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7 perguntas que você precisa responder antes de começar a investir em ações

Qualquer pessoa pode investir em ações de empresas e não é preciso ter muito dinheiro. Mas, é preciso saber se você tem perfil para esse investimento

Pessoa sentada em um parque lendo um dicionário. Foto: Adobe Stock
Assim como em outros setores, muitos termos usados no pregão fogem do comum e são difíceis de entender. Foto: Adobe Stock

Por Élida Oliveira, especial para o Bora Investir

Está curioso para comprar ações, mas ainda não sabe se esse é o melhor investimento para você? O melhor caminho para ter certeza é saber a resposta de algumas perguntas, que podem lhe trazer maior clareza na tomada de decisão antes de se tornar um acionista.

Ao comprar ações, o que você está adquirindo é a participação em uma sociedade, explica Eduardo Becker, professor de ações e análise técnica da B3. 

Em troca, você lucra com a valorização do papel e a distribuição dos lucros. Toda empresa listada na Bolsa de Valores deve distribuir um percentual de seus lucros aos acionistas, o que pode vir em forma de dividendos, ou JCP (Juros sobre Capital Próprio), por exemplo. 

Confira abaixo 7 questões que você precisa saber antes de investir em ações:

1. Qualquer pessoa pode investir?

Sim. Para investir em ações, basta ter um CPF válido e ativo. Becker lembra que até menores de idade podem comprar ações individualmente ou em uma conta conjunta com um dos responsáveis legais.

Porém, é preciso conhecer seu perfil de investidor. Esse tipo de investimento é chamado de renda variável, porque não dá para saber ao certo qual será o lucro do acionista – é diferente dos investimentos em renda fixa, por exemplo, que o rendimento está atrelado a uma taxa ou índice fixo, como a Taxa Selic. 

Sabendo desse ponto, é importante se perguntar como você reagiria aos altos e baixos da Bolsa de Valores. No mundo dos investimentos, isso é chamado de “aversão ao risco”. Se você tiver uma alta aversão e se desesperar com a queda da ação, esse tipo de investimento pode não ser o ideal para você. 

A dica aqui é olhar para seu portfólio de investimentos de forma completa, ou seja, não vai colocar tudo em ações para ficar com o patrimônio flutuante. A ideia é distribuir percentuais variados em investimentos diversos. Glauco Legat, sócio da TRAAD Investimentos, afirma que dá para otimizar os ganhos aplicando parte dos investimentos em renda variável. Assim, mesmo que seja uma pequena parte, ainda dá para ter os benefícios desta classe de ativos.

2. Preciso ter muito dinheiro para investir em ações?

Não. Atualmente, há ações sendo negociadas a menos de R$ 5 e os valores não estão ligados à qualidade da empresa, segundo Becker. 

O importante é o investidor estudar a empresa e conhecer seus fundamentos – política de gestão, planos para o futuro, como foram os ganhos no passado. 

3. Quais os riscos de se investir em ações?

Há o risco da variação de mercado, que provoca o sobe e desce na cotação da ação. Você pode comprar um papel hoje e vê-lo se valorizar ou desvalorizar. Há formas de tentar diminuir os riscos, estudando as características da empresa, mas há elementos que fogem do controle do investidor, como foi o caso da pandemia de Covid-19.

Além disso, é preciso saber que, quando compramos uma ação, nos tornamos sócios de uma empresa. Portanto, se ela falir e deixar de existir, perderemos todo o dinheiro que foi investido nela. Vale dizer que a dívida da empresa não passa para o acionista, mas o papel adquirido deixa de ter valor. 

“Por isso é fundamental diversificar seus investimentos, distribuindo-os entre ativos de renda variável como ações, fundos imobiliários e ETFs de ações, e produtos de renda fixa como títulos do tesouro, CDBs, Debêntures e ETFs de renda fixa”, explica Becker.

4. Como investir em ações? 

Para comprar ações, você precisa ter uma conta em uma corretora – semelhante a ter conta em banco. A diferença é que a conta na corretora servirá só para investimentos. 

Segundo Eduardo Becker, as corretoras registradas e autorizadas pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e Banco Central são confiáveis. “Se você está iniciando, procure abrir conta nas corretoras maiores, que geralmente possuem boas estruturas de atendimento ao investidor iniciante”, afirma o professor.

Todas as corretoras que atendem pessoas físicas têm uma ferramenta chamada Home Broker, que permite ao investidor comprar e vender suas ações, explica Becker. Essa ferramenta pode ser acessada pelo computador e por aplicativos de celular. 

5. Existe taxa para investir? Imposto de Renda?

Sim. Há três custos na negociação com ações: emolumentos, corretagem e Imposto de Renda. 

Emolumentos é o nome dado à taxa cobrada pela Bolsa de Valores, que cuida de todo o mercado de ações. 

Corretagem é a taxa cobrada pela corretora para intermediar as negociações junto à Bolsa de Valores, e para disponibilizar serviços como Home Broker e assessoria, explica Becker.

E ainda há o Imposto de Renda, cobrado sobre o lucro das operações. Se você comprar uma ação e demorar mais de um dia para vendê-la, o tributo é de 15% sobre o lucro. Se você comprar uma ação e vender no mesmo dia, dentro do mesmo pregão (chamado de Day Trade), o imposto é de 20%.

Segundo Becker, para operações comuns com mais de um dia de intervalo, há isenção de Imposto de Renda para vendas de até R$  20.000 durante o mês. “Note que é sobre R$ 20.000 em vendas brutas, e não sobre o lucro”, afirma.

6. Como escolher uma boa ação?

O professor Eduardo Becker elenca quatro aspectos que devem ser analisados na empresa antes de comprar uma ação: lucratividade, endividamento, política de dividendos, e distribuição de lucros. Depois, compare com as concorrentes.

Outro ponto fundamental é estudar os tipos de ações e seus nomes, para não se confundir e acabar investindo em uma ação que não desejava, explica Becker. 

Há ações ordinárias (ON) e preferenciais (PN). A diferença, de acordo com Becker, é que as ações ordinárias dão o direito de votar nas assembleias de investidores. Já as preferenciais, não. Por outro lado, as preferenciais têm prioridade no recebimento de dividendos (distribuição do lucro da companhia) e, muitas vezes, recebem um dividendo maior.

Além disso, é importante saber que as ações são identificadas por siglas únicas e números. As siglas identificam a empresa, e os números, o tipo de ação – ON é 3, PN é 4. Magazine Luiza, por exemplo, é MGLU3. Vale é VALE3, Klabin pode ser KLBN3, KLBN4 e KLBN11 (para ativos formados por mais de um tipo de ação).

Em geral, as ações são vendidas em lotes de 100, mas dá para comprar em menor quantidade no mercado fracionário. “Nele o investidor poderá comprar de 1 a 99 ações de acordo com sua disponibilidade de recursos e, quando chegar a 100, poderá negociar normalmente no mercado padrão”, diz Becker. 

Para comprar no mercado fracionário, basta adicionar a letra “F” ao final do código da ação, por exemplo  PETR4F, ABEV3F, KLBN11F, explica o professor.

7. É melhor comprar uma ação isolada ou investir em Fundos de Ações?

Depende. Quem quer só expor uma parte do capital à renda variável e não quer analisar empresas pode investir em um fundo de ações (FIA). Eles são compostos por uma gama de ações escolhidas por um gestor. “O investidor não pode perder de vista que tudo tem um preço. O gestor cobrará para fazer essa alocação de ações no fundo, cobrando taxas de administração e, em alguns casos, taxa de performance”, explica Becker. 

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