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Prévia da inflação, IPCA-15 volta a desacelerar em junho puxado por combustíveis

IPCA-15 avançou 0,04% e perdeu ritmo pelo quarto mês seguido. Em 12 meses, índice acumula alta de 3,40%, um pouco acima da meta de 3,25% perseguida pelo BC

Cálculadora com cédulas de Real e moeda de 1 real ao fundo apoiados sobre uma mesa
IPCA-15 é considerado uma prévia da inflação. Foto: Marcello Casal/ Agência Brasil

Por Redação B3 Bora Investir

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial do país, subiu 0,04% em junho, segundo informou nesta terça-feira, 27/06, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa é a menor para um mês de junho desde 2020.

É o quarto mês consecutivo de desaceleração do índice, que veio pouco acima das expectativas do mercado, que projetava alta de 0,02% (acompanhe o gráfico abaixo). Em junho de 2022, o IPCA-15 registrou alta de 0,69%. No acumulado do 1º semestre, a prévia da inflação subiu 3,16%.

Em 12 meses, o IPCA-15 avançou 3,40%. É o menor resultado para o período de um ano desde setembro de 2020. Importante notar que a prévia da inflação está bem próxima da meta perseguida pelo Banco Central, que é de 3,25%.

PRÉVIA DA INFLAÇÃO (IPCA-15)

Fonte: IBGE

Seis dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE tiveram alta em junho. O maior impacto veio do grupo Habitação, que avançou 0,96%. Na outra ponta, o grupo de Transportes teve queda de 0,55%, puxado pelos combustíveis mais baratos. (ver mais abaixo)

Núcleo segue pressionado

Apesar da desaceleração, os núcleos da prévia da inflação (medida que capta a tendência dos preços e exclui choques temporários) ainda continuam pressionados, com avanço de 0,34% em junho. Em 12 meses, houve um leve recuo, de 6,76% em maio para 6,19% em junho.

O economista da XP, Alexandre Maluf, afirma que esses indicadores reiteram a análise do Comitê de Política Monetária (Copom) de que o processo de desinflação exige paciência.

“Os números reforçam nossa visão de que o ‘segundo estágio’ da desinflação no Brasil será mais duro e lento do que o primeiro, concentrado em bens e alimentos”.

Para o analista, os preços de serviços e os núcleos ainda estão acima da meta de inflação, o que exige uma taxa de juros ainda elevada. “Mantemos nossas estimativas de IPCA em 4,9% para 2023 e 4,5% para 2024”, conclui.

Serviços de água, esgoto e luz ficaram mais caros

O avanço no grupo Habitação foi puxado pelo aumento nos preços das taxas de água e esgoto, que subiram, em média, 3,64%.

Os principais aumentos aconteceram em quatro capitais: Recife (11,2%), São Paulo (9,56%), Belém (8,33%) e Curitiba (8,2%).

As tarifas de energia elétrica residencial avançaram 1,45% em junho. Os principais reajustes ocorreram em Belo Horizonte (9,15%), Recife (8,21%), Fortaleza (2,2%) e Salvador (1,84%).

Gasolina mais barata ajuda setor de transportes

O grupo Transportes reverteu a tendência dos meses anteriores e registrou a maior queda na prévia da inflação. A variação negativa foi puxada pelo preços dos combustíveis, que caíram 3,75%.

Em 12 meses, os grupo Transportes acumula recuo de 5,42%: é o único dos grupos pesquisados pelo IBGE que está no campo negativo na janela de 12 meses.

A gasolina foi o subitem com o maior destaque de baixa no IPCA-15: seu preço reduziu 3,40%. Também houve recuo nos preços de óleo diesel (-8,29%), etanol (-4,89%) e gás veicular (-2,16%).

Importante lembrar que no dia 15 deste mês a Petrobras anunciou uma redução de 4,3% do preço da gasolina para as distribuidoras. O litro caiu R$ 0,13 e passou de R$ 2,78 para R$ 2,65, o menor preço desde junho de 2021.

Os automóveis novos também ficaram 0,84% mais baratos. No início do mês o governo anunciou um programa para baratear o preço dos veículos de até R$ 120 mil.

Na contramão ficaram as passagens aéreas, que registraram alta de 10,70%, após queda de 17,26% em maio. Andar de ônibus nas cidades também ficou mais caro (0,99%), principalmente para os moradores de Belo Horizonte, onde o transporte foi reajustado em 33,33%.

Alimentos mais baratos

O IBGE também registrou deflação de 0,51% no preço de Alimentação e bebidas. Em 12 meses, entretanto, o grupo ainda acumula alta de 4,94%, acima da média do IPCA-15.

A principal desaceleração veio da Alimentação no domicílio, que passou de uma alta de 1,02% em maio para uma queda de 0,81% em junho.

Houve perda de ritmo também nos preços da Alimentação fora de casa, que avançou 0,29% no mês e havia subido 0,73% no mês anterior.

Os itens do grupo que mais reduziram o preço foi o óleo de soja (-8,95%), as frutas (-4,39%), o leite longa vida (-1,44%) e as carnes (-1,13%).

No lado das altas, os destaques foram o ovo de galinha (2,04%) e o pão francês (0,72%).

Veja a variação em junho de todos os grupos do IPCA-15:

  • Alimentação e bebidas: -0,51%
  • Habitação: 0,96%
  • Artigos de residência: -0,01%
  • Vestuário: 0,79%
  • Transportes: -0,55%
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,19%
  • Despesas pessoais: 0,52%
  • Educação: 0,04%
  • Comunicação: 0,11%

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