BCE eleva taxa de juros em meio à guerra no Oriente Médio e revisa projeções de inflação
O Banco Central Europeu (BCE) eleva taxas de juros pela 2ª vez este ano, impulsionado pela inflação e pela guerra no Oriente Médio
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O Banco Central Europeu (BCE) elevou a taxa de juros pela segunda vez neste ano nesta quinta-feira, 10 de setembro, em Frankfurt, com o objetivo de frear o avanço da inflação. A escalada inflacionária é impulsionada principalmente pelos preços da energia, agravados pela guerra no Oriente Médio.
O BCE elevou sua taxa de depósito de 2,25% para 2,50%, reiterando que a inflação deve se manter acima de sua meta de 2% por um tempo. Anteriormente, o banco já havia se pronunciado sobre como a guerra no Irã afeta a manutenção das taxas de juros.
A decisão afeta diretamente os 21 países da zona do euro e ocorre em meio a temores de uma onda de aumentos de preços, especialmente com a alta do petróleo.
Desde o final de agosto, ataques de ambos os lados na guerra no Oriente Médio interromperam um período de relativa calma. Estados Unidos e Irã atingiram alvos militares, de transporte marítimo e do setor energético. Este cenário impulsionou os preços do petróleo de volta a patamares acima de US$100 o barril, reacendendo preocupações com uma nova onda de aumentos de preços na zona do euro, região que é grande importadora de combustíveis. A expectativa do mercado é de que a inflação continue acima da meta por um período prolongado.
Por que o BCE revisou suas projeções?
O banco central dos 21 países que compartilham o euro também revisou para cima algumas de suas projeções de crescimento e inflação. Essa atualização reflete tanto a resiliência inesperada da economia europeia quanto o impacto dos custos elevados dos combustíveis sobre outros preços. A nova previsão do BCE aponta para uma inflação de 3,0% neste ano, 2,5% no próximo ano e 2,1% em 2028.
Contudo, é provável que as projeções divulgadas nesta quinta-feira não contemplem plenamente o mais recente aumento nos preços da energia, especialmente do gás natural. Muitos países europeus dependem do gás para aquecimento, e o choque em seus preços tende a ter um impacto mais lento, mas também mais significativo e duradouro sobre a inflação, excluindo a energia, conforme observado pelo Barclays em uma nota.
O que os mercados esperam?
Os mercados financeiros precificam que haverá mais um aumento das taxas de juros ainda este ano, seguido por uma ou duas elevações adicionais no próximo ano. Por outro lado, economistas veem a decisão desta quinta-feira como possivelmente a última do BCE por enquanto, embora um número crescente deles considere o risco de ser necessário um aperto monetário adicional.
O BCE não forneceu indícios sobre futuras medidas, limitando-se a repetir sua postura padrão de que as decisões serão baseadas nos dados econômicos que forem surgindo.
*Matéria originalmente publicada em IstoÉ Dinheiro, portal parceiro de Bora Investir