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Copom: Banco Central reduz Selic em 0,5 ponto, para 13,25%

É a primeira vez que o colegiado altera a taxa desde agosto de 2022. Decisão atendeu às expectativas de parte dos analistas do mercado financeiro

Reunião do Copom, no BC: redução da taxa de juros

Por Guilherme Naldis

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu cortar a Selic, a taxa básica de juros do Brasil, em 0,50 ponto porcentual na reunião encerrada nesta quarta-feira, 02/08. Agora, a taxa dos juros básicos do país está em 13,25% ao ano. 

É a primeira vez que o colegiado altera a taxa desde agosto de 2022. Foram sete manutenções consecutivas dos juros, que permaneceu no patamar de 13,75% por quase um ano. 

A decisão atendeu às expectativas de uma parte do mercado. Os analistas já previam um corte neste encontro, mas se dividiu quanto à magnitude do afrouxamento monetário. Na última edição da pesquisa Focus do Banco Central, o mercado financeiro manteve a projeção de que 2023 deve encerrar com uma Selic a 12%.

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O Comitê se dividiu quanto ao nível de afrouxamento, e o placar final foi 5 a 4.

Votaram por uma redução de 0,50 ponto percentual Roberto de Oliveira Campos Neto, Ailton de Aquino Santos, Carolina de Assis Barros, Gabriel Muricca Galípolo e Otávio Ribeiro Damaso. 

Já Diogo Abry Guillen, Fernanda Magalhães Rumenos Guardado, Maurício Costa de Moura e Renato Dias de Brito Gomes preferiam uma redução de 0,25 ponto porcentual.

Para o economista André Perfeito, apesar do placar rachado, Roberto Campos Neto e Galípolo votaram juntos pelo corte de 50 pontos base. O movimento sinaliza que a taxa deve permanecer no campo contracionista para ancorar as expectativas, evita conflitos internos na condução da política monetária e aliviar pressões sobre o BC.

Leia a íntegra do comunicado.

Por que a taxa Selic caiu?

Segundo o comunicado, entre os motivos que levaram o Comitê a tomar a decisão do corte está a melhora do quadro inflacionário, aliada à queda das expectativas de inflação para prazos mais longos, após decisão recente do Conselho Monetário Nacional sobre a meta para a inflação.

Além disso, os principais pontos de preocupação foram retirados do cenário, como o cenário fiscal. Mas a inflação menor que o esperado foi a principal motivo para a queda mais abrupta, diz Vinicius Romano, head de renda fixa da Suno Research.

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Para Daniel Wainstein, sócio sênior da Seneca Evercore e ex-presidente do Goldman Sachs no Brasil, além de não existir mais uma clara pressão inflacionária, o risco-Brasil caiu pela metade desde 31 de outubro de 2022, em meio às eleições. Neste cenário, ele considera que os juros reais de 10% sobre inflação esperada era demasiado.

As expectativas de inflação para 2023, 2024 e 2025, apuradas pela pesquisa Focus, recuaram e encontram-se em torno de 4,8%, 3,9% e 3,5%, respectivamente. Já as projeções de inflação do Copom em seu cenário de referência situam-se em 4,9% em 2023, 3,4% em 2024 e 3% em 2025.

Preocupação com cenário externo

Para Sávio Barbosa, economista-chefe da Kínitro Capital, o Banco Central está calibrando as metas ambiciosas de inflação com a expectativa de desaceleração global.

Na visão do economista, o BC não apresentou nenhuma mudança no balanço de riscos para a taxa de aumento de preços, que segue equilibrado. “A única mudança foi o tom da mensagem quanto ao exterior e a inflação e os juros dos EUA e da Europa. Não é mais uma mensagem dramática, mas só de preocupação com o exterior”.

Próximos passos

Caso seja confirmado o cenário esperado, os membros do Comitê, unanimemente, anteveem nas próximas reuniões redução dos juros da mesma magnitude que a desta quarta-feira, 2/8. Os membros do Comitê avaliam que esse é o ritmo apropriado para manter a política monetária contracionista necessária para o processo desinflacionário, afirmaram, em comunicado.

Adriana Dupita, economista sênior para Brasil e Argentina na Bloomberg Economics, espera cortes de meio ponto em cada um dos três encontros restantes este ano.

O economista André Perfeito acredita que o corte sinaliza um “tiro curto”, ou seja, que o afrouxamento final da Selic deve ser maior do que o mercado espera. Na sua opinião, o movimento sugere que o ciclo se encerra já no começo do ano que vem. “O mercado deve revisar a Selic para o fim de 2023 em 11,75%, em linha com as nossas projeções”.

André Meirelles, diretor de Alocação e Distribuição da InvestSmart XP aponta que a persistência da inflação global e a inflação doméstica de serviços poderiam levar o comitê a ponderar uma queda menor e desaceleração da atividade global mais acentuada, enquanto surpresas baixistas na trajetória de inflação poderiam levar o comitê a pensar em acelerar a queda, para 0,75%.

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