao mesmo tempo, a batalha contra a inflação continua e não acreditamos que seja o momento para afrouxar o discurso”.

Na semana passada, o presidente do Fed, Jerome Powell, havia aberto a porta para reacelerar o ritmo dos aumentos das taxas no país.

“Se na semana passada o presidente do FED vai ao Congresso e fala que é necessário subir 0,5 ponto percentual, é bem em linha com o que ele estava enxergando de inflação e de mercado de trabalho. Porém, esse evento fora desses indicadores, ele está influenciando muito expectativa e pode provocar uma distorção, uma decisão precipitada”, explica o estrategista da RB Investimentos

No entanto, várias casas de análise apostam que o BC americano pode desacelerar a alta do aperto monetário para 0,25 ponto percentual ou até fazer uma pausa na reunião da semana que vem.

“Apesar dos episódios recentes terem gerado um questionamento sobre o ciclo de alta de juros, a nossa expectativa é de 0,25 ponto percentual para a reunião do FOMC. A autoridade monetária deve seguir com parcimônia, entender a evolução da economia daqui para frente e tomar suas decisões a cada reunião”, conclui o economista-chefe da Suno Research.

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