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Setor de serviços recua 1,6% em abril, pior que o esperado

Quatro das cinco atividades do setor tiveram queda, segundo o IBGE. Pior resultado veio dos transportes. Retração foi mais disseminada e atingiu 26 dos 27 estados

trabalhadores limpeza edifícios. Foto: Pixabay
O setor de serviços é o que possui o maior peso na economia brasileira. Foto: Pixabay

Por Redação B3 Bora Investir

O volume de serviços prestados no país recuou 1,6% em abril em relação ao mês anterior. A queda acontece após o setor acumular ganhos de 2,1% entre fevereiro e março, segundo divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira, 15/06.

O resultado veio bem abaixo da mediana do mercado, que esperava um recuo de 0,4%. Os números também estão piores do que a expectativa mais negativa, que projetava uma queda de 1,5%.

Apesar do recuo, em relação a abril do ano passado o setor avançou 2,7%. É a 26ª taxa positiva consecutiva. No ano, os serviços ainda estão positivos em 4,8%. Em 12 meses, no entanto, houve uma desaceleração de 7,3% em março para 6,8% em abril, menor resultado desde agosto de 2021.

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A queda do setor que mais emprega no país, após resultados mais amenos nos últimos meses, mostra que os juros elevados têm impactado os resultados. A pressão da inflação dos serviços, que representa 70% da economia brasileira, é apontada pelo Banco Central como um dos motivos pela manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano.

Para o economista da XP, Rodolfo Margato, os números corroboram para uma desaceleração gradual do setor ao longo do ano. “O movimento é um reflexo da dissipação do ‘impulso pós-Covid’, enfraquecimento do setor industrial e alguma estabilização das condições do mercado de trabalho”.

VOLUME DE SERVIÇOS PRESTADOS NO BRASIL (MÊS A MÊS)

Fonte: IBGE

Taxas negativas disseminadas

A queda do setor em abril veio acompanhada de uma maior disseminação de taxas negativas em todo o Brasil. Os serviços prestados recuaram nos 25 Estados e no Distrito Federal. Apenas no Ceará houve crescimento do setor (1%).

Os maiores impactos negativos vieram de São Paulo (-1,5%) e do Rio de Janeiro (-5,5%). Também houve forte queda em Santa Catarina (-3,5%), Goiás (-5,6%) e no Mato Grosso (-4,2%).

O gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo, explicou que esse tipo de disseminação é muito difícil de ocorrer. “Seja de taxas positivas ou negativas, é muito incomum de acontecer. A última vez foi em setembro de 2020, quando 26 estados tiveram resultados positivos”.

Atividades

Quatro das cinco atividades pesquisadas pelo IBGE tiveram queda entre março e abril. A principal contribuição negativa veio do setor de transportes, que desabou 4,4% e devolveu parte do ganho acumulado, de 7,5%, entre fevereiro e março.

“Vários segmentos de serviços dentro desse setor acabaram por gerar um impacto negativo: gestão de portos e terminais, transporte rodoviário de cargas, rodoviário coletivo de passageiros e transporte dutoviário”, afirmou o gerente da pesquisa.

O grupo de informação e comunicação caiu 1%. Nessa atividade os principais recuos vieram dos serviços audiovisuais (-4,2%) e de tecnologia da informação (-1,2%).

O resultado negativo também nos serviços de profissionais, administrativos e complementares (-0,6%), onde se destacam engenharia, apoio às atividades empresariais e gestão de feiras, congressos e convenções; e outros serviços (-1,1%).

“A queda desse último segmento foi pressionada pelos serviços financeiros auxiliares e de corretoras de títulos e valores mobiliários”, explica Rodrigo Lobo.

A única atividade que avançou foi a dos serviços prestados às famílias, que subiram 1,2%. Com o resultado, o grupo recuperou parte da perda entre fevereiro e março (-2,2%).

“O ganho nesse mês vem tanto de alojamento e alimentação (3,7%) como de outros serviços prestados às famílias (3,5%). Dentro desse segmento, a parte de atividades teatrais, musicais e de espetáculos em geral teve maior influência”, detalha o gerente do IBGE.

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