Fundos de Investimento

Fiagros continuaram a crescer em 2023. Como saber se vale a pena investir?

Antes de comprar a cota de um Fiagro, é importante avaliar a carteira que compõe o fundo

Fiagros
Desde seu lançamento, que está completando um ano, a categoria já reúne por volta de 70 mil investidores. Foto: AdobeStock

Por Daniela Frabasile

Os Fundos de Investimento em Cadeias Agroindustriais (Fiagros) são instrumentos de investimentos relativamente novos no Brasil. Apesar da grande representatividade do agro na economia brasileira, os fundos específicos para o setor só foram criados em 2021, usando como base a regulação dos Fundos de Investimento Imobiliários, os FIIs.

O apelo de investir no setor que mais cresce no Brasil, combinado à isenção de imposto de renda sobre os rendimentos para as pessoas físicas, fez esse mercado crescer nesses menos de três anos. Ao fim de 2023, existiam 85 Fiagros no mercado brasileiro, segundo dados da Anbima, ante 48 no fechamento de 2022. O patrimônio líquido também aumentou no último ano e chegou ao recorde de R$ 20,5 bilhões, R$ 3,7 bilhões a mais do que no fim de 2022.

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Mesmo com o crescimento, no entanto, o mercado de Fiagros ainda é pequeno na comparação com os FIIs. De acordo com dados da B3, o número de investidores em Fiagros em dezembro somava 472,3 mil, frente a mais de 2,5 milhões dos investidores com posição em FIIs. Para analistas e gestores, ainda há espaço para crescer.

Um obstáculo, no entanto, vem justamente da novidade do produto. As pessoas físicas ainda têm dificuldade em entender e analisar os riscos envolvidos em investir no agro, um fator importante na escolha de um ativo, ainda mais em um ano que deve ser marcado por eventos climáticos típicos do El Niño.

As perspectivas para o setor, no entanto, são positivas. No relatório “Onde investir em 2024”, da XP, a head de fundos listados da casa, Maria Fernanda Violatti, diz que a visão para o agronegócio é construtiva. Mas ela alerta: “importante se atentar às dinâmicas não só nos diferentes segmentos, mas também a qual ponto da cadeia produtiva está se expondo”.

Qual a composição dos Fiagros?

Com o comentário, Maria Fernanda Violatti já indica um dos aspectos importantes antes da decisão do investimento, que é entender o que faz parte da carteira de cada Fiagro. A grande maioria dos fundos listados e disponíveis a pessoas físicas é composta, principalmente, por uma carteira de recebíveis, os CRAs (Certificado de Recebíveis do Agronegócio). São papéis de dívida, que servem para financiar atividades relacionadas ao agro. Nesse sentido, esses Fiagros se assemelham aos fundos imobiliários de papel.

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Ainda segundo a XP, a maior parte dos CRAs integrantes das carteiras dos FIAgros são indexados ao CDI, que acompanha os movimentos da taxa Selic. De acordo com Alessandro Correia, Head de Agro da Vectis Gestão, isso acontece, em grande parte, por uma demanda do próprio mercado, tanto por parte dos investidores quanto dos tomadores do crédito. “O agronegócio em si trabalha muito com operações indexadas em CDI, e menos em operações indexadas ao IPCA”, conta.

No cenário atual de queda da taxa Selic no Brasil, essas operações chamam também a atenção dos investidores que buscam maior rentabilidade sem sair da renda fixa. Além disso, outra vantagem do momento atual, diz Alessandro Correia, head de agro da Vectis Gestão, é que a queda da taxa de juros melhora a situação financeira dos devedores. “Isso reduz o risco de crédito dos emissores, porque melhora o fluxo de caixa”, afirma.

Flávio Mattos, head de gestão de fundos de investimentos de renda fixa e câmbio da BB Asset, lembra que uma das vantagens de uma carteira com títulos indexados ao CDI é a regularidade na distribuição de rendimentos. Por outro lado, os títulos do tipo IPCA + poderiam se beneficiar mais do cenário de queda de juros. A perspectiva para o Fiagro da casa, segundo ele, é caminhar para uma carteira em torno de 75% alocada em títulos atrelados ao CDI e 25% atrelados à inflação.

Diversificação é aposta de fundos para mitigar riscos

Para reduzir os riscos tanto de clima quanto de preço de mercado das commodities, os fundos buscam diversificar os papéis de suas carteiras. Isso vale tanto para uma diversificação geográfica quanto de commodity à qual o CRA está atrelado e à parte da cadeia em que o emissor opera (como produção, beneficiamento, processamento, transporte).

Rafael Zlot, CIO de renda fixa da Genial, comenta que o setor tem historicamente uma dificuldade de previsibilidade. “Quando falamos em commodities, em especial as agrícolas, trabalhamos com um grau de imprevisibilidade maior. É difícil prever muito mais do que um ano à frente e existem muitas variáveis”, diz. “Inclusive, no preço da commodity está embutida também a própria variação do dólar. Por isso optamos por uma diversificação relevante do nosso fundo”, afirma.

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Mais do que avaliar o setor em que o devedor está posicionado, Zlot ressalta a importância de avaliar ativo por ativo. “Olhamos para a empresa, como ela está posicionada, qual o tipo de garantia”, exemplifica.  

“O fator climático é inerente à atividade agropecuária, sempre vai estar ali. Para este ano, até agora, temos visto um risco que está dentro do normal”, diz Alessandro Correia, head de agro da Vectis Gestão. Para mitigar o risco, ele também entra no coro dos gestores que defendem a diversificação, “regionalmente, em termos de commodity a que estamos expostos e a que ponto da cadeia”. Ele dá um exemplo: no caso da soja, há na carteira papéis emitidos por produtores, esmagadores e produtores de biodiesel.

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