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PIB da China cresce 3% em 2022, segunda pior taxa em 46 anos

A perda de ritmo da segunda maior economia do mundo foi impactada pela política de 'Covid-Zero' implantada no país

China. Foto: Adobe Stock
A China ainda é o país com maior crescimento no mundo. Foto: Adobe Stock

Por Redação B3 Bora Investir

A economia da China cresceu em 2022 no segundo ritmo mais lento desde 1976 quando o país encerrou uma década de conflitos, a Revolução Cultural. A China foi impactada pelas fortes restrições da política de ‘Covid-Zero‘ do governo que confinou milhões de pessoas em províncias inteiras.

O Produto Interno Bruto (PIB) avançou 3% no ano passado – uma forte desaceleração em relação ao ritmo de 8,1% registrado em 2021, mas ainda melhor que a alta de 2% em 2020 – pior momento da pandemia. As informações foram divulgadas nesta terça-feira, 17/01, pelo Escritório Nacional de Estatísticas (NBS). O resultado veio acima das expectativas do mercado – que esperava um crescimento de 2,7% – mas abaixo do previsto pelo governo de 5,5%.

Gráfico PIB China

Os economistas apostam agora em uma recuperação mais forte nos próximos meses e no acumulado de 2023, à medida que os gastos do consumidor aumentam e a queda no mercado imobiliário melhora com a flexibilização das restrições anunciada pelo governo. As autoridades também sinalizaram o fim da repressão às empresas de tecnologia e relaxaram as rígidas regulamentações para o setor de imóveis.

“Os desafios são grandes para 2023 e exigirão que o governo continue a apoiar a economia com seus instrumentos fiscais e monetários. Além disso, uma retomada mais consistente dependerá da capacidade do governo em controlar os atuais surtos de Covid-19. O consenso é um avanço em torno de 5,0% para este ano”, afirmam os economistas da LCA Consultores em relatório.

+ Entenda como a retomada da economia chinesa pode ajudar investidores

O vice premiê chinês, Liu He, afirmou hoje que a China está cada vez mais de portas abertas para o investimento estrangeiro e que vai defender o empreendedorismo. A declaração aconteceu no Fórum Econômico Mundial, em Davos.

“A China sempre vai promover uma abertura total e melhorar o nível e a qualidade da abertura (…) Os investimentos estrangeiros são bem-vindos na China, e a porta para a China só se abrirá ainda mais.”

A mudança de tom é vista com parcimônia pelo mercado financeiro, diante do aumento de casos de covid no país. No entanto, ao falar novamente em reabertura do mercado, o vice premiê mostra uma mudança no discurso do governo da segunda maior economia do mundo.

Atividade econômica

A produção industrial avançou 1,3% em dezembro em relação ao ano anterior, resultado menor que a expansão de 2,2% em novembro. Já as vendas do varejo no último mês do ano passado, apesar de ainda negativas, caíram em um ritmo menor. Contraíram 1,8% na comparação com dezembro 2021, declínio mais baixo que os 5,9% registrados em novembro.

A taxa de desemprego ficou em 5,5% em dezembro de 2022, em comparação com 5,7% em novembro.

As vendas de casas tiveram forte queda de 28,3% em 2022 na comparação com o ano anterior. A retração a uma das principais atividades econômicas chineses também é reflexo dos rígidos bloqueios por conta da Covid-19. Pelo lado da construção, o tombo é ainda maior: menos 39,4% no ano passado.

População em queda

A população chinesa começou a encolher em 2022 pela primeira vez em quase seis décadas. Essa mudança é uma nova realidade para o país mais populoso do mundo que vê a Índia chegar muito próximo do seu número de habitantes. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), essa mudança demográfica deve acontecer ainda em 2023.

Segundo o NBS, a população da China caiu para 1,412 bilhão em 2022, ante 1,413 bilhão em 2021. Foi o primeiro declínio desde o início dos anos 1960, quando o país foi devastado pela fome.

O número de nascimentos caiu de 10,62 milhões em 2021 para 9,56 milhões em 2022. A taxa de natalidade chinesa – que é o número de nascimentos por mil pessoas – caiu para 6,77 em 2022, em relação aos 7,52 em 2021.

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