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Mercado financeiro: reação à ofensiva dos 3 Poderes aos ataques antidemocráticos

Ibovespa renova máxima a 109.237,66 pontos e sobe 0,25%; postura firme do governo federal é vista com bons olhos

Painel IBOVESPA mostra número negativo em destaque acompanhado sequência de outros números
As ações mais negociadas foram as ordinárias da Vale (VALE3) que subiram 1,53%.

Por Redação B3 Bora Investir

A segunda semana de janeiro começa agitada no Brasil. As reuniões de Lula com a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber (9h), e com governadores (18h) estão no foco das atenções após as ações de grupos radicais à democracia, ontem, em Brasília. Na Câmara, existe a expectativa de que Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados, organize hoje uma reunião de líderes da Casa. 

Na semana, dados de inflação e de atividade são destaques no país. No exterior, o presidente do Fed, Jerome Powell, ganha os holofotes amanhã, em evento do Banco Central da Suécia, enquanto o CPI americano sai na quinta.

Desdobramentos das ofensivas

Hoje, em meio aos desdobramentos das ofensivas da véspera à democracia, a Polícia Militar do Distrito Federal reforçou a tropa ostensiva em frente ao QG do Exército, depois da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que deu 24 horas para que acampamentos fossem encerrados. A concentração já havia começado a ser desfeita antes mesmo da ordem oficial, segundo o jornal Correio Braziliense desta manhã.

O número de presos subiu para 1,2 mil por participarem dos atos de vandalismo ontem em Brasília, segundo informações do Ministério da Justiça.

Às 11h50, os presidentes dos Três Poderes divulgaram nota conjunta repudiando os atos radicais que ocorreram em Brasília no dia anterior. “Os Poderes da República, defensores da democracia e da carta Constitucional de 1998, rejeitam os atos terroristas, de vandalismo, criminosos e golpistas que aconteceram na tarde de ontem em Brasília”, diz a nota.

O documento é assinado pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, pelo presidente do Senado em exercício, Veneziano Vital do Rêgo, pelo presidente da Câmara, Arthur Lira, e pela presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Rosa Weber.

Reflexo no Mercado 

O exterior positivo deve ser insuficiente para gerar otimismo nos ativos domésticos, principalmente na abertura, após os ataques à democracia ontem na praça dos Três Poderes. E a queda do principal fundo de índice (ETF, na sigla em inglês) brasileiro negociado em Nova York, o EWZ, de quase 2% no pré-mercado, já mostra isso. 

As ações de extremistas no Brasil foram comparadas às do Capitólio, nos Estados Unidos, em 2021 e criticadas por diversos líderes. As ações antidemocráticas de grupos radicais tendem a elevar o grau de insegurança com o País em um primeiro momento nos mercados ao induzir que investidores, especialmente estrangeiros, deixem de investir no Brasil. 

Porém, a desconfiança não deve gerar pânico, como afirmam os entrevistados pelo Broadcast, da Agência Estado. Isso porque eles avaliam com bons olhos a postura firme do governo federal, a indicação de união entre o Estado, entes regionais e a Suprema Corte, mesmo que isso possa ser um teste de governabilidade ao presidente Lula. 

A dúvida – e o que pode elevar o grau de estresse e volatilidade – é saber se o governo conseguirá conter de fato as ações. Por isso, os investidores vão monitorar com afinco os desdobramentos dos ataques de ontem na capital federal e as eventuais novas ações de Lula, que se reúne com a ministra Rosa Weber (STF) e governadores.

Reação das entidades empresariais

Entidades de classe de São Paulo e do Rio de Janeiro emitiram notas repudiando os atos de vandalismo.

O Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) afirmou que atos antidemocráticos contra os poderes constituídos da República, vandalismos e ataques ao patrimônio público agridem o estado de direito, e que o Brasil precisa de paz para produzir e voltar a crescer. Também a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), destacou que os atos são condenáveis e extrapolam os limites da democracia.

Punição exemplar é o que também exige a Confederação Nacional das Indústrias, enquanto a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), disse confiar na apuração e punição dos responsáveis pelos crimes praticados contra a decisão manifestada nas urnas pela sociedade brasileira.

EUA, França, Canadá e autoridades da União Europeia (UE) se posicionaram contra os atos. “A democracia está sob ataque, mas é mais forte que seus inimigos”, escreveu em sua conta no Twitter o comissário da União Europeia para Economia, Paolo Gentiloni.

Ibovespa agora

O Ibovespa caia 0,76% na mínima, a 108.134,33 pontos, logo após a abertura mas, às 10h42, reduziu o ritmo de queda, chegando até a testar alta leve, de 0,25%, na máxima aos 109.237,66 pontos, à medida que as ações ligadas a commodities tentam subir, na esteira do petróleo.

O dólar à vista ainda avança, mas um pouco distante da máxima diária, enquanto os juros futuros vão na mesma linha. Ações da Suzano, Klabin e Embraer sobem amparadas pela valorização do dólar.

Já os papeis da Petrobras estavam em alta de 0,85% (ON) e 0,34% (PN), às 11h27. O Ministério de Minas e Energia garantiu, por meio de nota, a normalidade no abastecimento de combustíveis.

*Com informações da Agência Estado

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