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Onde investir para viajar este ano, comprar um imóvel em 10 e se aposentar em 30 anos

Além do perfil de investidor, é preciso analisar qual o prazo de cada objetivo para escolher suas alocações

Relógio, tempo. Foto: Pixabay
A ideia principal do gerenciamento de tempo é entender o que é essencial de se fazer. Foto: Pixabay

Por Daniela Frabasile

Qualquer pessoa que começa a investir precisa, antes, responder a um questionário conhecido como suitability. Ao responder perguntas como “Com que frequência você avalia o desempenho da sua carteira de investimentos?”, “Como classificaria a sua experiência de investimentos?” e “Qual seria sua reação ao verificar uma perda de 10% em seu portfólio?”, descobre-se o seu perfil de investidor. Se você já investe, deve ter se deparado com o questionário na hora de abrir sua conta em uma corretora.

O objetivo é direcionar o investidor a produtos que se adequam ao seu perfil, a quanto de risco aquele investidor está disposto a tomar. Um investidor mais conservador tende a buscar opções mais seguras e previsíveis, como a renda fixa, enquanto os mais arrojados aceitam melhor o sobe e desce do mercado de ações.

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No entanto, não é só o perfil de investidor que define quais produtos devem compor um portfólio. O prazo de cada um dos objetivos que se deseja conquistar é outra variável de extrema importância.

“Independente do perfil, o prazo conta bastante. Num perfil conservador, por mais que se tenha mais renta fixa no portfólio, é possível escalonar o vencimento do título com cada objetivo”, diz Nayra Sombra, sócia da HCI Invest e planejadora financeira CFP pela Planejar.

Divida seus objetivos por prazo

Um primeiro passo é dividir sua carteira de acordo com os objetivos que você tem. Se você quer, por exemplo, viajar ainda neste ano e pretende também comprar um imóvel ou fazer um curso no exterior daqui a 10 anos, deve investir o dinheiro de forma diferente para cada um.

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Charo Alves, especialista da Valor Investimentos, explica: “é importante quebrar a carteira de investimentos em prazos de curto, médio e longo prazo. Quanto maior o prazo, maior a rentabilidade esperada, e quanto menor o prazo, menor a taxa”, explica. Isso porque se você pretende deixar o capital investido por mais tempo, pode aceitar mais riscos, em troca de uma rentabilidade maior.

Onde investir para daqui a 1 ano?

Quando o prazo do investimento é curto, a segurança é essencial para garantir que o investidor terá o dinheiro que está esperando na data necessária. Isso significa que, mesmo para os investidores arrojados, se o prazo é menor, vale a pena apostar nos títulos de renda fixa. “Um título pós-fixado, com liquidez diária ou com vencimento para daqui a um ano, por exemplo, para garantir o recurso”, diz Nayra Sombra.

Onde investir para daqui a 5 a 10 anos?

Quando se alonga o prazo, faz sentido começar a olhar para papéis com maior rentabilidade esperada. Em troca disso, o investidor precisará abrir mão de liquidez, ou seja, deixar de lado os títulos que permitem o resgate a qualquer momento e escolher aqueles com o vencimento que case com o seu prazo. “Quando você tira a liquidez diária, os títulos costumam pagar mais”, afirma Sombra.

Na renda fixa, é possível fazer um mix entre títulos públicos ou privados com diferentes indexadores, com parte dos recursos aplicada em prefixados, outra em pós-fixados e outra em títulos híbridos, que oferecem a variação da inflação mais uma taxa prefixada.  “Mesmo quem é mais conservador, se não tiver um plano eficiente para prazos mais longos deixa uma rentabilidade muito grande na mesa”, resume Alves.

Quem tem perfil moderado e arrojado pode ter ganhos também ao alocar em fundos multimercados ou fundos de ações de mais curto prazo, diz Nayra.  

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Onde investir para mais de 10 anos?

Para prazos mais longos, como uma aposentadoria, por exemplo, o investidor pode assumir mais riscos, com ativos de renda variável, por exemplo. “Com um prazo de dez anos, mesmo se houver volatilidade no caminho, há tempo de recuperar”, diz Nayra Sombra.

“Quem monta uma carteira com empresas sólidas, que geram caixa, dificilmente perde dinheiro num horizonte de dez anos, ainda mais se usar os dividendos para reinvestir”, afirma Alvez. Vale o alerta que diversificar é importante. “Se você concentra em uma empresa e ela passa por algum imprevisto, sua carteira pode balançar. Ao diversificar entre cinco a dez empresas, se uma tem alguma coisa errada, as outras podem compensar [o desempenho]”, diz o especialista da Valor Investimentos.

Já Nayra sugere que os investidores que não tenham conhecimento sobre o mercado de renda variável busquem fundos de ações. “Por mais que o investimento em ações seja de longo prazo, tenho de ter gestão ativa sobre a carteira. Isso envolve ler notícias sobre a empresa para avaliar o melhor momento para sair do investimento”, diz ela. “Para quem está trabalhando, fazendo outras coisas e não tem tempo ou conhecimento para acompanhar o mercado, o melhor é investir em fundos. Assim, você tem um gestor trabalhando para você”.

Mesmo assim, o ideal é diversificar a carteira e não deixar totalmente de lado os papéis de renda fixa. “No ano passado, quem tinha uma carteira de ações possivelmente perdeu para o CDI, e quem tinha uma carteira mais conservadora alocada em renda fixa ganhou. A expectativa para esse ano é o contrário. Como não temos uma grande previsibilidade, o ideal é diversificar”, afirma Nayra Sombra.

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