Indústria de fundos tem resgates de R$ 18,1 bilhões em abril. ETFs e FIDCs têm captação líquida
Os ETFs e FIDCs, no entanto, registraram entradas líquidas acima de R$ 4 bilhões
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Os fundos de investimentos registraram saída líquida de R$ 18,1 bilhões em abril, ou seja, o movimento de resgates (investidores retirando dinheiro) superou o total de aportes (investidores colocando dinheiro) no quarto mês do ano. Com o resultado, o volume líquido acumulado ficou positivo em R$ 159 bilhões, informa a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
Na outra ponta, a maior entrada líquida mensal foi do FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) que registrou entrada líquida de R$ 4,5 bilhões, seguidos dos ETFs com R$ 4,0 bilhões, o que reforça o interesse do investidor por produtos passivos.
Também fecharam o mês no positivo os fundos cambiais (R$ 711,2 milhões), os FIPs (R$ 377,2 milhões), os Fiagros (R$ 210,7 milhões) e os fundos de ações, que registraram R$ 187,3 milhões de captação líquida positiva após três meses no vermelho.
“A cautela do investidor em relação ao crédito privado continuou em abril e isso pode ter se refletido nos fundos. Como a renda fixa vem de um trimestre muito forte, é natural que aconteça algum ajuste no curto prazo. Vamos monitorar para avaliar se esse foi um movimento pontual ou uma tendência” afirma Pedro Rudge, diretor da associação.
Fundos de renda fixa
A renda fixa concentra a maior parte das saídas, com captação líquida negativa de R$ 19,3 bilhões. O fundo de renda fixa do tipo ‘Duração Livre Crédito Livre’ apresentou resgate líquido de R$ 14,2 bilhões, a maior perda líquida de todos os tipos da indústria em abril, com volume captado de R$ 18,6 bilhões no ano.
Em seguida veio o tipo de fundo ‘Duração Livre Grau de Investimento’, com resgate líquido de R$ 10,2 bilhões no mês, e de R$ 7,5 bilhões no ano. O tipo de fundo ‘Duração Baixa Grau de Investimento’, o de maior patrimônio líquido da classe de fundos, também registrou resgates somados de R$ 6,3 bilhões, em abril, e de R$ 8,4 bilhões, em 2026.
Multimercados
Na classe de fundos multimercados houve saída de R$ 5,4 bilhões, em abril, estabelecendo um volume acumulado no ano de R$ 4,8 bilhões. A maior saída foi do tipo Livre, que registrou volume de R$ 1,74 bilhão e perda de R$ 2,17 bilhões no mês e ano respectivamente. Já o tipo Investimentos no Exterior e o Macro apresentaram saídas de R$ 1,67 bilhão e R$ 1,21 bilhão respectivamente.
Ações
Na classe de ações, houve entrada líquida de R$ 187,3 milhões em abril, com saída de R$ 5,4 bilhões no ano. O tipo ‘Ações Livre’, apresentou captação líquida positiva de R$ 602,6 milhões com perda acumulada no ano de R$ 4,9 bilhões. O tipo ‘Ações no Exterior’, o mais representativo, registrou resgates de R$ 74,7 milhões no mês, e entrada líquida de R$ 8,1 bilhões no ano.
Estruturados
Entre os fundos estruturados, os FIDCs registraram captação positiva de R$ 4,5 bilhões enquanto os FIPs registraram entrada líquida de R$ R$ 377,2 milhões. No ano, os FIDCs acumulam ganho de R$ 12,1 bilhões enquanto os FIPs registram um volume acumulado de R$ 18,7 bilhões no ano.
Rentabilidade dos fundos
Em relação às rentabilidades em abril, na classe Renda Fixa, o tipo Duração Baixa Grau de Investimento registrou retorno de 1,07%, acumulando variação de 4,47% no ano. O tipo Duração Livre Crédito Livre cresceu 0,48% e registra rentabilidade acumulada de 3,38%. Entre os multimercados, o tipo Livre avançou 1,28% no mês e acumula 3,54% no ano, enquanto o tipo Investimentos no Exterior registrou ganho de 0,85% e ganho acumulado de 1,87%, no mês e no ano respectivamente. Na classe de ações o tipo livre avançou 1,01% em abril e acumula 7,43% no ano, enquanto o tipo ações no exterior registrou variação de 3,37% no mês e ganho de 4,91% no ano.
No caso de ações, fundos do tipo investimento no exterior (que possuem mais de 40% de sua carteira alocada em ativos no exterior) apresentaram rentabilidade positiva de 3,37% no mês; enquanto os fundos multimercados com investimento no exterior tiveram ganhos de 0,85%. Já na renda fixa, o tipo duração baixa grau de investimento, que investe no mínimo 80% da carteira em títulos públicos de curto prazo, rendeu 1,07% no mês.
Entenda o que é FIDC e ETF
O fundo do tipo FIDC é um investimento que compra recebíveis de empresas (cheques, duplicatas, faturas de cartão) com deságio, funcionando como antecipação de fluxo de caixa. É uma forma de renda fixa estruturada, regulada pela CVM, que capta recursos de investidores para financiar o capital de giro corporativo. Já o ETF são fundos de investimentos que replicam indicadores.
*Matéria publicada originalmente em IstoÉ Dinheiro, parceiro de B3 Bora Investir
