Tipos de investimentos

Você sabe o que é hedge no mercado financeiro?

Operação tem objetivo de proteger investidores de variações bruscas nos preços dos ativos

Gráfico de ações como cores verdes e vermelhas. Foto: Adobe Stock
De um modo geral, quem se interessa em hedgiar (ou “fazer um hedge de”) um ativo possui operações sujeitas a sofrerem um grande impacto. Foto: Adobe Stock

No mercado de capitais, as operações de hedge são uma das bases para a proteção dos ativos, sejam eles ações, moedas, commodities, indexadores ou até fundos de investimentos. Por meio do hedge, os participantes do mercado conseguem reduzir o risco de perda financeira com uma variação abrupta no preço do ativo.

De um modo geral, quem se interessa em hedgiar (ou “fazer um hedge de”) um ativo possui operações sujeitas a sofrerem um grande impacto. É o caso, por exemplo, de investidores que querem se proteger de uma variação brusca na cotação de uma moeda, de commodities ou, ainda, da taxa de juros, a Selic.

Vamos imaginar que você vai passar um mês de férias nos Estados Unidos daqui a um ano. O fato é que, se o dólar se valorizar muito nos próximos doze meses, sua viagem ficará mais cara, pois terá de gastar mais reais para adquirir uma moeda norte-americana.

Que tal comprar alguns dólares agora e usar um contrato de derivativo da B3 para se proteger dessa possibilidade de alta da moeda no futuro? Para essa solução, existe um produto chamado “minicontrato de opção de dólar”. Neste caso, você pagará um valor para ter o direito de compra (e não a obrigação) da moeda na cotação e no prazo combinados com um outro investidor no mercado, numa data futura.

Esta é uma típica situação em que o investidor pessoa física precisa fazer um hedge, protegendo-se de uma eventual alta da moeda, porém, sem a necessidade de efetuar uma compra antecipada.

Fazer um contrato de opção para se proteger da variação de um ativo (neste exemplo, do dólar) é uma maneira de fazer um hedge para sua operação – neste caso, ao garantir o orçamento da sua viagem ao exterior. Afinal, quem paga pela opção tem a liberdade de comprar ou não comprar o ativo, enquanto aquele que coloca a opção no mercado está obrigado a vender se o seu direito for exercido.

Os contratos futuros também são muito utilizados pelas empresas exportadoras ou importadoras para se protegerem de prejuízos em eventuais oscilações da moeda em que suas mercadorias estão sendo negociadas. Companhias do agronegócio são outros exemplos de usuárias desse mecanismo de de hedge, já que os seus produtos – as commodities agrícolas – têm um preço estabelecido internacionalmente.

Por exemplo, um exportador de soja sabe que precisará vender cada saca a R$ 100 para não ter prejuízo. Contudo, no intervalo de tempo entre o plantio da semente e a hora da colheita, a China pode ter anunciado uma supersafra, derrubando o preço da mercadoria mundial para R$ 90. Para se proteger dessa desvalorização, esse produtor realiza um contrato futuro, fixando o preço de venda da sua mercadoria a R$ 100 na B3 – bolsa de valores, em uma data específica.

Mas preste atenção: no mesmo modo que ele neutralizou o prejuízo de uma eventual desvalorização da soja, sua empresa também estará renunciando a um ganho inesperado, caso o preço da soja suba no período de vigência do contrato futuro.

Saiba mais como funcionam os contratos futuros e derivativos clicando aqui!

Entendeu o conceito das operações de hedge? Sim, elas são bastante comuns na B3, apesar de muitas pessoas físicas ainda desconhecerem sua importância.

Aproveite e confira um conteúdo exclusivo sobre a importância do hedge no Hub de Educação Financeira da B3!

Um pouco de história sobre o Hedge

As primeiras operações de hedge tiveram início no século XIX, na bolsa de Chicago, conhecida pela negociação de grãos. Foi lá que os agricultores que vendiam para diferentes países sentiram a necessidade de usar um contrato futuro a fim de fixar um preço para a sua produção. Com isso, cada saca de grãos ganhou um valor pré-estabelecido suficiente para preservar a margem de lucro desses exportadores.

Desde então, seu uso começou a ganhar a simpatia dos investidores, que passaram a operar contratos com outros ativos, visando a proteção em relação ao câmbio ou até mesmo de um valor para determinada ação de empresa.

