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LCAs, CRAs e Fiagros: número de investidores no agronegócio quase dobra em 2022

Número de investidores aumentou 95% e volume investido cresceu 79%. Valor representa 19,5% do valor aplicado em renda fixa e variável

Balcão da b3 em frente a uma tela com gráficos.
Bolsa do Brasil (B3): lançados em 2021, já existem 33 fundos que investem no agronegócio listados na bolsa. Foto: Divulgação/B3

Por Redação B3 Bora Investir

Investimentos ligados ao agronegócio atraem cada vez mais investidores. Em 2022, o número de pessoas físicas que aplicam em LCA (Letra de Crédito do Agronegócio), CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) e Fiagro (Fundo de Investimento em Cadeias Agroindustriais) cresceu 95%, enquanto o volume de dinheiro investido aumentou 79%, respectivamente.

No total, são 1,6 milhão de investidores e R$ 411 bilhões de recursos aplicados no setor agrícola, segundo estudo divulgado nesta quarta-feira (15), pela B3. O material completo, com dados de 2022, está disponível para download.

O volume sob custódia já representa 19,5% do total investido em renda fixa (R$ 1,6 trilhão) e variável (R$ 459 bilhões) somados. A participação no fim de 2021 era de 14%. O saldo mediano no setor, por investidor, foi de R$ 51,7 mil.

Os Fiagros, que começaram a ser negociados na B3 em agosto de 2021 para ampliar a oferta de produtos relacionados ao agronegócio, já contavam, em dezembro, com mais de R$ 5,2 bilhões em estoque, considerando os 33 fundos negociados.

Na prática, os Fiagros funcionam de forma muito semelhante aos fundos imobiliários, mas com o foco no desenvolvimento da atividade agrícola. As cotas são negociadas a valores acessíveis, a partir de cerca de R$ 100.

Fundos imobiliários, LCIs e CRIs

O setor imobiliário, composto por fundos imobiliários (FIIs), LCI (Letra de Crédito Imobiliário), CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliário) e ETFs (Exchange Traded Funds) de FIIs, já alcançou mais de 3,2 milhões de investidores. O volume aplicado no segmento chegou aos R$ 380 bilhões, um aumento de 46% quando comparado ao final de 2021.

Os fundos imobiliários correspondem a 51% do total investido no setor. Estes fundos aplicam o dinheiro dos cotistas em empreendimentos como imóveis ou em títulos de renda fixa lastreados em imóveis, como CRIs e LCIs. Ao adquirir cotas de um FII o investidor passa a ser dono de uma fração do fundo que, por sua vez, detém imóveis ou ativos com lastro imobiliário. Os imóveis adquiridos são alugados pelo fundo e o resultado financeiro é repartido entre todos os cotistas, com o pagamento de dividendos.

“Investimentos privados, de pequenos investidores, estão ajudando de forma significativa a impulsionar segmentos importantes da nossa economia, enquanto geram rendimentos para quem aplica”, afirma Felipe Paiva, diretor de Relacionamento com Clientes e Pessoa Física da B3.

Renda fixa

O valor sob custódia de pessoas físicas em renda fixa na B3 atingiu R$ 1,6 trilhão no final de 2022, 44% a mais do que há um ano.

O número de investidores aumentou 34%, atingindo 14,8 milhões. Desses, 13,8 milhões aplicam em produtos bancários, como CDB (Certificado de Depósito Bancário), RDB (Recibo de Depósito Bancário) e LCA e LCI, que somam R$ 1,3 trilhão em investimentos.

Renda variável

Em 2022, o número de pessoas físicas que aplicam em renda variável atingiu a marca de 5 milhões, 19% a mais do que em 2021. Já o valor sob custódia, que é o valor dos investimentos das pessoas físicas na bolsa, caiu 8%, passando de R$ 500 bilhões para R$ 459 bilhões.

Todos os produtos – ações, fundos imobiliários, ETFs e BDRs – registraram aumento de investidores, mas apenas os fundos imobiliários cresceram também em valor sob custódia (+11%). Os demais produtos registraram queda de volume aplicado em relação à 2021.

O número de contas alcançou 5,8 milhões em dezembro, já que um único investidor pode ter conta em mais de uma corretora.

Mesmo em um cenário de alta taxa de juros, houve um saldo positivo de mais de 408 mil novos investidores em dezembro, também considerando aqueles que ingressaram por meio de uma oferta de BDRs realizada em novembro de 2021 com grande adesão de pessoas físicas.

Dos mais de 5 milhões de investidores na bolsa hoje, 84% entraram a partir de 2019 e mais da metade (53%) entrou nos últimos dois anos.

Valores aplicados caem

Dos 408 mil investidores que fizeram o primeiro aporte em dezembro de 2022, 92% aplicaram até R$ 200.

“Os números ratificam e reforçam que a bolsa e o mercado de capitais são para todos e que as pessoas estão buscando experimentar e diversificar seu patrimônio”, analisa Paiva.

A diversificação pode ser constatada pela composição das carteiras das pessoas físicas. Em 2016, 75% dos investidores de renda variável tinham apenas ações, parcela que hoje é de 30%. Os que combinam ações e FIIs representam 16%, e quem possui ações e BDRs representa 6%.

Em relação aos valores aplicados, os investidores que entraram a partir de 2019 possuem 27% do volume sob custódia. O volume maior está nas mãos de investidores que ingressaram na renda variável até 2015 e mantém seu investimento até hoje, beneficiando-se do efeito dos juros compostos no longo prazo.

Regiões

A região Norte foi a que mais cresceu, em termos percentuais, em número de investidores de renda variável e do Tesouro Direto desde 2018. O aumento chegou a 1.363% e 253%, respectivamente. Em números absolutos, no entanto, a região é a que tem menos investidores.

A região Nordeste ficou em segundo lugar entre as que mais cresceram, seguida pela região Sul.

A região Sudeste segue concentrando o maior número de investidores, com 2,8 milhões em produtos de bolsa e 1,3 milhão no Tesouro Direto.

Tesouro Direto

Os títulos do Tesouro Direto passaram de 100 mil para 2,1 milhões de investidores nos últimos 10 anos. No último ano, o saldo mediano aplicado por cada pessoa passou de R$ 2,1 mil para R$ 2,8 mil.

O programa do Tesouro Nacional que possibilita a venda de títulos públicos federais para pessoas físicas foi lançado em 2002, em parceria com a B3.

Dois títulos concentram a maior parte do saldo em custódia: o Tesouro IPCA+, com 39% do total, é seguido de perto pelo Tesouro Selic, com 35%.

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