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Financiamento de veículos: como evitar que a aquisição vire dor de cabeça

Opções e condições do financiamento devem sempre ter atenção do comprador, assim como orçamento total do veículo

Financiamento veículo. Foto: Adobe Stock
O financiamento de veículo é uma opção quando o comprador não pode ou não quer esperar o acúmulo do dinheiro para comprá-lo à vista. Foto: Adobe Stock

Por João Paulo dos Santos

A compra de um carro segue na lista dos sonhos de consumo dos brasileiros. Segundo dados da B3, o financiamento de veículos cresceu 30% em março de 2023 na comparação com fevereiro. Porém, antes de tomar a decisão o comprador deve avaliar bem a situação para que a aquisição não vire dor de cabeça.

O financiamento de veículo é uma opção quando o comprador não pode ou não quer esperar o acúmulo do dinheiro para comprá-lo à vista. “Às vezes você precisa desse veículo para poder trabalhar ou para se deslocar ao trabalho. Ou até porque financeiramente não faz sentido você pegar qualquer tipo de transporte público/privado considerando que o custo que se tem com aquilo ou o tempo que você gasta não vale a pena financeiramente”, diz Antonio Sanches, analista da Rico Investimentos.

Para Larissa Frias, planejadora financeira do C6 Bank, a compra financiada também é uma boa alternativa mesmo para quem possui o valor total, quando a taxa de rendimento em uma aplicação é maior do que o custo do financiamento. Nesse caso, é mais vantajoso aplicar o valor e pagar a dívida.

Quais as opções de financiamento?

Existem basicamente três formas de financiamento: o feito diretamente com um banco ou instituição financeira, o consórcio ou o leasing.

Financiamento direto

No financiamento direto o cliente pega o dinheiro emprestado do banco, financeira ou até mesmo com a montadora, em troca de pagar parcelas mensais com juros. Geralmente esses financiamentos são feitos a partir da tabela Price, que é a tabela mais cara de financiamento quando a gente compara com a SAC, por exemplo.

“Nesse modelo as parcelas vão diminuindo e a amortização vai aumentando ao longo do tempo, mas no final das contas você acaba pagando um pouco mais de juros para esse banco, financeira ou montadora”, diz Sanchez.

A planejadora financeira do C6 ressalta que entre as opções de financiamento direto, a mais comum é o CDC (Crédito Direto ao Consumidor), que por ter o veículo como garantia do empréstimo, oferece taxas de juros mais atrativas.

Consórcio

Outra alternativa é o consórcio, modelo já conhecido no Brasil, que é uma opção para quem não tem pressa de adquirir o veículo. Nesse caso, o consumidor adquire uma cota de consórcio para, no futuro, usar essa carta de crédito como entrada ou valor total para compra do veículo, caso não seja contemplado rapidamente. 

Em contrapartida, no consórcio se tem taxas menores de juros ou às vezes apenas uma taxa de administração. “Isso pode fazer financeiramente mais sentido comparado ao financiamento, mas também depende da necessidade da pessoa, de quão rápido ela precisa do veículo”, explica o analista da Rico.

+ Consórcio ou financiamento: qual melhor opção para a compra de bens?

Leasing

Já o leasing é uma alternativa que costuma ser usada para compras de bens mais caros ou por empresas que precisam de crédito. Menos conhecido entre as opções, nele se tem basicamente um aluguel do veículo e ao final do prazo pode-se optar por pagar um valor para continuar com ele. 

O que é preciso analisar na hora de fazer um financiamento

Para Larissa Frias, antes de mais nada, é importante avaliar como esse financiamento se encaixa no seu orçamento e qual é a melhor opção para o seu momento de vida.

Outro ponto de atenção são os custos adicionais que são agregados à posse do veículo, como IPVA, combustível, manutenção (limpeza, troca de óleo, revisão) e seguro. Até mesmo gastos com garagem, zona azul e outros do tipo devem entrar na conta, bem como a depreciação do valor do carro.