Você pode hedgiar tudo!

O hedge não serve apenas para quem deseja fixar o preço de uma moeda estrangeira ou de uma mercadoria cotada internacionalmente. Há diversas operações na bolsa que envolvem a proteção de um ativo contra possíveis oscilações do seu preço no futuro, e elas também são consideradas um modo de hedgiar o investidor.

Vamos dar um exemplo no mercado de ações. Saiba que é possível fazer um contrato derivativo (contrato a termo), em que dois investidores combinam entre si o preço das ações daquela companhia para a compra e venda em uma data futura pré-determinada. Por que eles fazem isso? Ora, porque um acredita que o ativo vai valorizar, e outro vê um cenário oposto no futuro.

Quando chegar o dia específico, a parte compradora está comprometida a adquirir o ativo pelo preço fixado, assim como a outra parte precisa disponibilizá-lo, de acordo com as regras do contrato. Há vários tipos de contratos derivativos que viabilizam esse tipo de negociação.

É claro que nem sempre é possível achar duas partes interessadas em negociar o mesmo ativo, naquele determinado valor e em quantidade padronizada para facilitar a negociação. Por causa da baixa liquidez das ações de certas companhias, é mais fácil encontrar alternativas para hedge de dólar, commodities agrícolas e índices, como o Ibovespa B3.

Quais são os tipos de hedge?

Dentre essas possibilidades de proteção financeira, existem alguns tipos de que você precisa conhecer. Acompanhe a seguir:

– Hedge de dólar

Esse mecanismo de proteção é muito usado por investidores que compram títulos de outros países (um BDR, por exemplo) e não querem acumular, junto com o risco do ativo, um possível prejuízo de desvalorização da moeda internacional.

Para isso, é possível adquirir um contrato futuro de dólar ou euro, fixando o valor da moeda estrangeira para se proteger da variação cambial em um determinado período. É como o exemplo que trouxemos no início deste texto.

– Hedge com opções

Este é o produto do mercado financeiro que usamos como exemplo no início deste texto. Com um contrato de “opção”, o investidor compra o direito de comprar ou vender um ativo. Veja este caso de hedge do preço de uma ação, por meio desse contrato.

Um investidor gostaria de comprar uma ação por até R$ 30. Sendo assim, ele compra uma opção de compra de R$ 30. No dia do vencimento do contrato dessa opção, se a ação estiver valendo menos de R$ 30 no mercado à vista, o investidor pode desistir da compra. Porém, se o valor atual for maior do que R$ 30, ele poderá aproveitar aquela oportunidade, pois a outra parte será obrigada a arcar com o compromisso, vendendo a ação pelo preço combinado.

Dessa forma, ele se protegeu de uma valorização de um ativo, ou – em outra palavras – fez o “hegde” da operação, garantindo que não iria desembolsar mais do que gostaria. ​

– Hedge com contratos de swap

Outra operação de hedge disponível no mercado leva o nome de swap. Essa é uma modalidade sofisticada e voltada para investidores muito experientes e, na maioria das vezes, empresas, instituições financeiras e bancos.

Basicamente, esse é um contrato de troca de riscos, utilizado para se proteger da variação de taxas de juros, moedas e commodities. Por exemplo, se a empresa XIS S.A. tem produtos lastreados ao dólar, mas teme que o dólar caia.

Então, ela troca esse risco (por meio de um contrato de swap) com uma segunda empresa YPSLON S.A., que tem produtos lastreados na taxa Selic e, com receio de que a taxa suba.

Portanto, um hedge de swap é feito quando as duas partes aceitam trocar seus riscos por meio de um contrato para se protegerem: um do risco cambial e o outro, quanto à variação de um indexador, por exemplo, a taxa básica de juros (Selic).

O Banco Central do Brasil utiliza muito o swap cambial como forma de “hedgiar” (ou proteger) oscilações bruscas do dólar na economia. É a maneira de o governo mostrar que pode comprar a moeda estrangeira por um valor pré-fixado, evitando que o mercado leve sua cotação às alturas em tempos de turbulências econômicas.

Quer saber mais sobre os contratos de swap? Acesse o post que temos aqui em nosso site e se aprofunde cada vez mais nos temas do mercado financeiro com o Bora Investir!

Para saber ainda mais sobre investimentos e educação financeira, não deixe de visitar o Hub de Educação da B3.

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