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Ibovespa x IFIX: qual a diferença entre esses dois índices?

Entenda como cada um desses índices é afetado pela Selic

Fachada da B3, em São Paulo
O Ibovespa reúne as ações mais negociadas na B3. Já o IFIX serve como uma referência para o mercado de fundos imobiliários. Foto: B3

Os índices de mercado são muito usados nos investimentos, seja como uma referência de rentabilidade e desempenho ou mesmo para fazer aportes diretamente em uma carteira diversificada em um segmento, via fundos de índice (ETFs). No Brasil, o índice conhecido é o Ibovespa, composto pelas ações mais negociadas na B3. Já no mercado de fundos imobiliários, existe o IFIX, que também serve como uma referência e reúne os principais FIIs.

Confira a diferença entre os dois, como cada um deles é afetado pelo cenário macroeconômico e quais as perspectivas para o investidor!

O que é o Ibovespa?

Ibovespa é o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo. Foi criado em 1968 e consolidou-se como referência para investidores ao redor do mundo. Ele é composto pelas ações das empresas com capital aberto mais negociadas e mais representativas do mercado de capitais brasileiro.

Para serem elegíveis, as ações devem ter sido negociadas em pelo menos 95% das sessões da bolsa de valores ao longo de um ano. Além disso, o ativo deve representar pelo menos 0,1% do volume financeiro negociado no mercado à vista. Empresas em processo de recuperação judicial ou cujas ações são negociadas a menos de R$ 1,00 (conhecidas como penny stocks) são excluídas do Ibovespa.

Além disso, a carteira teórica do Ibovespa é revisada a cada quatro meses, de acordo com as regras do índice.

O que é o IFIX?

Já o IFIX é o principal índice que mede o desempenho das cotações dos fundos imobiliários negociados nos mercados de bolsa e de balcão organizado da B3. Os critérios são parecidos com o do Ibovespa. Para entrar no IFIX, um FII precisa ter sido negociado em 95% dos pregões do último ano e não ser classificado como “Penny Stock”.

A representatividade de um fundo no índice é ponderada pelo valor de mercado da soma de suas cotas emitidas, e a participação de um fundo no índice não poderá ser superior a 20%.

Como o cenário macroeconômico afeta a renda variável?

A manutenção da Selic em 10,50% ao ano, patamar ainda restritivo para a atividade econômica, é negativa para os mercados de renda variável, o que engloba tanto as ações quanto os fundos imobiliários.

“Isso acontece por alguns motivos. Se você tem uma rentabilidade garantida mais alta e um ativo de baixo risco [como o Tesouro Direto], para aceitar tomar um risco maior, que não sabe quando vai te dar um retorno, essa matemática já fica um pouco mais negativa para esses investimentos”, diz Antônio Sanches, analista de research da Rico. “Por fim, o freio na economia acaba sendo prejudicial para o resultado das empresas no futuro. Então de modo geral as empresas de fundos imobiliários são negativamente impactados”.

Mas esse efeito não é igual para as duas classes. “Historicamente o IFIX tem uma volatilidade bem menor do que o Ibovespa. Isso já por conta da característica desse investimento. Quando você está avaliando um ativo que tem um pagamento recorrente, como um FII, naturalmente se tem um risco menor”, explica Sanches.

Qual o impacto para o Ibovespa?

Para Rafael Ragazi, sócio e analista de Ações da Nord Research, a manutenção da Selic já era esperada e não foi uma surpresa. Por isso, pouco impactou o mercado de ações nos últimos dias, afinal, o resultado já estava “precificado”, no jargão do mercado.

Houve, entretanto, uma mudança importante de cenário na comparação com o que se esperava no início do ano. “Depois que virou o ano, tanto lá fora, mas principalmente aqui, as perspectivas de corte de juros foram reduzidas, foram postergadas”, diz. “O fato de que o juro não vai cair é negativo para a bolsa. A gente queria o macro ajudando, mas nesse momento o macro está jogando contra”, resume.

Antônio Sanches, da Rico, lembra ainda que a Selic mais elevada afeta de forma ainda mais intensa as empresas mais endividadas. “Você tem um impacto negativo em empresas mais alavancadas, porque a dívida começa a ficar mais cara e até pela própria dificuldade que essa empresa vai ter em emitir novas dívidas para conseguir se capitalizar”, conta.

A queda recente nos preços das ações, por outro lado, abre oportunidades para os investidores que olham o longo prazo.

“A gente consegue ainda garimpar por boas oportunidades”, diz Ragazi. “Há empresas que são menos dependentes desse cenário macro local. A gente poderia buscar alguma empresa mais defensiva, como empresas que são dividendeiras, que têm receitas mais estáveis, e que não dependem tanto da economia”, diz.

Outro caminho, segundo ele, é escolher empresas que se beneficiam da alta do dólar, como exportadoras de commodities por exemplo.

Qual o efeito da Selic para o IFIX?

A estabilização da Selic ainda em dois dígitos “faz com que o IFIX, que representa a média dos fundos imobiliários, não tem uma recuperação tão pujante como poderia se o ciclo de queda de Selic continuasse”, explica Marx Gonçalves, sócio e analista de FIIs da Nord Research.

Dentro do índice, é preciso avaliar de forma separada os fundos imobiliários de tijolo (aqueles que investem em imóveis reais) e os de papel (que têm em carteira títulos atrelados ao mercado imobiliário). “Os de tijolos acabam sendo mais negativamente impactados pelos juros, enquanto os fundos de papéis costumam ser mais resilientes nesses momentos”, diz Sanches.

Gonçalves explica o motivo disso: “Os fundos de tijolo têm recuado mais desde abril, principalmente pela abertura do juro longo. O Tesouro IPCA+ 2035 é muito mais importante para precificar um fundo de tijolo do que a Selic propriamente dita. E a gente viu essa taxa subindo 5,70% para 6,5%”, diz.

Gonçalves ressalta, entretanto, que essa reprecificação veio principalmente do cenário macroeconômico, e não de uma piora no desempenho dos fundos ou dos fundamentos do mercado. “A gente tem visto a recuperação no mercado de lajes corporativas, com redução de vacância, o que abre espaço para aumento gradual dos aluguéis, principalmente em regiões nobres. Em galpões logísticos a gente também continua vendo uma demanda bastante intensa, principalmente em regiões próximas a São Paulo, que vem permitindo também uma vacância bastante baixa do segmento e aumento do aluguel, às vezes até acima da inflação”.

Os fundos de papel, por sua vez, podem até se beneficiar da Selic mais elevada. “Os fundos de papel atrelados a CDI+ devem manter sua remuneração bastante elevada dentro desse contexto. E os FIIs de papel IPCA+, mesmo com arrefecimento da inflação, devem continuar entregando bons proventos, mas acabam não capturando tanto esse benefício como os CDI+”, afirma o analista da Nord.

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