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Entenda como a retomada da economia chinesa pode ajudar investidores

China vem flexibilizando medidas de contenção da Covid e acenou ao Mercosul com acordo econômico

Bandeira do Brasil e da China dividem a imagem
Reabertura econômica chinesa favorecerá parceiros comerciais do país asiático e empresas de setores estratégicos. Foto: AdobeStock

A China tem marcado presença nos noticiários de economia. Em primeiro lugar, a flexibilização da política de Covid-Zero no país asiático implica em maior crescimento da economia chinesa e, consequentemente, da economia mundial. Um recente relatório do banco UBS projeta, num cenário mais otimista, uma total reabertura até meados deste ano.

Além disso, no começo desta semana a China acenou um acordo de livre comércio com o Mercosul. Caso não obtenha sucesso nas negociações com o bloco, espera-se que Pequim proponha acordos individuais para cada país.

Para entender como essas recentes movimentações da China podem impactar nas decisões do investidor, o Bora Investir conversou com Gilberto Cardoso, CEO da Tarraco Commodities, e Aline Tedeschi, professora da Universidade Normal de Hunan e diretora de programas do Think Tank Observa China.

Como está a economia chinesa?

Segundo Gilberto Cardoso, o fim da política de Covid-Zero aquecerá a economia chinesa e favorecerá os parceiros comerciais do país asiático.

“O crescimento da China no ano passado ficou entre 2,5 e 3%. Para este ano é esperado um crescimento de 5%. A retomada da economia envolve maiores investimentos em construção civil, o que favorece as commodities metálicas, como o minério de ferro, do qual o Brasil é grande exportador. Logo, as empresas nacionais ligadas a esse setor tendem a se beneficiar”, diz Cardoso.

Somada à reabertura da economia, uma mudança cultural que se observa na China também pode favorecer acordos comerciais com o Brasil.

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“Os países asiáticos vêm mudando seus hábitos alimentares. Isso quer dizer que estão consumindo menos arroz e legumes e mais proteína animal. Isso favorece muito o Brasil, grande exportador dessa commodity, e empresas do setor de alimentos”, explica Cardoso.

China e laços comercias com América do Sul

Além das commodities alimentícias e metálicas, a China deve estar atenta a outros setores nos próximos meses. Aline Tedeschi explica que as questões ambientais hoje são prioridade.

“Duas políticas regulatórias do setor financeiro merecem atenção. O Banco Popular da China (PBoC) introduziu um mecanismo de redução de emissões de carbono em 2021, tornando-o o principal banco central do mundo em relação aos riscos e oportunidades relacionados ao clima. Os bancos hoje podem emprestar 60% dos créditos verdes a juros de 1,75%, menor que os 4% da taxa básica normal do PBoC. Além disso, todas as empresas regulamentadas na China devem publicar informações ambientais, incluindo emissões absolutas de dióxido de carbono, ou pagar uma multa de pouco menos de US$15.000. Esses fatores podem impactar o caráter dos investimentos chineses aqui na América do Sul e, ao mesmo tempo, incentivar setores sustentáveis e de descarbonização.

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Importante lembrar também que o último Congresso do Partido Comunista Chinês, realizado no ano passado, definiu segurança alimentar como prioridade. Nesse sentido, a autossuficiência de grãos tornou-se uma meta chinesa, mas ainda está longe de ser alcançada, segundo Tedeschi. Enquanto isso, grandes exportadores de grãos, como o Brasil, devem continuar com laços comerciais com a China.

Ao avaliar os futuros acordos comerciais entre China e Mercosul, Gilberto Cardoso os considera como muito positivos para os países do Cone Sul.

“A expectativa é de que a China venha aos países do Mercosul para investir em infraestrutura. Além do benefício de trazer capital, equipamentos e expertise, também toca na questão fundamental representada pela infraestrutura no continente. Isso porque a América do Sul não consegue crescer somente por meio do consumo, sendo necessário também investimentos em infraestrutura“, observa Cardoso.

Longevidade chinesa

Longe de ser um surto, o sucesso econômico da China ainda deve continuar por muito tempo. Além das parcerias estratégicas, outros fatores explicam o bom desempenho chinês.

“A China tem suas estratégias pensadas para o longo prazo. As medidas que observamos hoje, de retomada das agendas multilaterais, já estavam sendo planejadas em meio à pandemia de Covid. Outra prova da robustez de sua economia é o fato de o poder de compra dos chineses ser hoje o maior do mundo, superando os Estados Unidos”, comenta Tedeschi.

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