Veja como configurar sua plataforma de trading para começar a investir
Para iniciantes, especialista indica estudo sobre day trade e operações
Por Victor Rabelo
Com a expansão das plataformas de trading e o avanço das ferramentas digitais, configurar corretamente o ambiente de investimentos se tornou um passo essencial para quem deseja começar a operar no mercado financeiro. Da escolha da corretora aos ajustes de análise gráfica, pequenos detalhes podem fazer grande diferença na experiência e nos resultados do investidor iniciante.
Antes de qualquer ajuste em plataformas, para começar a investir, o primeiro passo é selecionar uma corretora confiável. O investidor deve verificar se a instituição é regulamentada pelos órgãos competentes, como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e se segue padrões de segurança digital.
Feito isso, o próximo passo é escolher uma plataforma de trading, como Profit ou RocketTrader, por exemplo, de acordo com sua preferência de interface e usabilidade.
Como configurar a plataforma de trading
Com a plataforma instalada, o trader pode começar pelas funções mais básicas, abrindo um gráfico de determinado ativo e escolhendo as cores personalizadas para diferenciar os candles. Outro ponto válido é observar as intenções de compra e venda no livro de ofertas e os negócios realizados por meio do times & trades (registro de negócios).
Porém, antes de se aventurar por funções mais técnicas, Leonardo Santana, especialista em investimentos e sócio da Top Gain, recomenda um estudo sobre day trade e as técnicas existentes para saber quais mecanismos serão mais úteis para a operação.
“Hoje as plataformas de trading são muito completas, oferecendo várias ferramentas, várias possibilidades. E quando você se depara, aquilo é como se fosse um cockpit de um avião. São muitas possibilidades. Você precisa definir exatamente o que você vem fazendo no mercado”, diz.
Ele indica que o início seja em um layout padrão. E, assim que o investidor entender qual caminho vai preferir seguir em termos de técnicas, a plataforma seja configurada aos poucos. “Para montar um layout de gráfico ou de tape reading é fácil. Mas é preciso saber exatamente o que você está fazendo. Então, antes de montar o layout, vem o educacional, daquilo que faz sentido para você. No mercado financeiro existem várias formas de olhar a mesma coisa”, comenta.
Quais são as diferenças entre as técnicas de day trade?
Entre os traders, os principais modelos de análise são chamados de análise técnica e fluxo de ordens. Em resumo, enquanto a análise técnica observa gráficos para buscar padrões históricos, o fluxo de ordens acompanha as movimentações de compra e venda para compreender para onde o “mercado” está indo.
“A principal diferença entre a análise técnica e a análise de fluxo de ordens no day trade está no tipo de informação utilizada e na forma como cada abordagem interpreta o comportamento do mercado. A análise técnica baseia-se em padrões gráficos e indicadores estatísticos derivados do histórico de preços e volumes. Para antecipar movimentos futuros, ela busca identificar tendências e pontos de entrada ou saída com base em repetições históricas”, explica Jeff Patzlaff, especialista em investimentos.
Já a análise de fluxo de ordens, de acordo com Patzlaff, observa em tempo real a atuação dos grandes participantes de mercado, analisando as informações presente no livro de ofertas e o times & trades. “Enquanto a análise técnica é essencialmente visual e estatística, o fluxo de ordens é operacional e comportamental, focado na leitura da agressividade dos compradores e vendedores, tentando detectar desequilíbrios de demanda e oferta em tempo real”, complementa Patzlaff.
Gestão de risco
Além de auxiliar nas análises e nas operações de compra e venda, as plataformas são fundamentais para a gestão de risco no day trade, principalmente com uma configuração de stop loss e stop gain, que são ordens predefinidas para que a operação seja liquidada automaticamente quando o preço do ativo atingir um determinado nível, limitando assim as perdas e protegendo o capital.
Santana recomenda que, para isso, seja definido, a partir de cada patrimônio, o máximo de perda para um dia, uma semana e um mês, estabelecendo essas faixas como limite. “Às vezes você tem até uma leitura boa, mas não consegue operar. Ou você ainda não está tendo uma leitura boa, mas acha que está. Aí tem prejuízo atrás de prejuízo e é preciso primeiro limitar as perdas, entender o que está dando errado”, afirma.
Além disso, uma estratégia importante para quem dá os primeiros passos no day trade, é operar em ambiente simulado. As plataformas de trading costumam oferecer simuladores, que replicam as condições do mercado ao vivo, permitindo que os traders testem estratégias, entendam o funcionamento das operações e se acostumem com a volatilidade sem arriscar seu capital.
Para Santana, o ambiente simulado é fundamental para fazer os primeiros testes. “Quanto mais tempo você passar nele, melhor. Pois nele, você vai aprender a validar a sua estratégia”, diz. Depois, ele recomenda que a transição seja feita aos poucos. “Você pode fazer um revezamento entre conta demo e conta real, ir sentindo, testando o mercado, e colocando o seu operacional realmente à prova”, conclui.