Tesouro direto

ETF do Tesouro Selic pode ser usado como reserva de emergência?

Para especialistas, o ETF Tesouro Selic pode ser interessante para este objetivo, ainda que com algumas ponderações

Boneco caminhando até uma bóia com moedas
Boia e dinheiro: Tesouro Selic é o mais indicado para a reserva de emergência, mas existem diversas formas de investir no título. Foto: Adobe Stock

Por Marília Almeida

Lançado no final de 2022, o ETF Tesouro Selic (LFTS11) já reúne mais de 10 mil cotistas. Como o Tesouro Selic é a aplicação mais recomendada para a construção da reserva de emergência, faz sentido investir no fundo de índice com o intuito de fazer frente a gastos imprevistos?

Para especialistas, o novo tipo de investimento pode ser, sim, interessante para este objetivo, ainda que com algumas ponderações.

Marília Fontes, sócia da casa de análises Nord, aponta que o LFTS11 é a melhor opção para quem usar o dinheiro em menos de 6 meses, já que sobre ele incide sempre a alíquota de 15% do Imposto de Renda. Isso porque o índice é formado por títulos com vencimento em mais de dois anos. Já nos fundos Tesouro Selic Simples e no Tesouro Selic, paga-se 22,5% de IR neste prazo, conforme a tabela regressiva.

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Fábio Gallo, professor da FGV, reforça a visão de Fontes e lembra que o fundo não tem cobrança de IOF, caso o investidor deseje retirar os valores em menos de 30 dias. “Ou seja, o fundo dispensa que o investidor tenha preocupação com prazos: ele entra e sai da aplicação quando quiser”.

Além da ausência de IOF, outra vantagem é que o ETF Tesouro Selic não tem come-cotas, diz Michel Viriato, sócio da Casa do Investidor.

Pontos de alerta

Cláudia Yoshinaga, coordenadora do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGVCef), faz algumas objeções ao uso do ETF para a construção de uma reserva de emergência. “Investimentos mais simples, como fundo DI e Tesouro Selic, são mais alinhados com a necessidade de liquidez imediata da reserva”.

A visão é reforçada por Gallo. “Pode ser que o investidor tenha dificuldade em sair do ETF. A oscilação de preços e marcação a mercado também podem ser uma desvantagem”. Fontes aponta que a cobrança de taxa de administração de 0,19% ao ano é uma despesa que pode pesar no caso de investimentos mais longos.

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Para Yoshinaga, o funcionamento do ETF é mais complexo do que a compra de títulos públicos. É necessário entrar no home broker da corretora para comprar e vender a cota, por exemplo. “É algo que pode se tornar mais simples à medida em que o investidor seja mais familiarizado com a aplicação. Do contrário, é mais fácil entrar no internet banking de um grande banco e pedir o resgate de um fundo DI, conclui a coordenadora do FGV-Cef.

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