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BDRs de ETFs de renda fixa: negociações aumentam 153% em fevereiro. É hora de investir?

Segundo especialistas, aposta de que ciclo de alta dos juros americanos terminou ou está perto de ser encerrado pode elevar retornos dos BDRs de ETFs de renda fixa

ETF. Foto: Adobe Stock
O tipo de investimento é uma opção para quem quer investir em ativos do exterior. Foto: Adobe Stock

Por Marília Almeida

Uma nova aplicação financeira vem caindo no gosto dos pequenos investidores: são os BDRs de ETFs de renda fixa americanos. O volume médio negociado por dia nestas aplicações, que replicam índices de títulos de renda fixa nos Estados Unidos, aumentou 153% apenas em um mês. Saltou de R$ 3,7 milhões em janeiro para R$ 9,1 milhões em fevereiro.

Em novembro, o volume de negociação dos BDRs de ETFs de renda fixa era irrisório: alcançava R$ 163 mil. Os produtos começaram a ser negociados na B3 em fevereiro do ano passado, mas somente a partir de junho passaram a ser acessados por qualquer tipo de investidor, e não apenas qualificados (que têm mais de R$ 1 milhão para investir). Atualmente, mais de 90% dos compradores dos BDRs de ETFs de renda fixa são investidores pessoas físicas.

B3

Os BDRs são recibos que permitem que cotas de fundos estrangeiros sejam negociadas na B3. Já os ETFs são fundos negociados em bolsa que buscam refletir as variações e a rentabilidade de índices de renda fixa cujas carteiras são compostas, majoritariamente, por títulos públicos ou títulos privados. Para emissão do BDR de ETF, o administrador dos ETFs no exterior realiza um contrato com uma instituição financeira no Brasil.

O salto no volume negociado dos produtos acontece no momento em que o BC americano, continua a aumentar a taxa básica de juros no país. Na semana passada o Fed aumentou os juros em 0,25 ponto percentual e sinalizou que a alta ainda não terminou.

Os BDRs de ETFs mais negociados

Veja abaixo os 5 BDRs de ETF de renda fixa mais negociados em fevereiro. Os valores se referem ao volume médio negociado por dia:

O BHYG39 é um índice que reflete títulos de empresas com nota de crédito abaixo do grau de investimento.

Já o BSHV39 replica um índice de títulos do Tesouro americano de curto prazo, enquanto o BLQD39 é formado por uma carteira de títulos corporativos de empresas com grau de investimento.

Por fim, a carteira do BTLT39 é composta por títulos públicos de longo prazo, e a do BIYT39 é especializada em títulos de empresas do setor de mobilidade.

Aposta na queda dos juros

Investir agora em ETFs americanos é apostar que os juros devam cair. Segundo William Eid, professor do Centro de Finanças da FGV (FGV-Cef), no momento em que as taxas de juros sobem o valor dos títulos de renda fixa caem.

Um exemplo é o ETF mais negociado, o HYG, segue um índice de títulos corporativos high yield e desvalorizou 13,69% nos últimos 5 anos. No último mês, o fundo registra queda de cerca de 1,4%.

Mas como faltam alternativas de investimentos em um cenário de juros altos e com expectativas estáveis o investidor pode achar que estas aplicações estão baratas agora, aponta Eid. “Além disso, em algum momento as taxas de juros vão cair. Neste cenário, os preços dos títulos voltam a subir e, com eles, os ETFs”.

Portanto, se posicionar nos BDRs de ETFs de renda fixa lá fora faz sentido agora, na visão de Eid. A expectativa é de que a classe de ativo seja a primeira a se recuperar na economia americana quando o aperto monetário pelo Fed encerrar.

Vinicius Romano, especialista de renda fixa na Suno Research, pondera que ainda existem turbulências causadas pela crise de crédito global. “Nada impede que o Fed continue subindo os juros e os rendimentos dos ETFs ainda sofram. Mas dificilmente o Fed vai dobrar os juros novamente. Comparando o risco ao retorno que o investidor pode ter quando as taxas começarem a cair, compensa”.

Eid aponta que investir em um ETF de títulos de empresas sem grau de investimento (high yield) não é tão arriscado, mesmo com a ameaça de uma crise de crédito. “Um índice é composto por dezenas de títulos, incluindo empresas renomadas, como a Ford. Mesmo que um deles tenha problemas para honrar suas dívidas, não afetará o ETF de forma relevante”.

Romano aponta que pode ser interessante diversificar a aplicação entre os ETFs mais líquidos.

Vantagens dos BDRs de ETFs de renda fixa

Entre as vantagens dos BDRs de ETFs de renda fixa está o fácil acesso a fundos estrangeiros e exposição a juros de outros países sem a necessidade de pagamento de taxas relacionadas à remessa de recursos para o exterior.

As operações são realizadas no Brasil e liquidadas em reais, mesmo que o investidor esteja exposto às variações de preços de um ativo em dólar. Ou seja, dispensa a abertura de uma conta lá fora.

Diferente dos títulos tradicionais de renda fixa, que respeitam a tabela regressiva do IR, os ETFs de renda fixa costumam ter alíquota de 15% independente do período de aplicação.

No caso dos custos, também tendem a ser mais baratos, já que comparando com um fundo com gestão ativa o “esforço” dos profissionais envolvidos é menor (ETFs seguem índices de mercado).

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