Fundos de Investimento

Queda de juros deixa gestores de FIIs otimistas para 2024

Gestores de fundos imobiliários (FIIs) compartilharam suas perspectivas para o segmento nesse ano

FII. Foto: Adobe Stock
A principal fonte de lucro dos FIIs acontece por meio do recebimento de distribuição de resultados. Foto: Adobe Stock

Por Daniela Frabasile

Juros mais baixos, mas nem tanto. Para gestores de fundos imobiliários (FIIs), esse é o cenário perfeito para os investimentos no setor. A redução da Selic sela a volta da atratividade dos fundos de tijolo. Por outro lado, a perspectiva de que a taxa básica de juros não caia abaixo de 8% mantém a boa competitividade dos fundos de papel.

“O ano de 2024 parece ser promissor para ativos imobiliários e FIIs, com a esperada queda de juros e uma certa estabilidade”, resumiu André Freitas, CEO e CIO da Hedge Investments, durante o Latin America Investment Conference, organizado pelo banco UBS em São Paulo. “Notamos esse processo desde o ano passado, quando os FIIs captaram R$ 26 bilhões. Esse ano, só em janeiro, já tivemos R$ 2,1 bilhões em captação”.

Rodrigo Abbud, sócio-fundador da VBI Real Estate, completou que, no primeiro semestre do ano passado, as captações se concentraram especialmente em fundos de CRIs, aqueles que investem em títulos de crédito ligados ao setor imobiliário. “Já no segundo semestre, vimos um momento interessante para os fundos de tijolo, que tendem a se valorizar com o cenário de redução de juros”, afirmou. “Os investidores mais sofisticados e de longo prazo começaram a fazer suas alocações em FIIs de tijolo”.

Abbud ressalta ainda a perspectiva de apreciação do valor dos ativos reais com a queda da Selic. Ao mesmo tempo, o patamar da taxa básica de juros permanece elevado o suficiente para não tirar a atratividade dos fundos de crédito.

FIIs de tijolo

Dentre os fundos de tijolo, os participantes do evento comentaram também as oportunidades em setores diferentes.

Gastão Valente, head no Brasil da GIC Real Estate, o fundo soberano de Cingapura, argumenta que os segmentos de shoppings e lajes corporativas inspiram cuidado.

No lado positivo, ele cita os segmento de data centers e logística. “Data center é um setor pequeno no Brasil, mas que tende a crescer. O setor de logística está indo muito bem, temos demanda, o preço de locação ainda está baixo, mas acredito que vamos ver redução de oferta nos próximos anos”, diz.

Freitas, da Hedge, discorda da visão pessimista para shoppings. “O segmento se recuperou, porque tivemos aumento de massa salarial, na ordem de 6,4% em 2023, que se reflete em consumo”. Ele cita ainda uma vantagem do segmento: o longo período de construção e maturação de novos shoppings, o que dá maior previsibilidade sobre a oferta.

No segmento de logística dos FIIs, Abbud comentou também a tendência de maior descentralização dos galpões no território nacional. Além disso, um desenvolvimento importante no segmento tem sido o maior investimento por parte dos ocupantes dos galpões, que apostam na tecnologia para reduzir o tempo de entrega de seus produtos aos clientes.

“Com isso, é possível ter perspectiva de ocupação de longo prazo, e maior capacidade de ganho no aluguel, no mínimo com a reposição da inflação, porque para o ocupante, trocar de galpão deixa de ser tão simples”, afirmou.

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