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IPCA: o que significa a deflação de julho?

Investidores precisam considerar que a alta de preços deve persistir na hora de decidir onde aplicar seu dinheiro

Bomba abastece carro em posto. de combustível
Combustíveis têm bastante peso na inflação. Foto: José Cruz/Agência Brasil

O mês de agosto trouxe ao noticiário econômico um fato que há muito tempo não se via no Brasil. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) no mês de julho ficou abaixo de zero (- 0,68%). Isso significa que houve uma redução dos preços em relação ao mês anterior, num  fenômeno também conhecido como deflação. Por trás da aparente trégua no indicador do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) está a redução dos preços dos combustíveis e da energia. 

A alta no setor de combustíveis só foi contida após o governo abrir mão de arrecadar uma parte do ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) cobrado das refinarias. Ou seja: os fatores que vêm causando a subida dos preços – como a falta de insumos na China, a guerra no leste europeu, o alto custo da matéria-prima e a valorização do dólar – continuam sem uma solução no curto prazo.

Apesar da trégua no mês de julho, não é de uma hora para outra que o Brasil vai virar a página da inflação. O IPCA acumulado em 2022 está em 4,77%, e, nos últimos 12 meses, em 10,07%. Por isso, a carteira dos investidores ainda deve refletir o cenário de inflação alta.

O que é o regime de metas de inflação?

Após a implantação do Plano Real, em 1994, que conseguiu controlar a hiperinflação que corroeu a economia do Brasil especialmente nos anos 1980, o país adotou em 1999 um regime de metas de inflação. É um conjunto de medidas para a estabilização dos preços.

Funciona assim: o Conselho Monetário Nacional (CMN) divulga, todo ano, uma meta para a inflação, medida pelo IPCA. A intenção é manter a alta de preços num patamar específico, dentro de uma faixa de 1,5 ponto porcentual para baixo (piso da meta) ou para cima (teto da meta). 

Se a inflação está subindo mais do que o esperado, o Comitê de Política Monetária (Copom) pode decidir aumentar a taxa Selic e conter o crédito e o consumo da economia. Se está muito abaixo do piso, pode reduzir os juros básicos. A autoridade monetária também pode realizar operações de compra e venda de títulos públicos (Tesouro Direto) para influenciar a Selic.

Perspectivas para 2022

Se o investidor está ciente de que a pressão inflacionária no País segue elevada e que uma escalada nos preços ainda pode ocorrer nos próximos meses, ele precisa escolher aplicações para proteger o seu patrimônio contra a desvalorização do real.

Mas quais são essas aplicações? Uma das respostas mais simples para essa questão são os títulos do Tesouro Direto atrelados ao próprio índice do IBGE – também conhecidos como Tesouro IPCA+. Quem optar por esse papel deve considerar, porém, uma série de fatores, como o prazo pretendido para o investimento, os objetivos e seu perfil de risco como investidor. Afinal, trata-se de um título pós-fixado, cuja rentabilidade não pode ser definida com exatidão. 

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Oportunidades na renda fixa – fique de olho no prazo! 

O primeiro ponto a ser levado em consideração antes da escolha de um ativo que acompanha a inflação é o tempo do investimento. Mesmo que o IPCA esteja alto no contexto atual, as perspectivas do mercado são de um período de desaceleração da inflação, entregando uma rentabilidade menos atrativa no futuro.

Vale lembrar que, atualmente, o país atravessa um ciclo de aperto monetário, ou seja, de aumento da Selic. O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa básica de juros a 13,75% ao ano na reunião de agosto, e há chance de novos aumentos. Dessa forma, pelos próximos meses, enquanto os juros estiverem altos, ativos atrelados à taxa Selic podem render mais que aqueles ligados ao IPCA.

Em contrapartida, especialistas orientam que, no médio e no longo prazos, é sempre interessante ter títulos atrelados à inflação na carteira, pois independentemente da variação dos índices de preço, estar exposto a esse tipo de investimento protege contra a desvalorização do patrimônio ao longo do tempo. 

Para investir em títulos atrelados ao IPCA, há uma série de opções dentro da renda fixa. Além do próprio Tesouro IPCA+, que tem diferentes possibilidades de prazos, há títulos privados que costumam ter vencimentos mais flexíveis, como os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), os dois últimos com a isenção de Imposto de Renda. 

Para prazos ainda mais longos, há as debêntures incentivadas. Mas fique atento à classificação de risco desses papéis. Quanto maior o retorno anunciado, maior tende a ser o risco envolvido.

E a renda variável?

Para aquele investidor que aceita acrescentar um pouco mais de risco à carteira, algumas opções dentro da renda variável podem oferecer oportunidades de ganhos mais expressivos. 

Esse é o caso das ações de empresas que conseguem repassar a variação da inflação ao preço final de seus produtos. Neste sentido, destacam-se os papéis de supermercados e outras companhias ligadas à alimentação, concessionárias rodoviárias e seguradoras, operadoras de planos de saúde, companhias de água, energia e outros serviços públicos. 

Cada um desses setores, a seu modo, consegue promover aumentos em seus preços, o que pode impulsionar as receitas de tais companhias e gerar mais lucros. Esses resultados agradam o mercado, que tende a comprar mais ações de companhias destes segmentos, gerando uma valorização.

Outras opções de produtos financeiros são os fundos imobiliários (FIIs). Muitos proprietários reajustam os preços dos aluguéis de lajes comerciais, shoppings e imóveis residenciais quando a inflação sobe. Com isso, não apenas as cotas dos fundos tendem a se valorizar no mercado (assim como as ações das empresas desses setores), mas também a distribuição de dividendos pode ser mais robusta. 

Antes de achar que o universo dos FIIs é bastante homogêneo, lembre-se de que existem composições muito diferentes de ativos imobiliários em cada produto. Avalie com cautela os portfólios dos produtos, seus riscos, a qualidade dos gestores, as taxas cobradas e seu histórico de rentabilidade a fim de escolher o que melhor se encaixa às suas expectativas como investidor.

Independentemente de qual investimento for fazer na atual era da inflação, é essencial conhecer muito bem as características de cada produto, sua tolerância a riscos, o prazo esperado para o retorno e o percentual do patrimônio recomendado para uma determinada aplicação. Na dúvida, não hesite em buscar a opinião de assessores de investimento que poderão orientar você sobre as melhores alternativas para os seus objetivos ao investir.

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