Criptoativos

Stablecoins e tokenização podem ampliar inovação e acesso a investimentos, diz Paiva, diretor da B3

Executivos da B3, XP e Parfin afirmam que o Brasil está bem posicionado para avançar na digitalização de ativos financeiros e que a tecnologia deve reduzir custos e ampliar a oferta de produtos ao investidor

O mercado de ativos digitais caminha para uma nova fase, em que a tecnologia deixa de ser apenas uma inovação e passa a fazer parte da infraestrutura do sistema financeiro. Em painel na Expert XP, Felipe Paiva, diretor de Relacionamento com Clientes e Pessoa Física da B3, Marcos Viriato, CEO da Parfin, e Marcos Horie, head de Produtos Digitais da XP Inc., defenderam que stablecoins e tokenização de ativos devem ampliar a oferta de investimentos e facilitar o acesso dos investidores ao mercado nos próximos anos.

O que são stablecoins e por que elas são uma tendência no mercado?

Paiva explicou que as stablecoins são representações digitais de moedas, lastreadas em ativos de baixo risco. Além de funcionarem como meio de pagamento, elas podem ser programáveis, abrindo espaço para novas aplicações. A própria B3 pretende lançar em breve uma stablecoin própria, atrelada ao real. “Junto com a stablecoin, vem a possibilidade e oportunidade de novos desenvolvimentos de infraestrutura, para possibilitar a troca instantânea com outros ativos, e a possibilidade de programação”, afirmou. Segundo ele, esse movimento precisa acontecer “em cima de infraestrutura regulada”, com “governança, infraestrutura e um ambiente onde haja confiança”.

Segundo ele, o papel da B3 é construir a infraestrutura que permitirá às corretoras e instituições financeiras desenvolverem novas aplicações e produtos para o investidor final. “A tokenização de ativos abre possibilidade para que grandes bancos e corretoras consigam oferecer novos produtos na bolsa”, afirmou. Para ele, a tecnologia deve reduzir as fricções do processo de investimento e melhorar a experiência dos clientes, como a possibilidade de investir a qualquer hora. Como exemplo, ele citou o Tesouro Reserva, que permite negociações 24 horas por dia, sete dias por semana, e já registra cerca de 30% do volume fora do horário comercial. A expectativa é que a tokenização leve essa flexibilidade para outros ativos, ajudando a ampliar o acesso ao mercado de capitais, atrair novos investidores e fortalecer a cidadania financeira no país.

Na visão de Viriato, as stablecoins serão fundamentais para impulsionar a tokenização de ativos financeiros. Os ativos tokenizados, dessa forma, serão versões digitais de ações, debêntures, CRIs e CRAs, entre outros investimentos. Segundo ele, a tecnologia permite maior fracionamento dos ativos e negociações instantâneas. “Acreditamos que, com a stablecoin da B3 e outras do mercado, podemos fazer a troca instantânea: moeda de um lado, ativo tokenizado do outro.” Para o executivo, esse avanço deve acelerar o crescimento do mercado nos próximos anos.

Os especialistas também destacaram que o movimento já ganhou força no exterior. Viriato citou como exemplo os money market funds tokenizados, que já movimentam cerca de US$ 10 bilhões e começam a ser usados como garantia em operações de crédito, ou como colateral em operações em bolsas. ETFs tokenizados também começam a surgir. “Acho que estamos só no começo dessa transformação”, disse.

Para os executivos, o maior impacto para o investidor será justamente quando a tecnologia deixar de aparecer. “O sucesso desse ecossistema é o quanto invisível ele for”, afirmou Horie, comparando o momento atual ao início da internet. Paiva fez avaliação semelhante. “Ninguém compra tecnologia, você compra confiança.” Segundo ele, daqui a cinco anos, os investidores provavelmente nem falarão mais em tokenização ou stablecoins, porque essa infraestrutura estará integrada ao funcionamento do mercado financeiro. Nesse cenário, acrescentou, a tokenização deve reduzir fricções, permitir negociações 24 horas por dia e ampliar o acesso dos brasileiros a novos investimentos.

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