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PIB 2023: Alta dos investimentos no 4º tri surpreende; consumo mostra desaceleração

Economistas avaliam que o resultado do PIB do quarto trimestre foi positivo e melhora perspectivas para 2024

Os serviços tiveram um papel fundamental no resultado positivo da economia em 2022.

A economia brasileira cresceu 2,9% no ano de 2023, praticamente em linha com as expectativas do mercado, que projetava alta de 3%. No 4º trimestre do ano, o Produto Interno Bruto (PIB, a soma dos bens e serviços produzidos no País) mostrou estabilidade na comparação com o trimestre imediatamente anterior. Para economistas, o destaque positivo foi a composição do PIB, com um aumento dos investimentos e queda no consumo das famílias.

Investimentos aumentam e trazem sinal positivo para PIB

No PIB, o investimento é mostrado na linha de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que registrou alta de 0,90% no quarto trimestre de 2023, na comparação com o terceiro trimestre.

Para o economista sênior do BTG Pactual Bruno Martins, a melhora na taxa de investimentos abre espaço para a possibilidade de menor pressão inflacionária à frente. “Nós projetávamos crescimento no consumo das famílias e desaceleração mais forte dos investimentos, e foi justamente o contrário”, afirma. A composição do período, acrescenta, pode ser melhor inclusive do ponto de vista da condução da política monetária.

Julio Hegedus, economista-chefe da Mirae Asset Brasil, também vê como positivo o aumento do investimento. “A FBCF, em queda nos últimos quatro trimestres, deu uma reagida no último, o que pode ser uma sinalização positiva para a retomada mais consistente da economia neste ano”, diz.

Um fator que pode ter influenciado o aumento dos investimentos foi o início do ciclo de afrouxamento monetário pelo BC, que começou a reduzir a taxa Selic em agosto de 2023, diz Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos. “Entendo que a redução dos juros criou um pano de fundo instigante ao investimento, o que deve aparecer com maior força em 2024”, afirma.

Andrea Damico, economista chefe da Armor Capital, também vê o dado como positivo. “É um bom sinal para investimentos, principalmente nesse próximo ano, dado que a gente deve continuar vendo uma melhora das expectativas, dada a continuidade do afrouxamento monetário”, diz.

A economista-chefe do Banco Inter, Rafaela Vitória, entretanto, pondera: “[a alta na FBCP] foi uma pequena recuperação, porque os investimentos no começo do ano foram muito ruins”.

Consumo em queda contribui para controle da inflação

“Depois de muito tempo, vimos uma queda no consumo, que vinha se mostrando bastante resiliente nos trimestres anteriores, com números elevados. A queda, de 0,20% [na comparação com o 3º trimestre], é um dado importante, que vai na direção de contribuir com o processo de desinflação”, afirma Andrea Damico, economista chefe da Armor Capital.

Segundo o IBGE, este foi o primeiro resultado negativo após uma sequência de nove trimestres consecutivos de avanço no consumo das famílias.

O Santander Brasil, por outro lado, destaca que a retração foi leve, “ainda refletindo um mercado de trabalho resiliente”.

O economista-chefe da Porto Asset, Felipe Sichel, diz que o dado “chama a atenção”, principalmente pelo cenário de mercado de trabalho apertado e com ganho de renda no período, que “sugeriria um consumo um pouco mais forte, mas é uma história que pode ficar para o começo deste ano, então”, avalia.

O consumo das famílias fechou 2023 com uma média trimestral de crescimento de 0,6%, calcula a economista-chefe para Brasil da Galapagos Capital, Tatiana Pinheiro. Segundo ela, o isso significa que esse componente da economia voltou à média de 2017 a 2019 (pré-pandemia de covid-19), quando crescia 0,7% por trimestre.

“Uma parte do que explica esse crescimento de 2,9% do PIB, além da produção do agro, foram os impulsos à demanda”, diz Pinheiro. “Teve uma concentração de programas de renda no primeiro semestre, responsável pelo crescimento forte do consumo das famílias e, no segundo semestre, tanto o impacto da safra agrícola, quanto dos programas sociais, foi minguando. O quarto trimestre é isso: a ausência desse impulso, uma volta à normalidade”, diz.

Olhando para o resultado de 2023 como um todo, Luis Otávio Leal, economista-chefe da G5 Partners, chama a atenção para a diferença entre o crescimento de 3,1% no consumo das famílias e queda de 3% nos investimentos. “Essa discrepância, no médio prazo, podem ser inflacionárias”, diz. A boa notícia, afirma, é que esse cenário pode mudar para 2024, com um impulso nos investimentos, vindo da melhora no crédito, principalmente a partir do 2º trimestre do ano.

Para 2024, PIB deve desacelerar, mas sinal é positivo

Diversas casas ajustaram para cima suas expectativas para o resultado do PIB em 2024. Um exemplo foi o BTG Pactual, que elevou a projeção de 1,7% para 2,0%.

Para o economista sênior do BTG Pactual Bruno Martins, apesar da estagnação da atividade no segundo semestre de 2023, a avaliação é que as condições tendem a melhorar. “Estamos mais otimistas, as condições financeiras estão melhorando desde outubro do ano passado”, afirma o economista, que pondera que os efeitos demoram algum tempo para serem refletidos pela atividade. Segundo ele, o crescimento esperado para este ano será muito baseado no consumo das famílias, reflexo do aumento da massa salarial e da recuperação do crédito.

Luis Otávio Leal, da G5 Partners, que projeta alta de 2,1% este ano, aponta que apesar da queda esperada na comparação com 2023, o ano de 2024 deve ter um crescimento mais equilibrado. “É um número mais baixo do que os 2,9% que a gente viu em 2023, mas basicamente a diferença entre os dois vai ser o PIB agrícola. Por outro lado, esse 2,1% vai ser melhor, porque vai ser um PIB mais equilibrado”, diz.

A visão de Salto, da Warren Investimentos, é similar. “Se o governo mantiver a linha da política fiscal, determinada pelo Ministro Haddad, 2024 poderá até apresentar crescimento econômico um pouco menor que o do ano anterior, mas com uma composição muito boa. A indústria deve ser recuperar, ou seja, nas esteiras da alta do consumo e do investimento”. O momento, na visão do economista, é de otimismo, mas com cautela.

*Com informações da Agência Estado

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