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Inflação do Dia dos Pais: presentes relacionados à data sobem 2,86%; calçados e celulares recuam

A "inflação do Dia dos Pais" teve uma leve desaceleração frente aos 2,90% registrados no mesmo período do ano anterior

O Dia dos Pais é uma data comemorativa que movimenta o Brasil não apenas nos sentimentos, mas também no bolso. Com tradição de presentear as figuras paternas, os brasileiros costumam gastar a mais na data para celebrar. E em 2026, comprar o desejo dos pais ou sair com eles ficou um pouco mais caro na média.

Um levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE) analisou a evolução dos preços dos produtos e serviços tradicionalmente escolhidos como presentes no Dia dos Pais. Os resultados revelaram que a cesta de produtos do Dia dos Pais apresentou variação média acumulada de 2,86% em 12 meses, uma leve desaceleração frente aos 2,90% registrados no mesmo período do ano anterior e um índice inferior aos 4,02% do IPC-M acumulado em 12 meses até julho de 2026.

Esse recuo no ritmo de preços foi puxado justamente por presentes tradicionais da data. Os calçados masculinos passaram de uma alta de 1,59% para uma queda de 2,82% em 12 meses, enquanto roupas masculinas (0,86%) e perfumes (-0,03%) também subiram bem menos do que no período anterior, ajudando a segurar a inflação da cesta.

Na contramão, os restaurantes seguiram como o principal ponto de pressão, com alta acumulada de 6,50% em 12 meses – acima dos 5,98% do período anterior. Entre os demais avanços aparecem livros não didáticos (5,73%), teatro (4,35%) e computador e periféricos (3,19%).

No campo da tecnologia e dos acessórios, os preços seguiram comportados: o aparelho telefônico celular permaneceu em queda (-2,08%) e itens como óculos e lentes (2,26%) e instrumentos musicais (0,66%) registraram altas modestas, sem pressionar a cesta.

“Os números mostram que a cesta do Dia dos Pais desacelerou levemente em relação ao ano passado, ajudada justamente por presentes clássicos da data: calçados e roupas masculinas e perfumes subiram menos, ou até recuaram, e ajudaram a segurar o índice. A principal exceção ficou por conta dos restaurantes, que continuaram subindo acima da inflação geral”, explica Matheus Dias, economista do FGV IBRE.

Como parte da explicação, ele destaca a diferença de comportamento entre bens industriais e serviços na dinâmica de preços dos produtos consumidos no Dia dos Pais. “Itens como calçados, roupas masculinas e perfumes são bens mais sensíveis à concorrência no varejo e à demanda, o que favorece promoções e reajustes para cima mais contidos. Já os restaurantes, por serem um serviço, carregam forte peso dos salários na estrutura de custos e maior rigidez na fixação de preços, fatores normalmente reajustados com maior defasagem – o que explica por que continuam pressionando a cesta mesmo diante da desaceleração dos bens industriais e dos alimentos ao longo do ano.”, destaca o economista.

Dias conclui: “Mesmo com os restaurantes ainda puxando para cima, a cesta do Dia dos Pais desacelerou em relação ao ano passado, já que boa parte dos presentes típicos da data – como calçados e roupas masculinas e perfumes – subiu menos ou recuou. A inflação da cesta ficou em 2,86%, ainda inferior à inflação geral e mais favorável ao consumidor do que no período de 2022 a 2023, quando o Dia dos Pais chegou a 4,03%, com alta em quase todos os grupos cobertos por este levantamento”, pondera.

Inflação da cesta de produtos e serviços “do Dia dos Pais”

Itens selecionados
Ago/22 a Jul/23 (%)Ago/23 a Jul/24 (%)Ago/24 a Jul/25 (%)Ago/25 a Jul/26 (%)
IPC-M2,793,914,284,02
Dia dos pais4,031,912,902,86
RESTAURANTES5,273,685,986,50
LIVROS NÃO DIDÁTICOS8,275,81-0,265,73
TEATRO2,685,904,604,35
COMPUTADOR E PERIFÉRICOS-4,31-1,702,023,19
RELÓGIO4,223,570,512,68
ÓCULOS E LENTES3,502,413,652,26
CINEMA5,644,63-1,531,76
ROUPAS MASCULINAS5,53-0,591,640,86
INSTRUMENTO MUSICAL1,27-0,912,720,66
SHOW MUSICAL3,101,790,250,58
PERFUME8,273,031,71-0,03
APARELHO TELEFÔNICO CELULAR-2,56-3,53-2,52-2,08
CALÇADOS MASCULINOS3,102,081,59-2,82
Fonte: IPC-M do FGV IBRE

A pesquisa utilizou como base a Sondagem do Consumidor para mapear os itens mais procurados para a data comemorativa, enquanto o Índice de Preços ao Consumidor – Mercado (IPC-M) serviu para captar as variações de preços desses produtos.

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