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Como montar uma carteira de investimentos internacional

Da pesquisa sobre o mercado em que se pretende aportar a conhecimentos sobre regulamentação e questões tributárias, é preciso tomar uma série de cuidados quando se decide diversificar no exterior

Fonte: Pixabay
Câmbio

Por Paula Pacheco, especial para o Bora Investir

Ter parte da carteira de investimentos com ativos internacionais é uma estratégia cada vez mais recomendada por especialistas. A explicação é simples: trata-se de uma forma de diversificar os riscos ao incluir outra moeda, geografia e setores em seu portfólio.

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A diversificação geográfica deve ser um dos critérios de composição da carteira de investimentos internacional, já que permite explorar diferentes regiões econômicas e considerar a inclusão de mercados emergentes, afirma Felipe Pássaro, gestor de Fundos da EQI Asset.

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Além disso, acrescenta, é importante selecionar diferentes classes de ativos, como ações, títulos e fundos de investimento, para criar um portfólio equilibrado. A exposição a diferentes moedas também é relevante para mitigar os riscos cambiais.

Estude o mercado

Outra recomendação, cita o gestor, é a realização de uma pesquisa aprofundada sobre o mercado internacional. Assim, o investidor poderá entender as condições econômicas, políticas e sociais de diferentes países.

O que fazer quando decidir ter uma carteira internacional?
1) Ao pesquisar, procure opções que aumentem a diversificação de países, moedas e setores da economia.
2) Estude o mercado em que vai investir para entender melhor suas características.
3) Assim como nos investimentos feitos no mercado brasileiro, leve em consideração questões como sua tolerância para risco, prazo do aporte e objetivo.
4) Pesquise a experiência e a credibilidade da corretora ou instituição financeira onde você fará seus aportes.
5) Fique atento a questões tributárias ao investir no exterior.
6) Cuidado com as oscilações e faça um planejamento que blinde o investimento do comportamento de manada.

Atenção ao perfil de risco

Como em todos os mercados, explica Sabrina Loureiro, head de Conteúdo e Research da Nomad, antes de tomar a decisão de alocação, o cliente deve conhecer seu perfil de risco. Em algumas plataformas, o próprio app oferece esse tipo de recurso.

A tolerância ao risco varia de pessoa para pessoa e tem a ver também com os objetivos de cada um, como aposentadoria, educação dos filhos e compra de um imóvel. Quem está guardando dinheiro para a aposentadoria e tem 30 anos, exemplifica a especialista, normalmente pode tolerar mais risco em seu portfólio do que uma pessoa de 80 anos que já se aposentou e depende da renda do patrimônio para viver.

Olho no prazo

O prazo é um componente importante da equação também. “Um dos maiores riscos é cair em armadilhas de curto prazo. O mercado financeiro naturalmente tem oscilações de preço e não adianta ficar olhando todo o dia para a carteira senão o investidor pode acabar agindo de forma precipitada e emocional”, diz Sabrina.

Para fugir desse comportamento, a head da Nomad aconselha ao cliente estabelecer intervalos regulares para reavaliar a estratégia de investimento e fazer os ajustes necessários.

Outra dica é fugir do comportamento de manada, tendo em mente os objetivos de longo prazo quando for o momento de fazer as realocações. Segundo a especialista, essa revisão pode ser feita trimestralmente, em alguns casos, ou acontecer em intervalos menores.

Metas definidas

Felipe Pássaro, da EQI Asset, sugere que, para definir objetivos claros para os investimentos, sejam estabelecidas as chamadas metas SMART, ou seja, metas Específicas, Mensuráveis, Alcançáveis, Relevantes e Temporais. Documentar essas metas e revisá-las periodicamente permite acompanhar o progresso ao longo do tempo.

Uma dúvida comum é como se deve definir o percentual do patrimônio que deve ser alocado no exterior. Isso vai depender, segundo Sabrina, do patrimônio total do cliente e seus objetivos.

“O que observamos é que clientes com maior patrimônio tendem a ter percentuais maiores de alocação internacional, chegando a mais de 90%. Mas, de qualquer forma, para trazer o benefício da diversificação, qualquer investidor pode pensar em ter no mínimo 20% do patrimônio em ativos em moeda forte, como o dólar por exemplo”, orienta a especialista da Nomad.

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