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Sem acordo sobre teto da dívida, calote inédito dos EUA está mais próximo

Reunião entre presidente Joe Biden e o líder da Câmara, o republicano Kevin McCarthy terminou sem acordo. Tesouro volta a alertar sobre falta de dinheiro já em 1º de junho.

Bandeira dos Estados Unidos tremulando asteada em frente a prédio histórico
Bandeira dos EUA; Foto: Adobe Stock

Por Redação B3 Bora Investir

O mercado financeiro mundial começou a terça-feira, 23/05, sob o impacto do impasse entre os presidentes dos Estados Unidos, Joe Biden, e da Câmara dos Deputados, Kevin McCarthy. Mais uma vez, não houve um acordo sobre a elevação do teto da dívida do governo dos Estados Unidos.

Faltam apenas dez dias para terminar o prazo limite da capacidade americana de pagar dívida, a falta de entendimento pode levar a um calote catastrófico dos EUA.

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Um possível default nos investimentos em títulos públicos causará um colapso da economia americana, pois paralisaria os serviços do governo e teria impacto na atividade econômica ao redor do mundo.

O problema se arrasta desde janeiro, quando o governo dos Estados Unidos atingiu o limite de empréstimos, o valor de US$ 31,4 trilhões.

Tom da reunião foi “mais positivo”

A reunião entre o democrata e o republicano na Casa Branca durou mais de uma hora. McCarthy tem pressionado o governo americano a concordar com cortes de gastos no orçamento federal. Contudo, a imposição é rechaçada por Biden, que propõe a criação de novos impostos.

Embora tenha concordado que cortes de gastos sejam necessários, Biden enfatizou que é necessário chegar a um acordo rápido.

Em comunicado à imprensa após a reunião na noite desta segunda-feira, 22/05, o presidente americano enfatizou as consequências do calote nos investidores para a economia dos EUA e do mundo. Ele acabou de voltar a Washington, após a reunião do G7 no Japão.

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“A população americana levaria um golpe no seu bem-estar econômico. Na verdade, o resto do mundo também levaria. (…) [portanto] reiteramos mais uma vez que o calote está fora de questão e a única maneira de avançar é de boa fé em direção a um acordo bipartidário”, disse Biden.

O presidente da Câmara afirmou que as divergências precisam e serão trabalhadas. Segundo McCarthy, ambos concordaram que é preciso “mudar a trajetória” para reduzir a dívida. Porém, ele não está disposto a considerar o plano de Biden de cortar o déficit com aumento de impostos sobre os ricos. Também não aceita o fechamento de brechas fiscais para as indústrias petrolífera e farmacêutica.

“O tom desta noite foi melhor do que em qualquer outra vez na qual tivemos discussões. Achei que tivemos uma discussão produtiva. Ainda não chegamos a um acordo, mas acredito que ainda podemos chegar lá”.

McCarthy disse ainda que espera falar diariamente com Biden até que um acordo seja fechado.

Impacto sobre imagem deve incentivar acordo

Apesar do impasse, os economistas da Guide Investimentos avaliam que um acordo deve acontecer em breve não só para manter a capacidade de pagamento dos Estados Unidos, mas também para evitar um impacto negativo na imagem do governo e do congresso americano.

À medida que o prazo vai chegando ao fim, analistas apontam que há um aumento da volatilidade – principalmente no mercado de títulos. “Hoje, o dia é de abertura das taxas nos EUA, com destaque para vencimentos mais curtos, o que parece estar refletindo em parte o maior prêmio de risco exigido por investidores frente à continuidade do impasse”.

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O governo americano pega dinheiro emprestado com os investidores de títulos públicos para arcar com os seus gastos. Diante da falta de verbas, o Tesouro tem feito manobras extraordinárias para não furar o teto.

Segundo reportagem da Bloomberg, na quarta-feira passada, 17/05, o Tesouro tinha usado quase US$ 92 bilhões em espaço criado sob o limite da dívida por meio de medidas contábeis especiais. Um dia depois, o caixa do Tesouro era de US$ 57,3 bilhões.

O Tesouro pode atingir um limite importante em 8 ou 9 de junho, quando os níveis de caixa caírem abaixo do mínimo de US$ 30 bilhões, segundo relatório do Goldman Sachs.

Preocupações do Tesouro Americano

Diante dos obstáculos para um acordo, a secretária do Tesouro americano, Janet Yellen, reafirmou que o país pode ficar sem ter como pagar suas despesas a partir de 1º de junho.

Em carta endereçada aos Congressistas, Yellen estimou ser “altamente provável que o Tesouro não consiga mais cumprir todas as obrigações do governo se o Congresso não agir para aumentar ou suspender o limite da dívida até o início de junho.

Em outro trecho da carta, Janet Yellen alertou novamente que um calote causaria graves danos aos mercados financeiros e à economia dos Estados Unidos. “Já vimos os custos de empréstimos do Tesouro aumentarem substancialmente para títulos com vencimento no início de junho”.

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