Investir melhor

Como proteger seus investimentos da alta do dólar?

Há diferentes formas de investir em ativos dolarizados pela bolsa de valores sem sair do Brasil

Dólar
Ter parte de seu portfólio de investimentos atrelada ao dólar é uma estratégia de diversificação e proteção. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Em meio a ruídos sobre a política fiscal, o dólar à vista se aproximou nesta manhã da cotação de R$ 5,70. Nesse vai e vem do noticiário, muitos investidores estão preocupados com o desempenho de seus portfólios. Mas há formas de reduzir a volatilidade de sua carteira e ainda ganhar com a valorização da moeda estrangeira – e qualquer investidor pode acessá-las, não só os mais endinheirados.

“Em situações em que o dólar está em alta, é importante verificar primeiramente o motivo da alta, que pode ser algum aspecto mais ligado ao exterior ou a algo mais ligado à nossa economia doméstica”, explica Fábio Cabral, planejador financeiro CFP pela Planejar. “No caso específico que nós estamos vendo hoje, o dólar está em alta mais devido aos fatores domésticos, e com relação a isso a gente tem um cenário de bolsa desfavorável”, diz.

Mas independente do motivo, diz ele, é importante que o investidor tenha parte de seu portfólio alocada em uma moeda forte. “Ter uma posição em dólar é extremamente recomendado diante de uma diversificação de portfólio”, diz.

Para Isabela Bessa, economista especialista em investimentos offshore da Warren Investimentos, uma boa estratégia é “começar a ter ativos dolarizados na carteira, investimentos que são expostos diretamente à variação da moeda”. Há diferentes ativos que podem fazer isso, desde fundos cambiais à renda fixa em dólar e investimentos em ações americanas.

Entretanto, é indicado fazer os investimentos em partes. “Não se sabe para onde o dólar vai. Então, a melhor estratégia para se beneficiar de todos esses movimentos é a construção de um preço médio”, diz ela. Ou seja: já que se não se sabe qual a melhor hora de aplicar, o ideal é comprar em diferentes momentos.

Por exemplo: um investidor determina que, dentro de sua estratégia de investimentos, faz sentido ter 10% de sua carteira em ativos dolarizados. Nesse caso, é melhor migrar 1% do patrimônio por mês, em vez de fazer toda a mudança de uma só vez. “Estatisticamente, a probabilidade de você fazer um preço médio melhor é maior”, resume Bessa.

Onde investir?

Quando se fala de investir em dólar ou fazer investimentos dolarizados, a melhor forma de fazer isso não é a casa de câmbio mais próxima, comprar dólares em papel e guardar em casa. Há basicamente duas formas de se investir em ativos em moeda estrangeira: pelos instrumentos no Brasil ou enviar o dinheiro e investir diretamente lá fora.

“Quem quer uma forma inicial e mais simples de ter exposição à moeda tem à disposição muitos produtos de investimento que, apesar de estarem no Brasil, são atrelados ao dólar”, diz Bessa. São investimentos comprados em reais e custodiados aqui no Brasil, mas que trazem a exposição à variação do dólar.

Exemplos disso são os fundos cambiais, fundos de investimento cuja rentabilidade está atrelada à variação do preço da moeda. “Nesse caso, se o dólar valorizar 10%, o fundo vai valorizar perto de 10%”, afirma a especialista.

Há também fundos que investem em ativos no exterior, como ações estrangeiras, commodities, juros e diretamente em moedas. Para esse tipo de fundo, o desempenho é uma combinação do resultado dos investimentos feitos pelo gestor e da variação cambial.

Há ainda os BDRs e ETFs, que permitem ao investidor aplicar, pela bolsa brasileira, em fundos e ações listados no exterior. Entre as opções, há fundos listados que dão ao investidor uma exposição a diferentes tipos de renda fixa em dólar, a cestas de moedas estrangeiras ou a ações. Há inclusive opções de fundos com carteiras temáticas, voltadas à tecnologia, inteligência artificial ou a empresas com as melhores práticas ESG (ambientais, sociais e de governança).

Já aqueles investidores que querem levar o dinheiro para fora do País podem abrir uma conta no exterior e fazer os investimentos diretamente. “Investir lá fora traz um pouco mais de burocracia. O próprio investidor precisa recolher o imposto de renda e lidar com questões sucessórias. Por outro lado, ao investir por aqui, o custo pode ser maior do que investir diretamente no exterior”, diz Bessa.

E como escolher os ativos? Isso depende do seu perfil de investidor e do momento de mercado. A parte da carteira destinada a investimentos no exterior “pode estar alocada em títulos de renda fixa no ou na própria moeda [dólar]. Ou, em cenários mais otimistas, pode estar em ações no exterior”, diz Cabral.

“O momento atual traz ótimas oportunidades principalmente na área de tecnologia [na bolsa norte-americana]”. Ele alerta, entretanto, que é preciso ter atenção ao investir em ações de empresas americanas mais ligadas à economia doméstica, que vem apresentando sinais de desaceleração.

Ações no Brasil que se beneficiam do câmbio valorizado

Outro tipo de ativo que merece atenção em momentos de dólar mais valorizado frente ao real são as ações de empresas brasileiras que se beneficiam desse movimento, como as exportadoras.

“Vale considerar empresas que possuem uma alta participação de exportações na sua receita, como siderúrgicas, petrolíferas, frigoríficos, e empresas do agro. Essas companhias costumam ter boas performances em cenários de dólar em alta”, lembra Cabral.

Por que investir em dólar não só quando a moeda está subindo?

Quem investe em um momento de dólar em alta pode ganhar com essa valorização, mas isso não significa que quando a moeda americana perde valor é preciso se desfazer dessas posições.

Ter uma parcela da carteira em ativos dolarizados pode funcionar como um mecanismo de proteção. “Se alguma coisa negativa acontece no Brasil, todos os ativos [locais] são impactados de alguma maneira”, diz a economista da Warren. Nesse momento, ter ativos estrangeiros pode ajudar a contrabalancear o movimento.

“Quando a gente traz um pouco de exposição internacional para dentro da carteira, começa a ver rentabilidade maior e menor volatilidade, diz Bessa.

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