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Um PIB maior significa mais inflação? Entenda

A surpresa positiva no PIB do país fez a bolsa subir, assim como as expectativas de inflação futura

Dinheiro. Foto: Marcelo Casal Jr./Agência Brasil
A economia é cheia de correlação, mas nenhuma delas tem relação com as demais. Foto: Marcelo Casal Jr./Agência Brasil

Por Guilherme Naldis

Depois que o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre saiu, muita coisa aconteceu. O dólar caiu, a bolsa subiu e a última edição da pesquisa Focus do Banco Central do Brasil (BCB) mostrou que as expectativas de inflação para o futuro, também. A razão para isso está na surpresa positiva do PIB que, segundo alguns agentes econômicos, pode levar a uma nova alta dos preços.

A expectativa de inflação para este ano foi de 4,90% para 4,92%, acima do teto da meta perseguida pelo BCB, de 4,75%. A meta de inflação deste ano é de 3,25% e pode oscilar até 1,5 ponto porcentual para cima e para baixo. Já para o 2024, a estimativa do ritmo do aumento dos preços subiu de 3,87% para 3,88%. A meta para o ano que vem é de 3%.

+ O que é o PIB e por que ele é importante para a economia do país?

Mas, para os especialistas ouvidos pelo Bora Investir, não há uma relação diretamente proporcional entre o PIB e a inflação. É possível que um caia e o outro suba, mas também é possível ver uma retração dos dois indicadores ou subidas conjuntas.

Por que o PIB subiu?

Segundo Carla Beni, economista e professora da FGV, o crescimento do PIB significa que o Brasil adicionou mais valor à sua economia. No caso do último semestre, a adição veio por parte do setor agropecuário, que registrou exportações sem precedentes.

Ou seja: o Brasil mandou commodities agrícolas para o mundo e, em troca, o mundo enviou cédulas de dólar para o País. Por isso, o real tem se valorizado desde o início do ano. Assim, todas as mercadorias importadas e os componentes vindos do exterior (portanto, são comprados em dólar), tiveram uma baixa de preços.

+ Inflação: o que é, como afeta seu bolso e como se proteger

E, se seus preços caíram, eles viveram uma deflação, não uma inflação. Ao mesmo tempo, a inflação oficial do Brasil medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) tem se mantido estável, em desinflação. 

“Uma alta do PIB não significa que a inflação vai acompanhar. Isso seria muito ruim, porque o crescimento dos países não seria algo positivo e os governos tentariam conter a expansão dos países”, explicou Beni. 

Por que as projeções de inflação subiram?

A professora explica que a inflação pode ter quatro causas, do ponto de vista da política monetária:

  1. Demanda ou consumo da população
  2. Custos de produção 
  3. Inércia da economia
  4. Expectativa de inflação futura 

Assim, os agentes econômicos tomam suas decisões de negócios e fazem suas projeções para o futuro analisando estes quatro fatores – em especial, quando se trata de renda fixa. 

“Se o maior componente do aumento do PIB fosse o consumo das famílias, aí sim se poderia dizer que há alguma correlação”, disse a professora. Mas, visto que o 78,5% da população brasileira está endividada, não é o caso, afirma Beni.

O que se observa é, na verdade, uma projeção de inflação vinda da parte dos custos para a produção. Neste caso, a elevação ainda é reflexo do reajuste no preço da gasolina e do diesel para as distribuidoras, implantado pela Petrobras.

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