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Investo: As empresas por trás da sua conta de luz renderam mais que o Ibovespa em 20 anos

O conjunto de empresas de energia elétrica, saneamento e gás forma o que a B3 chama de índice UTIL


Investo

A Investo é a maior gestora independente de ETFs do Brasil. Desde 2024, faz parte do grupo VanEck, uma das maiores gestoras globais. Com um portfólio completo com mais de 27 ETFs, oferecemos acesso a diferentes classes de ativos como renda fixa, renda variável local e global, temáticos e cripto.

Por Danilo Moreno, especialista em ETFs da Investo
Todo mês você paga conta de luz, água e, em muitas cidades, gás. As empresas que estão por trás dessas contas costumam passar despercebidas por quem investe. Elas não aparecem nas manchetes, não têm o brilho das gigantes de tecnologia e raramente entram nas conversas sobre a bolsa. Ainda assim, nos últimos vinte anos, foram elas que entregaram o melhor retorno entre os grandes grupos de ações da bolsa brasileira.

Esse conjunto de empresas de energia elétrica, saneamento e gás forma o que a B3 chama de índice UTIL, o índice do setor de utilidade pública. Entre 2006 e 2026, quem tivesse aplicado R$ 1 nesse grupo de empresas teria hoje cerca de R$ 18. No Ibovespa, o principal índice da bolsa, o mesmo R$ 1 teria virado pouco mais de R$ 5.

Por que um setor tão previsível rendeu tanto 

A explicação está no tipo de receita dessas empresas. O preço da conta de luz ou de água não é definido livremente pela companhia; ele é aprovado pelo governo e, todo ano, reajustado pela inflação. Quando os preços da economia sobem, a receita dessas empresas sobe junto, quase de forma automática. 

Some a isso um detalhe simples: ninguém deixa de usar luz ou água quando a economia vai mal. A conta continua chegando na recessão, no desemprego e na crise. Isso dá a essas empresas uma receita muito mais estável do que a da maioria dos setores da bolsa. 

Quem investe em Tesouro IPCA+ (o título público que paga a inflação mais uma taxa fixa) já conhece essa lógica de proteção contra a alta de preços. O setor de utilidade pública funciona de um jeito parecido, com uma diferença importante: além de acompanhar a inflação, essas empresas também crescem com o tempo. Você tem a proteção parecida com a de um título de inflação somada ao crescimento de uma empresa. 

Mais retorno, com menos sustos

Um bom resultado em um ou dois anos pode ser sorte. A vantagem do setor, porém, apareceu de forma consistente: em qualquer período de dez anos dentro dessas duas décadas, o índice UTIL rendeu mais que o Ibovespa e o Índice de Dividendos. Não houve um único intervalo de dez anos em que ele ficou para trás.

E esse retorno veio com menos oscilação. Nas grandes quedas da bolsa dos últimos vinte anos, como a crise financeira de 2008, a recessão de 2014 a 2016 e o tombo da pandemia em 2020, o setor de utilidade pública caiu menos que o Ibovespa em todas elas. Para quem tem dificuldade de ver a carteira despencar, isso ajuda bastante na hora de manter o investimento de pé em vez de vender no pior momento. 

Onde estão os riscos? 

Nada disso quer dizer que o setor seja livre de risco. Vale conhecer dois pontos antes de investir. 

O primeiro é que a mesma regra que protege também pode atrapalhar. Como o preço das tarifas depende do governo, uma mudança de regra pode derrubar as ações. Em 2012, por exemplo, o governo anunciou um corte grande nas tarifas de energia, e as ações do setor caíram forte, mesmo com o resto da bolsa indo bem. Decisões de política e revisões de tarifa fazem parte da vida de quem investe nessas empresas. 

O segundo é que continua sendo renda variável. Mesmo caindo menos que o Ibovespa, o índice já teve queda de mais de 40% em momentos ruins. O risco é maior do que o de um título público, e o investidor precisa estar preparado para oscilações ao longo do caminho. 

O arroz com feijão que rende 

No fim das contas, a história do setor de utilidade pública tem uma lição bem brasileira. Fazer o arroz com feijão bem feito, sem tentar adivinhar a próxima moda do mercado, costuma dar bom resultado no longo prazo. Um setor sem glamour, ligado a serviços que usamos todos os dias, entregou mais retorno, mais consistência e menos sustos do que apostas mais chamativas da bolsa ao longo de vinte anos. 

Para quem quer investir nesse conjunto de empresas de uma vez só, sem precisar escolher ação por ação, existem ETFs que acompanham o índice UTIL, como o UTLL11.  

Vale lembrar que este texto tem caráter informativo e não é uma recomendação de investimento: a melhor escolha depende dos seus objetivos, do seu prazo e de quanto risco você aceita correr. 

*As opiniões contidas nessa coluna não refletem necessariamente a opinião da B3

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