Organizar as contas

Como o endividamento recorde no Brasil mexe com o seu bolso?

Número de endividados teve o terceiro aumento consecutivo; total de inadimplentes alcançou marca histórica. Veja como não fazer parte dessas estatísticas.

Fotografia de um par de mãos segura uma carteira vazia.
O recorde da série histórica do Banco Central ocorreu há exatamente um ano, em julho de 2022 (50,1%). Foto: Adobe Stock

O número de famílias endividadas atingiu o recorde em setembro, assim como o número de inadimplentes. Foi essa a conclusão do último levantamento da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Segundo o estudo, 79,3% dos lares brasileiros têm dívidas a vencer; trata-se do terceiro aumento consecutivo. Já as famílias com contas em atraso somam 30% – o maior percentual da série histórica iniciada em 2010.

Com os brasileiros cada vez mais tendo que lidar com dívidas, encaixá-las no orçamento virou parte fundamental de um planejamento financeiro. Abaixo estão listadas algumas dicas de especialistas para te ajudar a resolver – e evitar – as contas batendo à porta.

O que é a reestruturação de dívidas?

De acordo com a última Peic, o aumento de endividados se deveu à maior contratação de dívidas entre consumidores de renda média e baixa. Nesse espectro, está um fenômeno conhecido como reestruturação de dívidas, o que na prática significa tomar um empréstimo para pagar outro.

Como o juros do crédito consignado tende a ser os mais baixos do mercado, é comum que ele seja o escolhido para quitar dívidas feitas anteriormente.

Porém, o professora da B3 Educação, André Massaro, lembra que as parcelas previstas no começo do consignado podem ter aumento de valor durante o período de empréstimo, variando de acordo com a redefinição da taxa básica de juros (Selic).

Desse modo, a recomendação de Massaro é fazer um planejamento financeiro antes de contratar o consignado e se certificar se haverá dinheiro para pagar esse empréstimo.

Como fazer um planejamento financeiro?

Segundo Teco Medina – palestrante, escritor e apresentador da Rádio CBN – o grande problema do brasileiro é não ter o hábito de fazer um orçamento pessoal.

A boa notícia é que algo muito simples; para começar, basta anotar numa planilha ou outro tipo de documento o quanto se gasta e o quanto se ganha.

Medina também observa que, enquanto é mais difícil otimizar a renda – tendo em mente que aumentos de salário se dão só uma vez por ano -, o corte de gastos costuma ser o principal meio de balancear um orçamento e evitar as dívidas.

Como se livrar das dívidas?

A recomendação de Júlia Athayde, responsável de negócios no Minhas Economias, é semelhante à de Medina: fazer um orçamento pessoal é o mais importante na hora de controlar dívidas.

Além de contabilizar ganhos e gastos, também é importante entender o fluxo das despesas. Segundo Athayde, é recomendado analisar todas as contas dos últimos meses e agrupá-las por categorias, como moradia, lazer e saúde. Isso permite entender aonde o dinheiro está indo e encontrar oportunidades de economia.

Nesse sentido, outra recomendação é estabelecer limites de gastos para cada categoria, valores que variam de acordo com cada pessoa ou família. Porém, o que sempre deve acontecer é ter despesas menores que os ganhos. Quando isso acontece, fica mais fácil poupar e investir.

Devo investir se tiver dívidas?

Segundo Bernardo Pascowitch, fundador do YUBB, a inadimplência deve ser vista como um impedimento a quem quer começar a investir, já que o juros a ser pago num empréstimo tende a ser maior que o retorno de um investimento.

Já as dívidas não são um impedimento contra o hábito de investir, pois se alguém paga as parcelas de um financiamento ou empréstimo sem atrasos, então essa despesa já está bem ajustada no orçamento.

Para mais conteúdos sobre finanças pessoais, confira os conteúdos gratuitos do Hub de Educação Financeira da B3.

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