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Puxada por alimentos, inflação começa 2023 em alta de 0,53%

É o quarto mês consecutivo de avanço, segundo o IBGE. No entanto, IPCA desacelerou na comparação com dezembro do ano passado. Em 12 meses, inflação acumula alta de 5,77%

Supermercado na zona sul do Rio de Janeiro. Foto: Tênia Rêgo/Agência Brasil
Em 12 meses, a inflação ficou em 5,77% Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Por Redação B3 Bora Investir

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é a inflação oficial do país, foi de 0,53% em janeiro. É o quarto mês consecutivo de alta, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quinta-feira, 09/02. Apesar do avanço, houve uma desaceleração em relação a dezembro (0,62%). O resultado veio abaixo das expectativas do mercado de alta de 0,57%.

IPCA – VARIAÇÃO MENSAL
Fonte: IBGE

Em 12 meses, a inflação ficou em 5,77%, uma perda de ritmo na comparação com o acumulado até dezembro (5,79%). No entanto, o valor segue bem acima da meta (3,25%) e do teto da meta (4,75%), definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

IPCA – VARIAÇÃO EM 12 MESES
Fonte: IBGE

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, apenas Vestuário (-0,27%) teve variação negativa em janeiro. É a primeira queda na atividade após 23 meses seguidos de altas (janeiro 2021).

“O recuo em janeiro de 2023 se deve ao fato de várias lojas terem aplicado descontos sobre os preços que foram praticados em dezembro, para o Natal. O fator que mais influenciou no resultado foi uma queda de 1,37% no item de roupas femininas”, explica o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov.

O maior impacto no mês passado veio do grupo Alimentação e bebidas (0,13 p.p.), seguido de Transportes (0,11 p.p.).

Alimentos e bebidas pesam mais

O grupo Alimentação e bebidas avançou 0,59% em janeiro, puxado pelo aumento nos preços da batata-inglesa (14,14%) e cenoura (17,55%). Houve altas também no valor do tomate (3,89%), das frutas (3,69%) e do arroz (3,13%). Do lado das quedas, destaque para a cebola (-22,68%), o frango em pedaços (-1,63%) e as carnes (-0,47%).

“As altas nesses dois casos se explicam pela grande quantidade de chuvas nas regiões produtoras. Por outro lado, observamos queda de 22,68% no preço da cebola, por conta da maior oferta vindo das regiões Nordeste e Sul, item que teve alta de mais de 130% em 2022”, afirma Kislanov.

A alimentação no domicílio avançou 0,60%, abaixo dos 0,71% registrados em dezembro. Comer fora de casa ficou 0,57% mais caro, puxado principalmente pelo aumento de 1,04% nos lanches.

Os preços de itens essenciais para curtir o Carnaval avançaram forte. Os refrigerantes e a água mineral estão 0,81% mais caros e a cerveja subiu 0,43% em janeiro. Ontem, o B3 Bora Investir mostrou que os produtos e serviços consumidos durante o verão e o carnaval estão 16% mais caros.

Alta dos combustíveis puxa grupo transportes

Os preços do grupo transportes avançaram 0,55% em janeiro, influenciados pela alta dos combustíveis (0,68%). O preço da gasolina subiu 0,83% e o etanol ficou 0,72% mais caro.

“Nos transportes, os destaques foram a gasolina, o emplacamento e licença, que incorporou pela primeira vez a fração referente ao IPVA de 2023, com alta de 1,60%, e o automóvel novo, com aumento de 0,83%”, esclarece o gerente da pesquisa do IBGE.

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Por outro lado, o óleo diesel (-1,40%) e o gás veicular (-0,85%) tiveram queda. Os preços dos transportes por aplicativo recuaram 17,03%, após alta de 10,67% em dezembro.

Maior impacto individual: combo telefonia, internet e TV

O grupo Comunicação teve a maior alta dentro do IPCA de janeiro – subiu 2,09%. Esse resultado foi puxado pelo avanço dos preços de TV por assinatura (11,78%) e combo de telefonia, internet e TV por assinatura (3,24%).

Segundo Pedro Kislanov, esse foi responsável pelo maior impacto individual (0,05 p.p.) no índice do mês.

“O resultado do grupo Comunicação é explicado principalmente por reajuste nos combos de telefonia, internet e tv por assinatura. Isso acaba impactando também os planos avulsos de tv por assinatura e internet, que também foram reajustados”, diz.

Saúde desacelera, mas segue em alta

O grupo Saúde e cuidados pessoas perdeu ritmo: saiu da alta de 1,60% em dezembro para um leve avanço de 0,16% em janeiro. O item que mais impactou para essa queda, de acordo com o gerente da pesquisa, foi o recuo de 1,26% nos itens de higiene pessoal.

“Esse resultado é explicado pela queda nos preços de perfumes e artigos de maquiagem. Observamos queda em novembro no contexto da Black Friday, alta logo após, em dezembro, e, em janeiro, nova queda com descontos sendo verificados no setor”.

Já a maior contribuição para o grupo veio dos planos de saúde – alta de 1,21%. O valor segue incorporando a fração mensal dos reajustes dos planos novos e antigos para o ciclo de 2022 a 2023, segundo o IBGE.

Habitação sobe puxada por água, esgoto e gás

O grupo Habitação voltou a avançar – de uma alta de 0,20% em dezembro para 0,33% no mês passado.

O avanço foi puxado pela taxa de água e esgoto (1,44%) – diante dos reajustes ocorridos em três áreas: Belo Horizonte (12,73%): reajuste de 14,62%, a partir de 1º de janeiro; Brasília (8,29%): reajuste de 9,51%, vigente desde 1º de janeiro; e Campo Grande (5,56%): reajuste de 6,89%, em vigor desde 3 de janeiro.

Veja abaixo as variações de cada grupo em janeiro:

  • Alimentação e bebidas: 0,59%
  • Habitação: 0,33%
  • Artigos de residência: 0,70%
  • Vestuário: -0,27%
  • Transportes: 0,55%
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,16%
  • Despesas pessoais: 0,76%
  • Educação: 0,36%
  • Comunicação: 2,09%

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