ETFs

Investo: ETF recorde na Europa chega à B3; conheça o MUND11 

Na prática, comprar uma cota do ETF equivale a comprar, de forma proporcional, uma fatia de cada uma das cerca de 10 mil empresas do índice


Investo

A Investo é a maior gestora independente de ETFs do Brasil. Desde 2024, faz parte do grupo VanEck, uma das maiores gestoras globais. Com um portfólio completo com mais de 27 ETFs, oferecemos acesso a diferentes classes de ativos como renda fixa, renda variável local e global, temáticos e cripto.

Danilo Moreno, especialista de ETFs da Investo
Em agosto de 2026, a Vanguard lançou na Europa um ETF que investe, de uma vez só, em praticamente todas as ações negociadas no mundo: cerca de 10 mil empresas, de grandes a pequenas, em mercados desenvolvidos e emergentes. Em duas semanas, o fundo já tinha reunido perto de US$ 1 bilhão. No primeiro mês, chegou a cerca de US$ 2 bilhões, ritmo de captação mais rápido do que o VWRA, outro fundo global importante da própria Vanguard, levou para captar o mesmo valor em todo o seu primeiro ano. Agora, esse índice chega ao investidor brasileiro pela B3, batizado de MUND11. 

Um ETF funciona como uma cesta de investimentos negociada na bolsa, do mesmo jeito que uma ação. Ao comprar uma cota, o investidor passa a ter uma fatia pequena de todas as empresas que compõem o índice que aquele ETF replica, sem precisar comprar cada ação separadamente nem acompanhar o mercado de cada país um por um. É esse mecanismo que permite a um único ativo, negociado em reais na B3, dar acesso a milhares de empresas espalhadas pelo mundo. 

Por que diversificação global importa? 

Para quem está acostumado a escolher entre investir no Brasil ou lá fora, ou entre apostar nos Estados Unidos e em outro mercado específico, um fundo assim muda a pergunta. Em vez de decidir qual país vai se sair melhor nos próximos anos, o investidor compra o mundo inteiro de uma vez, na proporção em que cada empresa já pesa na economia global. É como ter uma cesta que já inclui, automaticamente, as principais companhias de cada país, sem que seja preciso escolher uma de cada vez ou acertar qual região vai liderar o próximo ciclo. 

O gráfico abaixo mostra como essa alternância já aconteceu. Ele compara, desde 1980, o retorno anualizado de cinco anos das ações dos Estados Unidos (MSCI USA) com o das ações dos demais países desenvolvidos (MSCI World ex USA). Quando a área fica acima de zero, os Estados Unidos estão na frente; abaixo de zero, quem lidera é o resto do mundo. Medido em janelas de cinco anos, os Estados Unidos ficaram à frente de 1991 a 2003, o mercado internacional assumiu a liderança de 2003 a 2011, e desde então os americanos voltaram a ficar na frente. Em agosto de 2026, último dado da série, a vantagem americana é de cerca de 2 pontos percentuais ao ano, contra perto de 10 pontos em meados de 2016. 

O Brasil responde por uma fatia pequena do valor de mercado das bolsas do mundo todo. Um investidor que mantém a carteira inteira em ações brasileiras está, na prática, deixando de fora a maior parte das empresas e dos setores que existem globalmente, da tecnologia americana à indústria europeia, passando por mercados emergentes fora da América Latina. Isso não significa abandonar os ativos brasileiros, significa colocar ao lado deles uma exposição ao que fica fora das fronteiras do país. 

Vale uma ressalva: diversificação global não elimina risco, reduz a dependência de um único mercado. As ações, de qualquer país, continuam sujeitas a oscilações, e um ETF desse tipo não garante retorno nem protege contra perdas em um ano ruim para as bolsas em geral. O que ele resolve é um problema diferente, o de concentrar o patrimônio em um único país e ficar exposto apenas ao que acontece ali. 

