Organizar as contas

Yo Fordelone: O que é inegociável para você?


Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone

Planejadora financeira com certificação CEA (Anbima), Yo Fordelone é formada em economia e jornalismo. Investidora qualificada, alcançou a sua independência financeira aos 36 anos. Em seu Instagram, ajuda outras pessoas a conseguirem mais tempo e liberdade.


A vida é caótica. Nas últimas duas semanas, o caos bateu à minha porta com força: uma intoxicação alimentar após uma festa infantil, seguida por um início de pneumonia no meu filho mais velho e uma febre de quase 39 graus na caçula. O cenário era o convite perfeito para o “hoje não dá”. Mas eu fui à academia. Adaptei o ritmo, mudei o horário pra conciliar com os hospitais, mas não negociei com o meu objetivo.

Quem me vê indo à academia seis vezes por semana hoje não imagina que, até pouco tempo atrás, eu era a “rainha das desculpas”. Briguei com o filho? Não vou. Não tem vaga na porta? Volto para casa. Estou triste? A academia que lute.

O que mudou? Não foi um milagre de motivação, mas sim uma mudança de arquitetura de escolha e planejamento, exatamente o que fazemos quando decidimos sair das dívidas ou começar a investir para a aposentadoria. Aqui estão as quatro lições que tirei dessa jornada e que você pode aplicar na sua carteira hoje:

1. Ajuste o ambiente, reduza a fricção

Para parar de inventar desculpas, troquei de academia por uma ao lado de casa, onde vou a pé.

Nas finanças, isso se chama automatização. Se você precisa decidir todo mês que vai investir, a chance de gastar o dinheiro com um “imprevisto” é enorme. Tire a decisão da frente: coloque o aporte no débito automático ou invista assim que o salário cair. Se o caminho é fácil, você não para.

Se você quer investir em ações, até para isso existem meios de tornar o processo mais simples, como via fundos negociados em bolsa, os famosos ETFs. Isso reduz o “trabalho” de ter de selecionar ativos individualmente todo mês e evita que a paralisia pela análise te impeça de começar.

2. Saia do “turismo financeiro”

Eu usava Gympass de familiares, pulava de academia em academia e nunca criava rotina. Não tinha compromisso. Pra mim funcionou fixar uma academia, horário e treino.

Investir é igual: quem vive trocando de estratégia porque ouviu uma dica nova no YouTube, ou pula de corretora em corretora sem um plano fixo, nunca vê o efeito dos juros compostos. Ter um dia fixo e um método definido traz a previsibilidade que o seu cérebro precisa para não desistir.

3. Pare de olhar apenas a “balança”

Eu ganhava massa magra rápido e o peso na balança subia. Eu desanimava e parava. No mundo dos investimentos, a balança é a volatilidade do curto prazo. Se você olha o saldo da sua corretora todo dia durante uma queda da bolsa, você entra em pânico e vende na hora errada.

Outro efeito comum é o de desanimar pelo saldo estar evoluindo em um ritmo abaixo do que você gostaria.

Hoje, eu olho o espelho e as roupas. Nos investimentos, olhe para os fundamentos e para o longo prazo. O patrimônio total pode oscilar, mas se o seu plano é sólido, o resultado aparece.

4. O planejamento financeiro serve para você viver

Muita gente acha que investir é “não gastar com nada”. Errado. Eu comprei roupas de academia que me fazem sentir bem. Isso me motiva.

O planejamento financeiro serve para você gastar com o que importa para você sem se enrolar. Se o seu bem-estar depende de um hobby ou de um conforto, isso deve estar no seu orçamento. O dinheiro é o meio, não o fim.

A coluna de hoje é sobre academia, mas poderia ser sobre qualquer mudança de hábito. A saúde aqui em casa pegou pesado na última semana, mas eu não parei. Por quê? Porque eu parei de tratar meus objetivos como opcionais.

Se você quer mudar sua vida financeira, mude o seu ambiente, quebre os ciclos de desculpas e aceite que o processo será mais lento do que você gostaria, mas os resultados de quatro meses de constância valem muito mais do que anos de começos e interrupções.

O sucesso (no shape, saúde ou na conta bancária) é o resíduo da sua teimosia em continuar quando tudo diz para parar.

*As opiniões contidas nessa coluna não refletem necessariamente a opinião da B3

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