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Prévia da inflação desacelera alta em abril, mas gasolina ainda pressiona os preços

IPCA-15 ficou em 0,57% e a gasolina respondeu por quase 30% desse valor. Em 12 meses, índice chegou a 4,16%, abaixo do teto da meta perseguida pelo BC de 4,75%

Bomba abastece carro em posto. de combustível
Combustíveis têm bastante peso na inflação. Foto: José Cruz/Agência Brasil

Por Redação B3 Bora Investir

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial do país, desacelerou para 0,57% em abril, após avançar 0,69% em março. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira, 26/04, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É a menor taxa para o mês desde abril de 2020 (-0,01%). No ano, o IPCA-15 acumula alta de 2,59%.

PRÉVIA DA INFLAÇÃO (IPCA-15) – MÊS A MÊS

Fonte: IBGE

Com os resultados, a prévia da inflação acumulou em doze meses crescimento de 4,16% – menor taxa desde outubro de 2020. É também a primeira vez que o indicador fica abaixo de 5% desde fevereiro de 2021. Em abril, o resultado anual ficou abaixo da meta de 4,75% definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Ainda assim, está acima da meta de 3,25%.

Todos os nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE registraram aumento de preços na prévia da inflação em abril. Para Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter, apesar do IPCA-15 ter vindo melhor que o esperado, ainda há pressões de preços.

“O IPCA-15 de abril foi melhor que o esperado, mas não tão melhor como tinha sido março. Os 0,57% ficaram abaixo da expectativa de 0,6% e acumula 4,1% em 12 meses. A inflação de núcleos [medida que procura captar a tendência dos preços], segue próxima de 6% ao ano e serviços em 5,5%”.

O estrategista Macro da XP, Alexandre Maluf, afirma que a composição do IPCA-15 reforça o resistente processo de desinflação no Brasil, especialmente nos grupos de serviços.

“Esperamos que o IPCA atinja seu nível mais baixo do ano em junho e volte a acelerar a partir de julho. Por enquanto, nossa projeção de 0,53% para o IPCA de abril e ainda vemos nossas projeções de 6,2% para o IPCA de 2023 e de 5% para 2024 bem calibradas”.

Inflação segue impactada pela gasolina

A gasolina foi a principal influência para a alta do IPCA-15 em abril, com avanço de 3,47%, após já ter subido 5,76% em março. O resultado corresponde a 29,8% da alta do índice no mês, ainda consequência da retomada parcial dos impostos federais sobre os combustíveis em 1º de março. Os tributos foram zerados durante o período eleitoral pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Diante de mais uma alta na gasolina, o grupo Transportes avançou 1,44%, maior peso entre todas as atividades pesquisadas. Ele também foi impactado pela alta do Etanol, que subiu 1,10%, depois de já ter avançado 1,96% em março.

Pelo lado das quedas, desaceleração de 2,73% no diesel – com a desoneração dos impostos federais ainda vigente – e do gás veicular (-2,17%). Esses dois números completam o subitem combustíveis que registrou alta de 2,84%. O preço das passagens aéreas voltaram a avançar, subiram 11,96%, após a queda de 5,32% em março.

Desacelerações

Os três principais grupos que puxaram a desaceleração da prévia da inflação em abril foram Alimentação e bebidas (0,20% para 0,04%), Comunicação (0,75% para 0,06%) e Habitação (0,81% para 0,48%).

A perda de ritmo dos preços de alimentos veio do consumo dentro de casa, com queda de 0,15%. A batata inglesa teve o maior recuo, 7,31% no mês. Comer fora da residência também desacelerou de 0,68% em março para 0,55% em abril.

A principal alta no grupo de saúde e cuidados pessoais veio de produtos farmacêuticos (1,86%), após a autorização do reajuste de até 5,60% no preço dos medicamentos, a partir de 31 de março. Houve perda de tração nos preços de itens de higiene pessoal (2,36% para 0,35%), influenciados pelos perfumes (-1,99%).

“Além disso, o item plano de saúde (1,20%) segue incorporando as frações mensais dos reajustes dos planos novos e antigos para o ciclo de 2022 a 2023″, afirmou o IBGE em nota.

O grupo Habitação avançou 0,48% – ainda com as pressões da energia elétrica residencial, que teve alta de 0,84% em abril, e do aluguel residencial (0,53%), segunda alta consecutiva.

Acompanhe a variação dos grupos em abril:

  • Alimentação e bebidas: 0,04%
  • Habitação: 0,48%
  • Artigos de residência: 0,07%
  • Vestuário: 0,39%
  • Transportes: 1,44%
  • Saúde e cuidados pessoais: 1,04%
  • Despesas pessoais: 0,28%
  • Educação: 0,11%
  • Comunicação: 0,06%

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