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Juros bancários recuam para menor patamar de 2023; inadimplência cai

Taxas médias caíram em outubro pelo 5º mês seguido, em meio a redução da Selic pelo Banco Central. Juros rotativos do cartão de crédito desaceleram, mas seguem em 431,6%

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Por Redação B3 Bora Investir

O afrouxamento monetário brasileiro voltou a impactar de forma positiva as taxas de juros cobradas pelos bancos nos mais diversos meios de concessão de crédito. Com valores mais baixos, a inadimplência seguiu em desaceleração.

Em outubro, a taxa média de juros exigida na concessão de empréstimos para pessoas físicas e empresas caiu para 42,2% ao ano, ante 43,3% no mês anterior, conforme publicou nesta terça-feira, 05/12, o Banco Central.

Essa foi a 5ª queda seguida do juro médio, o que levou a taxa ao menor patamar desde dezembro de 2022. A melhora reflete os cortes nos juros básicos, que estão em 12,25% ao ano. Com a Selic menor, o custo para bancos captarem recursos fica mais baixo.

As taxas de juros médias cobradas nas operações de forma separada ficaram:

  • Empresas: estável em 22,8% ao ano em outubro, maior nível desde julho;
  • Pessoa física: juros caíram para 55,4% ao ano em outubro, frente 57,3% no mês anterior, menor patamar desde setembro.

Juros do rotativo: 431,6% ao ano

Os juros cobrados nas operações com cartão de crédito rotativo recuaram para 431,6% ao ano em outubro, ante 441,1% ao ano no mês anterior. É o menor nível desde fevereiro (420,4%). Essa é a modalidade de crédito mais cara do país.

O cliente entra no rotativo quando não paga o valor total da fatura e joga a dívida para o mês seguinte. Se após 30 dias o restante da fatura não for quitado, as instituições financeiras precisam oferecer uma outra opção de parcelamento, com juros mais baratos.

Em outubro, o Senado aprovou um projeto que estabeleceu o prazo de 90 dias para os bancos apresentarem uma proposta de redução dos juros do rotativo Conselho Monetário Nacional. Caso nada seja feito, os juros serão estabelecidos em no máximo 100% do valor do principal da dívida.

Juros no parcelado do cartão sobe e do cheque especial cai

O mercado já oferece uma opção de parcelamento da fatura do cartão de crédito. Os juros dessa linha precisam estar abaixo do cobrado no rotativo, mas ainda assim são altíssimos.

Em outubro, a taxa do parcelado do cartão ficou em 195,6%, acima dos 193,8% praticados no mês anterior.

No cheque especial, a taxa de juros cobrada caiu para 126,6% ao ano, ante 133,9% ao ano – menor nível desde janeiro de 2022.

Endividamento e inadimplência caem

O endividamento das famílias ficou em 47,7% da renda nos doze meses até setembro, ante 48% no mesmo período terminado em agosto. Esse é o nível mais baixo desde setembro de 2021.

A inadimplência registrada pelos bancos caiu de 3,5% em setembro para 3,4% em outubro – menor nível desde março de 2023.

Concessões de crédito direcionado avançam

O volume total do crédito bancário no mercado caiu 0,3% em outubro em relação ao mês anterior. Para as pessoas físicas, houve alta de 0,2% na mesma base de comparação, enquanto para as pessoas jurídicas foi registrada queda de 1,4%.

Para o diretor de Economia, Regulação e Riscos da Febraban, Rubens Sardenberg, a trajetória de desaceleração na concessão de crédito deve continuar, apesar de ainda estar em alta no acumulado do ano. “Devemos esse movimento a fatores que se acumulam ao longo dos meses, como a taxa básica de juros ainda em níveis elevados, alta inadimplência e endividamento e comprometimento de renda das famílias”, explica.

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