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Lucro dos três maiores bancos privados do Brasil cai sob pressão da inadimplência

No primeiro semestre, os ganhos de Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil caíram 4,9%, para R$ 30,374 bilhões

Carteira cheia de dinheiro. Foto: Adobe Stock
Saiba como a possível mudança no JCP pode afetar investidores Foto: Adobe Stock

Os três maiores bancos privados do País lucraram R$ 15,569 bilhões no segundo trimestre deste ano, o que representa uma queda de 17,2% em relação ao mesmo período de 2022. No primeiro semestre, os ganhos de Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil caíram 4,9%, para R$ 30,374 bilhões, de acordo com dados compilados pela Agência Estado.

Enquanto o mercado financeiro pondera que a queda dos juros deve trazer um alívio aos índices de inadimplência à frente, os balanços dos três bancos mostraram que o caminho ainda é longo. Houve estabilização em alguns segmentos, mas as instituições financeiras ainda tiveram de “pagar a conta” por concessões de crédito realizadas até o ano passado.

No trimestre, a entrada de créditos em atraso nos três bancos somou R$ 30,1 bilhões, volume 17,1% maior que o do mesmo período do ano passado. O indicador é utilizado por analistas para entender o comportamento da carteira de crédito dos bancos, e também as potenciais variações das provisões contra calotes nos trimestres seguintes.

O número indica que, apesar de arrefecer, a inadimplência dos bancos ainda continua mostrando os sinais da alta da Selic e também da inflação no ano passado. Mesmo diante de uma inflação foi contida, a taxa de juros começou a cair apenas na semana passada, quando foi cortada em 0,5 ponto porcentual, para 13,25% ao ano.

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O presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Junior, disse que a maior parte da despesa do banco com provisões no trimestre foi associada a operações de crédito concedidas até o ano passado. “A criação de PDD no segundo trimestre ainda reflete o efeito de safras antigas”, afirmou ele, em coletiva de imprensa.

Em um ponto do ciclo mais adiantado que o rival, o Santander também aposta na melhor qualidade dos empréstimos mais recentes para melhorar o lucro nos próximos trimestres. “O custo de crédito tem um viés de continuar melhorando o lucro ao longo do ano”, afirmou o CEO do banco, Mario Leão.

Tanto o Bradesco quanto o Santander têm apresentado retorno sobre o patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês) abaixo dos 20% desde o ano passado, mesmo quando descontado o efeito do caso Americanas, que afetou os balanços de todos os grandes bancos no quarto trimestre. Já o Itaú, mais exposto a clientes de renda mais elevada, tem sustentado rentabilidade acima de 20%.

Pico da inadimplência no Brasil já passou

Na divulgação dos resultados do primeiro trimestre, o Itaú disse a jornalistas e aos analistas de mercado que não esperava grandes variações nos índices de inadimplência nos trimestres seguintes. Já os resultados do 2º trimestre, que o banco divulgou nesta segunda-feira, os atrasos acima de 90 dias chegaram a 3% da carteira do banco, contra 2,9% no anterior.

“Iniciamos a segunda metade do ano otimistas com as perspectivas para o futuro, decorrentes da consolidação da agenda monetária e fiscal, que deverá promover uma retomada mais robusta da atividade econômica no País”, disse o presidente do Itaú, Milton Maluhy, em nota à imprensa.

Nos casos de Bradesco e Santander, também houve altas: no banco da Cidade de Deus, o crescimento em um trimestre foi de 0,8 ponto porcentual, para 5,9%. No Santander, a alta também foi de 0,1 ponto, para 3,3%.

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Os dois bancos afirmaram que os números de atrasos do segundo trimestre parecem sinalizar que o pior ficou para trás. Entretanto, não descartaram novas altas da inadimplência à frente, ainda que em menor escala do que as vistas no último ano.

“O pico da geração de inadimplência já passou, baseado no contexto macro que estamos vivendo”, disse Mario Leão, do Santander. Segundo ele, o banco tem visto sinais positivos, em especial na inadimplência antecedente, de 15 a 90 dias, que caiu de 4,5% para 4,2% no trimestre.

Lazari, do Bradesco, também mostrou cautela com os números da inadimplência à frente. Segundo ele, as carteiras mais antigas têm mostrado comportamento negativo, em linha com o que o banco esperava, mas as mais recentes têm apresentado maior resiliência. “Até por prudência, é difícil dizer que atingimos um pico, mas estamos bem próximos dele ou já o atingimos”, afirmou.

*Informações da Agência Estado

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