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Mercados financeiros hoje: PL de fundos, LDO e ata do Fed ficam no radar

Semana deve ser esvaziada por causa de feriados no Brasil e nos EUA

Câmara dos Deputados em Brasília
O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) indicou Aloizio Mercadante para o comando do BNDES, o banco de desenvolvimento. Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

A semana tem uma agenda econômica local bem fraca e as atenções devem ficar no Congresso e nos indicadores e eventos internacionais. Hoje, a B3 opera em meio ao feriado estadual do Dia da Consciência Negra, em São Paulo, mas os bancos trabalham em esquema de plantão e a liquidez pode diminuir nos mercados.

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Os investidores aguardam a apresentação hoje do relatório do projeto de lei (PL) que taxa fundos offshore e fundos exclusivos, que poderá ser apreciado pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado nesta terça-feira, e também do parecer preliminar da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que tem previsão de votação na quarta-feira, 23, na Comissão Mista de Orçamento (CMO).

Também o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa da cerimônia “O Brasil pela Igualdade Racial”, no Palácio do Planalto, e assinará um conjunto de 13 ações apresentadas pela ministra Anielle Franco em parceria com mais de 10 ministérios e órgãos federais.

Poderá ter ainda um compasso de espera pelas atas das últimas reuniões monetárias do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e do Banco Central Europeu (BCE), além dos índices de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos e países europeus.

Os presidentes do Banco da Inglaterra (BoE), Andrew Bailey, e do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, serão monitorados em eventos. E nos EUA, os mercados fecharão na quinta-feira pelo feriado do Dia de Ação de Graças e, na sexta-feira, as bolsas de Nova York e o mercado de Treasuries fecham também mais cedo.

No exterior, petróleo em alta antes da reunião da Opep

Os índices futuros das bolsas de Nova York exibem alta moderada em dia de agenda modesta, após fechamento misto dos mercados à vista na sexta-feira, mas carregando ganhos pela terceira semana consecutiva.

O petróleo sobe e favorece as ações do setor de energia em meio à expectativa pela reunião da Opep no próximo domingo e a possibilidade de cortes adicionais na oferta. Na Europa, os mercados de ações recuam na maioria, enquanto o euro e a libra sustentam ganhos ante o dólar, na esteira da desaceleração da inflação nos EUA e de um consenso entre analistas de que não devem ocorrer novas altas de juros no país.

Não houve reação significativa ao dado de inflação ao produtor (PPI, na sigla em inglês) da Alemanha, que caiu 11% em outubro, na comparação anual, com baixa de 0,1% na leitura mensal.

Os investidores estão na expectativa por mais sinalizações do BCE e pelo discurso hoje do presidente do BoE, Andrew Bailey. O ministro de Finanças do Reino Unido, Jeremy Hunt, afirmou que “está tudo sobre a mesa” em relação a possibilidades de cortes de impostos no orçamento de outono do Hemisfério Norte, segundo a Sky News.

Na China, o Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês) manteve os juros das LPRs de 1 e 5 anos pelo terceiro mês seguido e o sentimento do consumidor foi apoiado por sinalizações do governo para que se acelerem projetos de infraestrutura e por promessas de apoio ao setor imobiliário, afirmou Gary Ng, economista sênior da Natixis.

Na Argentina, vários analistas citados pela imprensa local previam uma reacomodação nos mercados locais, após a vitória do ultraliberal Javier Milei no segundo turno presidencial neste domingo, em ambiente de muitas incertezas. O impacto entre investidores, porém, deve ficar mais claro na terça-feira, pois hoje é feriado do Dia da Soberania Nacional no país. A Capital Economics considera que a vitória de Javier Milei representa “uma grande mudança na formulação da política econômica” e projeta como prováveis uma “grande queda no peso e uma reestruturação na dívida pública”.

No Brasil, foco nas medidas em votação no Congresso

O fôlego curto dos mercados em Nova York e a valorização do petróleo podem favorecer um ajuste positivo da bolsa local em meio a sinais mistos dos rendimentos dos Treasuries. O juro da T-Note 2 anos recua, enquanto as taxas longas têm ganho limitado, que podem influenciar a curva de juros futuros em meio a expectativas por um esforço concentrado do governo visando a votação e aprovação das medidas fiscais encaminhadas ao Congresso.

O presidente Lula tirou o poder de quatro ministros do governo e mudou a destinação de recursos que estavam sob controle do primeiro escalão, para influenciar as votações no Congresso no fim do ano. A estratégia é aprovar os três principais projetos orçamentários do governo, que estão com votações atrasadas: o Plano Plurianual (PPA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2024. Sem essas propostas, o governo não tem recursos para gerir no ano que vem.

Além disso, a reforma tributária passará por mais uma votação na Câmara, após ter sido aprovada no Senado. O relator da reforma tributária na Câmara, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), afirma que a medida vai ter um impacto “extremamente” positivo para o País e será possível reduzir, com a simplificação das regras, o compliance nas empresas, a insegurança jurídica e trazer transparência. No câmbio, o mercado pode hesitar em meio à queda do dólar ante moedas principais, mas com sinais mistos em relação a divisas emergentes e ligadas a commodities, sendo que alta prevalecia frente o peso chileno, peso colombiano, lira turca e rand sul africano.

*Agência Brasil

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