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Investo: Invista como se você fosse péssimo em fazer previsões

Analistas e investidores tentam antecipar movimentos, mas a verdade é que, na maioria das vezes, estamos muito menos certos do que acreditamos estar


Investo

A Investo é a maior gestora independente de ETFs do Brasil. Desde 2024, faz parte do grupo VanEck, uma das maiores gestoras globais. Com um portfólio completo com mais de 27 ETFs, oferecemos acesso a diferentes classes de ativos como renda fixa, renda variável local e global, temáticos e cripto.

Por Danilo Moreno, Especialista em ETFs 

Investir é, por definição, um jogo de previsões. Os preços das ações refletem fluxos de caixa futuros trazidos a valor presente, sem qualquer garantia de que sabemos como será o futuro da companhia. As taxas de juros embutem prêmios de risco e expectativas sobre inflação, crescimento, eleições e até guerras. Analistas e investidores tentam antecipar esses movimentos, mas a verdade é que, na maioria das vezes, estamos muito menos certos do que acreditamos estar.

Um estudo conduzido por Philip Tetlock, professor da Universidade da Pensilvânia, ilustra bem essa dificuldade. Ao longo de cerca de duas décadas, Tetlock acompanhou aproximadamente 300 especialistas, entre economistas, cientistas políticos e analistas, que fizeram mais de 30 mil previsões sobre eventos políticos e econômicos. O resultado ficou famoso: a precisão média dos especialistas foi apenas marginalmente superior à de um chimpanzé jogando dardos em um quadro de opções, ou seja, próxima do acaso. Outro achado é especialmente revelador para o nosso tema: os especialistas mais confiantes em suas previsões erraram com mais frequência do que os mais cautelosos. Mesmo profissionais experientes são excessivamente confiantes, acreditando prever o futuro melhor do que realmente conseguem.

Se especialistas, com longos anos de experiência, têm tanta dificuldade em antecipar eventos geopolíticos, o que dizer dos investidores tentando adivinhar o comportamento de algo ainda mais complexo, como os mercados financeiros? Basta olhar para o boletim Focus para encontrar exemplos. As projeções de Selic, câmbio e inflação para o fim do ano são revisadas semanalmente, frequentemente em direções opostas em períodos curtos. Não porque os economistas que respondem ao Focus sejam ruins, eles estão entre os mais qualificados do país, mas porque a economia global é um sistema caótico, influenciado por milhares de variáveis, e a cada tentativa de prever seus movimentos abrimos espaço para o erro, especialmente o erro de confiança excessiva.

Há ainda uma razão estrutural que faz com que a previsão de mercado seja tão difícil. O preço de qualquer ativo, a cada instante, já reflete a soma das expectativas, dos modelos e das informações de milhões de participantes, incluindo fundos com equipes inteiras dedicadas ao tema e algoritmos rodando ininterruptamente. Quando alguém decide comprar uma ação porque “vai subir”, está implicitamente afirmando saber algo que esse mercado inteiro ainda não percebeu. Acontece, sim, mas raramente de forma recorrente.

A consequência prática disso é clara: quanto mais dependemos de previsões, mais vulneráveis ficamos às nossas próprias ilusões de controle. O investidor disciplinado, por outro lado, entende que o futuro é incerto e age em coerência com essa realidade. Em vez de tentar adivinhar o próximo movimento do mercado, ele constrói uma estratégia que funcione mesmo quando suas previsões estiverem erradas. Isso significa diversificar, reduzir o peso das convicções pessoais e se apoiar em modelos de gestão que não exigem acertos constantes, como portfólios indexados.

ETFs de índice amplo foram desenhados exatamente para isso. Ao replicar um índice de mercado, o investidor abre mão da tentativa de adivinhar quais ações vão se destacar e passa a capturar o retorno médio do conjunto, com diversificação imediata e custos baixos. Na Investo, produtos como o GPUS11, que segue o S&P 500, e o WRLD11, que replica um índice global de ações, permitem essa exposição diversificada em uma única operação, dando acesso a centenas de empresas em diferentes geografias e setores.

Investir de forma sistemática, aceitando a incerteza e a própria limitação em prever o que vem pela frente, é um exercício de humildade. Ao invés de reagir a cada manchete ou projeção, o investidor paciente entende que o verdadeiro poder está em manter uma estrutura simples, bem calibrada e resistente ao acaso. Porque, no fim, reconhecer que somos péssimos em fazer previsões talvez seja o primeiro passo para sermos melhores investidores.

*As opiniões contidas nessa coluna não refletem necessariamente a opinião da B3

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