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Mercadante toma posse como presidente do BNDES

Novo presidente defendeu um projeto para estimular o financiamento de exportações brasileiras, e que é preciso rever a taxa de juros usada pelo banco

Aloizio Mercadante. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Durante o seu discurso, Mercadante defendeu o aumento das exportações através de um novo projeto. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Por Redação B3 Bora Investir

O ex-ministro Aloizio Mercadante tomou posse como presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) na sede da instituição, no Rio de Janeiro, nesta segunda-feira, 06/02.

Durante o seu longo discurso, Mercadante defendeu o aumento das exportações através de um projeto que pretende criar um Eximbank. Esse tipo de instituição foca em soluções para empresas locais que desejam comercializar seus produtos com outros países.

O novo presidente do BNDES afirmou ainda que é fundamental para a economia brasileira entrar no mercado de produtos industriais de alto valor agregado. Disse também que o banco de desenvolvimento tem que ter uma visão estratégica de longo prazo que não contemple apenas o setor agrícola.

“O Brasil é um dos principais exportadores de produtos agrícolas, mas os produtos de alto valor agregado também são importantes. O Brasil não pode ser só a fazenda do mundo. Produtos industriais de alto valor agregado são essenciais para o desenvolvimento do país. Essa é uma pauta fundamental para o futuro do BNDES, precisamos ganhar escala e integrar as cadeias de valor”, afirmou.

Revisão da TLP

Mercadante também afirmou que é preciso rever a Taxa de Longo Prazo (TLP) – usada pelo banco para fazer financiamentos – tornando-a mais competitiva principalmente para pequenas e médias empresas. No entanto, ele não detalhou qual mudança seria implementada.

“Atualmente, a TLP apresenta enorme volatilidade e tem custo acima da dívida pública federal, o que prejudica micro e pequenas empresas. (…) Não queremos e não estamos reivindicando o padrão de subsídios do orçamento como ocorreu no passado, mas uma taxa de juros mais competitiva especialmente para micro e pequenas empresas”, disse Mercadante.

Economia verde e igualdade

O presidente do BNDES, ao saldar a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, afirmou que mulheres e negros “farão parte da história do BNDES”. Mercadante disse ainda que agenda de enfrentamento da desigualdade racial, com linhas de crédito que empoderem mulheres e negros, está no radar do banco de fomento.

Em relação à economia de baixo carbono, Aloizio Mercadante, disse que essa questão será um imperativo para o banco. Afirmou que o BNDES será “verde, inclusivo, tecnológico, digital e industrializante”.

“Estamos perto de uma catástrofe ambiental sem retorno e tragédia social em toda parte. (…) O BNDES precisa apoiar a transição para a economia de baixo carbono e ajudar a construir cidades do futuro. Não existirá futuro sem preservar a Amazônia e outros biomas.”

Lula defende operações do BNDES no exterior

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), também participou da posse de Mercadante. Em discurso, ele defendeu as operações do BNDES no exterior. Disse que os financiamentos e investimentos em outras nações durante os seus primeiros governos não eram meros empréstimos, mas davam retorno ao Brasil.

“O banco financiou serviços de engenharia de empresas brasileiras em 15 países da América Latina e do Caribe. Essas operações deram lucro e geraram empregos. (…) Os países que não pagaram, seja Cuba ou Venezuela, é porque o presidente [Jair Bolsonaro] resolveu cortar relações internacionais para não cobrar. No nosso governo, eu tenho certeza de que irão pagar.”

O presidente classificou como prioridade da nova gestão o investimento e financiamento de micro e pequenas empresas. Para Lula, a medida dará “um salto de qualidade na produção e no crescimento econômico do país”.

Lula volta a criticar Selic alta

Durante o discurso, Lula voltou a criticar a taxa básica de juros à 13,75% a.a. Na semana passada, o Comitê de Política Monetária manteve a Selic nesse patamar. No comunicado após a decisão o Copom subiu o tom contra os riscos fiscais e possíveis mudanças na meta de inflação, defendidas por Lula.

“O problema não é o Banco Central independente ou ligado ao governo. O problema é que o Brasil tem uma cultura de juros altos. (…) É uma vergonha esse aumento de juros e a explicação que o Copom dá para a sociedade”.

Nesta segunda-feira, o mercado financeiro elevou as estimativas para Selic em 2024 e 2025 e também da inflação – impacto de questionamentos do presidente Lula sobre a autonomia do BC e as metas de inflação.

Além de Lula, participaram da cerimônia o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), e ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio; o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD); o governador Cláudio Castro (PL); a ex-presidente Dilma Rousseff (PT); e a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja.

Também compareceram ministros de Estado, senadores, governadores e o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates.

Perfil – Aloizio Mercadante

O novo presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, tem 68 anos e nasceu em Santos, no litoral paulista. Formado em economia pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre pela Universidade de Campinas (Unicamp), foi membro do movimento estudantil na década de 1970, foi um dos fundadores do PT, em 1980 e vice-presidente nacional e secretário de Relações Internacionais da sigla.

Em 1991, assumiu mandato de deputado federal pela primeira vez. Depois, em 94, foi vice-presidente na chapa de Lula, que acabou derrotada por Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Em 2002, foi eleito senador pelo estado de São Paulo.

Mercadante foi derrotada duas vezes ao concorrer ao governo de São Paulo em 2006 e 2010. Em 2011, no primeiro mandato de Dilma Rousseff na Presidência, assumiu o Ministério da Ciência e Tecnologia. Em seguida foi para o ministério da Educação (2012) e Casa Civil (2014). Em 2015, no segundo mandato de Dilma, voltou para o ministério da Educação.

Em 2020, assumiu a presidência da Fundação Perseu Abramo, entidade criada pelo PT para desenvolver projetos político-culturais.

O presidente do BNDES é um economista heterodoxo – com ideias e projetos voltados ao crescimento econômico por meio de investimentos públicos.

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