A maioria dos ETFs chamados de globais segue índices que reúnem cerca de 3.500 empresas, as de maior porte, e cobrem perto de 90% do valor de mercado do mundo. O índice que a Vanguard lançou vai além: inclui também as empresas pequenas, chegando a cerca de 10 mil papéis e perto de 98% do mercado global. Isso não significa necessariamente mais retorno, já que essas empresas menores pesam pouco no total, mas significa mais abrangência. O investidor deixa de se perguntar onde termina o grande e onde começa o pequeno, porque está dentro do índice inteiro. 

Há ainda outro detalhe que faz diferença ao longo dos anos, embora passe despercebido no dia a dia: o país onde o fundo é registrado interfere em quanto imposto é retido sobre os dividendos pagos pelas empresas, antes mesmo desse dinheiro ser reinvestido. Fundos registrados na Irlanda, sob a estrutura chamada UCITS, costumam reter menos imposto na fonte do que fundos registrados nos Estados Unidos. Na prática, mais dinheiro continua trabalhando dentro do fundo, em vez de ficar retido no caminho ao longo dos anos. 

O que é o MUND11 

Na B3, esse índice chega por meio do MUND11, que replica o Vanguard FTSE Global All-Cap UCITS ETF, o mesmo fundo que bateu recorde de captação na Europa. A classe é de acumulação, o que significa que os dividendos recebidos pelas empresas do índice são reinvestidos automaticamente dentro do próprio fundo, sem que o investidor precise fazer nada. O custo total para se expor a praticamente todo o mercado acionário do planeta fica em cerca de 0,26% ao ano, somando a taxa de administração do ETF na B3 (0,19%) com o custo do fundo que ele replica lá fora (0,07%). 

Na prática, comprar uma cota do MUND11 na B3 equivale a comprar, de forma proporcional, uma fatia de cada uma das cerca de 10 mil empresas do índice. As maiores posições são Nvidia (4,42%), Apple (3,99%) e Microsoft (3,16%), seguidas de Amazon, Alphabet e Taiwan Semiconductor. Por país, os Estados Unidos somam 62,38% da carteira e o Japão 6,04%, com o restante distribuído entre Taiwan, Reino Unido, Canadá, China, Coreia do Sul, Suíça, França e dezenas de outros mercados. Tudo isso sem sair da bolsa brasileira, sem abrir conta no exterior e sem fazer a conversão de moeda por conta própria. 

Principais empresas e composição geográfica do índice replicado pelo MUND11. 

Esse tipo de fundo ganhou espaço justamente porque bater o mercado de forma consistente é mais difícil do que parece. O relatório SPIVA, que acompanha o desempenho de fundos de gestão ativa no Brasil, mostrou que, no período de dez anos encerrado em 2025, 90,8% dos fundos de ações brasileiros ficaram atrás de seus próprios índices de referência. Entre tentar escolher o gestor, o setor ou o país que vai performar melhor nos próximos anos, e simplesmente comprar o mercado inteiro a um custo baixo, a segunda opção tem se mostrado, historicamente, mais fácil de sustentar. 

O MUND11 chega como mais uma opção dentro de uma família de ETFs globais já disponíveis na B3, que inclui fundos com focos ligeiramente diferentes, uns priorizando a amplitude do índice, outros priorizando a estrutura fiscal do fundo lá fora. A diferença do MUND11 é reunir essas duas características no mesmo produto, o que pode simplificar a decisão para quem busca um único ativo que represente o mercado acionário global de forma ampla. 

O sucesso do lançamento na Europa sugere que outros investidores, diante da mesma pergunta, chegaram a uma conclusão parecida. No Brasil, o acesso a esse índice passa agora pelo MUND11, mais uma alternativa para quem busca diversificação global com baixo custo e sem complicação operacional. Como em qualquer decisão de investimento, cabe a cada investidor avaliar se o produto se encaixa nos seus objetivos e no seu horizonte de tempo, de preferência com a ajuda de um profissional habilitado para orientar essa escolha.

*As opiniões contidas nessa coluna não refletem necessariamente a opinião da B3

Quer analisar todos os seus investimentos em um só lugar, em uma plataforma intuitiva? Baixe o APP B3