“É sempre importante lembrar desses custos que muitas vezes fogem da cabeça do investidor, do comprador, mas que acabam fazendo a diferença no final do mês”, diz Sanches.

Além disso, é preciso conhecer exatamente o custo total do financiamento (ou custo efetivo total). Isso porque além da taxa de juros cobrada pela instituição que vai fazer o empréstimo, há cobrança de impostos, como o IOF, e outras taxas, relembra a planejadora do C6. 

Quais são os principais problemas com financiamentos e consórcios?

A advogada especialista em Direito do Consumidor, Luciana Roberto di Berardini, ressalta que na hora do financiamento é válido estar atento a algumas regras. Ela alerta que, geralmente, os principais problemas que o consumidor encontra estão relacionados às taxas ilegais e aos juros abusivos. 

“Mesmo que o comprador saiba que tais taxas são ilegais, o banco/financeira não as removerá do contrato. Dessa forma, ele terá duas alternativas: procurar outra instituição ou assinar o contrato e reclamar no Procon e/ou Banco Central e, caso não resolva, poderá consultar um advogado para propor uma ação”, explica a especialista.

Berardini lista quais taxas podem ser consideradas ilegais no contrato de financiamento:

  • Tarifa de Abertura de Crédito (TAC);
  • Tarifa de Emissão de Boleto (TEB);
  • Tarifa de Emissão de Carnê (TEC);
  • Tarifa de Liquidação Antecipada (TLA);
  • Taxa de serviços de terceiros;
  • Taxa de registro do contrato;
  • Taxa de avaliação do bem;
  • Tarifa de análise de crédito.

Quando os juros são abusivos?

A especialista em Direito do Consumidor explica que não existe uma regra prevista em lei, mas o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) considera juros abusivos aqueles que estão 50% acima da média do mercado para o tipo de contrato em discussão. 

“Se a média dos juros para empréstimo consignado de servidor público no mês de janeiro de 2023 foi de 1,00%, o seu contrato somente será considerado com juros abusivo se tiver, no mínimo, 1,5%, caso contrário as chances de sucesso são mínimas”, exemplifica.

A especialista também faz um alerta quanto a anúncios que prometem reduções exorbitantes nesses casos. “Tenha muito cuidado com empresas que fazem propaganda em televisão, prometendo milagres como baixar a parcela em 80%: em 99% dos casos isso é golpe”, adverte Luciana.

Quais tipos de investimento podem ajudar a pagar um financiamento de veículo?

Para Larissa Frias, os títulos de renda fixa prefixados são boas opções para pagar um financiamento de veículo. Já que esse tipo de aplicação predetermina os juros que o cliente vai receber até o vencimento do título, o que dá previsibilidade para pagar a parcela de um carro financiado, por exemplo. 

“Como é prefixada, a remuneração deste título independe do que ocorre com o cenário econômico dali em diante e o cliente sabe exatamente o que vai receber ao longo do tempo”, afirma ela.

Já Antonio Sanches acredita que os títulos pós-fixados de renda fixa também são boas alternativas. “É uma rentabilidade todos os meses e em boa parte destes investimentos você consegue encontrar investimentos com liquidez ou pelo menos com facilidade para você liquidar e conseguir utilizar o dinheiro”, diz.

+ Como conseguir comprar um carro? A renda fixa pode ajudar

Ele cita Tesouro Selic, CDBs, e até fundos de investimentos referenciados em DI que tenham boa liquidez como opções. Contudo, alerta que existem casos específicos que variam de investidor para investidor.

“Precisa saber se faz sentido de fato continuar com o financiamento ao invés de amortizar essa dívida ou pagar o carro à vista, o que muitas vezes  tem até algumas vantagens, como receber o carro um pouco mais barato ou não ter esse juros acumulado ao longo do tempo”, ressalta.

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